quinta-feira, 10 de maio de 2018

A lógica dos extremos

Extrema esquerda e extrema direita preparam-se para formar governo em Itália.

Uma questão de ética




Ainda sou do tempo em que as pessoas se indignavam porque um congresso de médicos era patrocinado por laboratórios, ou a Nestlé pagava a especialistas para fazerem um estudo a enaltecer as qualidades de alguns dos seus produtos.
A questão azedou  em meados dos anos 70, quando se soube que um leite para bebés da Nestlé,muito publicitado provocou a morte de centenas de crianças africanas. As pessoas indignaram-se, a comunicação social deu enorme relevância ao assunto ( em parte graças ao papel da escritora e activista alemã  Traude Bührmann
Com o passar do tempo, a evolução das técnicas de sedução publicitária ( onde merece destaque o product placement) a e o crescente poder sedativo das imagens, as pessoas deixaram de dar importância ao assunto.
Por outro lado, de forma  cada vez mais consciente, deixam-se inebriar pela publicidade que apela ao hedonismo e esquecem a ética que deve presidir  à sua actividade profissional, aceitando patrocínios de empresas cujas práticas e produtos são contrários- ou mesmo antagónicos-  aos princípios que defendem.
Um exemplo? A Mc Donalds e a Coca Cola são duas das empresas  patrocinadoras do congresso dos nutricionistas  a decorrer em Lisboa.
Embora haja  nutricionistas a contestar esta opção da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN)  os responsáveis da Ordem dos Nutricionistas acham a escolha natural ( Tão Natural como a sua sede?).  Não descortinam qualquer contradição, incompatibilidade ou violação da ética profissional, no facto de um congresso de profissionais que promovem formas de alimentação saudável, ser patrocinado por empresas que produzem aquilo a que se convencionou chamar junk food.
Estas práticas ( que não são novidade, nem sequer recente) continuam a provocar-me alguns engulhos mas, apesar de tudo, considero preferível que sejam feitas às claras. Como  no caso da Conferência  organizada pela Faculdade de Direito de Coimbara sobre a Legislação contra os maus tratos a  animais, patrocinada por uma ganaderia.

É obrigatório proibir (3)


Outra campanha proibicionista que viria a calhar era contra as pipocas. Aviso já que sou consumidor/ apreciador do produto, mas nos locais próprios: nos bares e discotecas, numa esplanada, em feiras e arraiais e em casa. Agora em salas de espectáculos é que não me convencem a consumi-las e defendo desde já a proibição do seu consumo nas salas de cinema portuguesas. Para além de ser uma iniciativa pioneira, que poderia projectar Portugal na Europa, a medida acabaria com o degradante espectáculo de sermos perturbados pelo incomodativo mastigar alheio. Além disso, podem ocorrer situações desagradáveis e mesmo perigosas para a saúde dos cidadãos. Como é o caso de, durante uma cena cómica, sermos atingidos por uma rajada de pipocas saídas da boca do espectador da fila de trás que, tendo acabado de meter à boca uma mão cheia das ditas, não foi capaz de conter as gargalhadas e as expeliu para cima dos vizinhos, misturadas com algumas dezenas de perdigotos. È inestético, pouco higiénico, e põe em causa a saúde pública.
Abaixo as pipocas nos cinemas! Viva a pastilha elástica!