segunda-feira, 21 de maio de 2018

A Justiça no confessionário


 Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa,  foi acusado de desviar fundos da Universidade em benefício próprio e de familiares.
Salvato Trigo  pediu que o julgamento fosse efectuado à porta fechada e o juiz acedeu ao pedido, sem que se conheçam as razões que justifiquem a decisão,
O "Público " pediu para ter acesso ao processo, mas o juiz recusou.
Quando toda a gente pede transparência na política, é no  mínimo estranho que um juiz não tenha de justificar à sociedade a razão de ter autorizado o julgamento à porta fechada de um caso de corrupção. 
Não deixa de ser estranho que, numa época em que a comunicação social tem acesso a escutas e aos pormenores mais sórdidos de  casos de justiça  envolvendo corrupção de políticos, um ex-reitor acusado de desviar 2,2 milhões de euros de uma universidade, seja julgado à porta fechada.
Demo-nos por satisfeitos, porém, pois ficou a saber-se a sentença deste julgamento feito no confessionário: 15 meses de prisão com pena suspensa!
Ou seja, apenas mais três meses do que o mendigo que há meses roubou um polvo do supermercado.
Poder-se-ia argumentar que o homem que roubou o polvo é um ladrão incorrigível enquanto Salvato Trigo é um homem de bem que teve um "deslize" e está genuinamente arrependido. Só que não é verdade... Salvato Trigo já tinha sido condenado a 10 meses de prisão, igualmente com pena suspensa, no final dos anos 90 do século passado. Motivo? Desvio de verbas do Fundo Social Europeu.
Estranha-se, por isso, este julgamento de sacristia à porta fechada. E porque tenho a certeza absoluta que Salvato Trigo não corrompeu o juiz ( os juízes são a única classe profissional neste país absolutamente impoluta e acima de qualquer suspeita) resta-me manifestar a minha perplexidade pelo facto de a comunicação social ( com excepção do Publico) não ter revelado quaisquer pormenores sobre o misterioso julgamento do ex-reitor da Universidade Fernado Pessoa