terça-feira, 17 de abril de 2018

Naquele engano d'alma ledo e cego...

A SIC está a chamar "trabalho de investigação" à exibição de um conjunto de vídeos LEGENDADOS com os interrogatórios do Procurador Rosário Teixeira a José Sócrates. 
No tempo em que eu era jornalista, isto tinha outro nome e, perante uma tão infame fuga de informação, o PGR ter-se-ia admitido imediatamente, se não conseguisse descobrir o autor da fuga.
Mas como Joana Marques Vidal, apesar de nunca ter havido tantas fugas de informação sobre processos em  segredo de justiça ,  é considerada a melhor PGR de todos os tempos, pode continuar a encolher os ombros   e fingir que não é nada com ela.
Quem quiser continue a acreditar que o único tipo que está preso por ter fornecido informação a um assessor jurídico do SLB, braço direito de LFV, foi apanhado por acaso. 
E os mais ingénuos continuem a pensar que as informações passadas a Paulo Gonçalves diziam apenas respeito a processos desportivos.
Por mim, prefiro continuar a acreditar em contos de Fadas e que Joana Marques Vidal é  a Bruxa Má disfarçada de Fada Madrinha.
Quanto à SIC, espero que deixe rapidamente de confundir informação e jornalismo com as práticas do CM. Pode ser apelativo em termos de audiências mas, mais cedo ou mais tarde alguém irá lembrar ao militante nº1 as palavras do poeta:
"...naquele engano d'alma ledo e cego
Que a fortuna não deixa durar muito (...)" 

Em defesa dos professores

Só quem nunca deu aulas, ou desconhece o ambiente escolar, pode  insurgir-se  ou surpreender-se, com o elevado número de professores que estão de baixa médica.
A tarefa de um professor é de extraordinário desgaste. Não se limita a  preparar e debitar aulas,  desenvolver tarefas administrativas ou  aturar miúdos indisciplinados e, não raras vezes, violentos. Os professores ainda têm de desempenhar tarefas que deveriam ser da responsabilidade dos encarregado de educação e suportar a ira de alguns  paizinhos incapazes de aceitar a má criação ou total incapacidade para os estudos  dos seus rebentos. 
Nestes casos, a maioria dos pais descarrega a sua frustração sobre os professores, chegando a agredi-los.
Ser professor  exige, além de capacidade profissional para desempenhar a tarefa, grande estofo psicológico.

Passei muito tempo da minha vida profissional em escolas a fazer formação de professores e pude aperceber-me do grau de exigência que lhes é colocado. Pessoalmente, apesar de considerar  uma profissão fascinante,  compreendi rapidamente que nunca teria capacidade para a desempenhar.  Como eu, há milhares de professores no activo sem arcaboiço para ensinar. Muitos foram atirados para o ensino nos anos 70 e 80, por ser a forma mais expedita de encontrarem um emprego. Mas não estará entre eles, certamente, a maioria dos  6 mil docentes que estão de baixa médica à espera de uma Junta, há pelo menos dois meses. 
Palpita-me que a maioria deles sejam pessoas  empenhadíssimas e que amam a profissão, pois são esses que normalmente mais sentem a responsabilidade de  ensinar e a frustração pelo pouco reconhecimento da sua profissão.
Exigir a um professor que trabalhe durante 40 anos com o mesmo entusiasmo e tenha ao fim de décadas de dedicação a mesma capacidade para lidar com jovens rebeldes e, não raras vezes, mal educados e agressivos é uma enorme crueldade. E  revela também  falta de reconhecimento sobre a actividade dos professores e ignorância sobre o ambiente escolar.
Lembro-me sempre do dia em que entrei numa escola da Trafaria, para ui  falar com alunos sobre ambiente e sustentabilidade e encontrei miúdos a brincar com armas de fogo e armas brancas. 

É por  tudo isso que me encanita  a forma crítica como a comunicação social trata a questão das baixas médicas dos professores. Os jornalistas têm a obrigação de identificar as causas, antes de fazerem críticas mais ou menos soezes, insinuando que é a balda generalizada no ensino em Portugal