terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O elogio da estupidez

Já fui fumador inveterado, seduzido por uma publicidade que me convencia que ser fumador era sinónimo de “sucesso”.
Hoje sou um fumador ocasional que tem respeito por quem encontra no tabaco uma forma de escape para as tensões do dia a dia.
Respeito, como sempre o fiz, os não fumadores que não querem ser obrigados a engolir o fumo dos outros. Não compreendo, por isso, a fúria anti-tabágica de alguns militantes anti-fumo, que vai atacando o “modus vivendi” de muitos ocidentais.
A Lei anti-tabágica é persecutória, fundamentalista, pidesca e um hino à estupidez. As interpretações da DGS ( esta sigla faz-me nervos e provoca-me pele de galinha!) não escapam a esta visão, talvez porque segue a linha fundamentalista do Conselho de Prevenção do Tabagismo. Que pensar quando uma técnica da DGS vem dizer publicamente que, não estando definidas claramente as regras a que devem obedecer os espaços que optem por se manter abertos a fumadores, aconselha os proprietários a manterem os espaços livres de fumo? Que estamos num País europeu, ou no Botswana? Que vivemos num regime democrático ou num ditadora tecnocrata? Se o legislador tivesse um pouco de bom senso, bastar-lhe-ia ter “copiado” o modelo espanhol em vez de esboroar os seus esforços na cópia da legislação americana ou irlandesa ( a única legislação europeia que talvez seja tão fundamentalista como a nossa).
Quando uma lei anti-tabágica padece de cegueira social, ao fixar normas rígidas para estabelecimentos comerciais como restaurantes , bares e discotecas, sem permitir aos seus proprietários ter uma palavra sobre o assunto; estabelece a possibilidade de fumar em determinados estabelecimentos, mas como não define as normas de instalação dos aparelhos de extracção de ar, está a inviabilizar que muitos espaços optem por ser abertos a fumadores; prevê multas para os fumadores que chegam a atingir o quádruplo das multas aplicadas a um consumidor de drogas; ignora a informação e prevenção; apela à delacção ( só falta atribuir uma comissãozita ao delator, para ser perfeito) só me apetece perguntar: Quem me indemniza pelo facto de o Estado ter permitido a publicidade desregrada ao tabaco - chegando mesmo a incentivar a produção de tabaco e dela ter beneficiado- contribuindo assim para que eu me tornasse um fumador?
A aprovação de uma lei fundamentalista não pode deixar de ser baseada na incoerência. Tão preocupado com o consumo do tabaco(cuja venda só será permitida a partir dos 18 anos), o Estado continua a permitir a venda de bebidas alcoólicas a crianças com 16 anos, a fingir que não sabe que existem discotecas neste País onde crianças entre os 10 e os 14 anos consomem álcool, Ecstasy e drogas leves. Porque não age o Estado sobre os infractores e os seus promotores ( proprietários dos espaços) é que ninguém percebe!
Sou a favor de uma lei anti-tabágica, mas não tolero a insensatez de legisladores encartados que pugnam arduamente por ficar na História, sem cuidar de saber ( ou pelo menos perceber) que a estupidez é adversária do progresso e a cegueira social inimiga do bom senso.

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