terça-feira, 10 de abril de 2018

Ir além da troika na versão geringonça






Nunca fui Centeno. Por norma,  antipatizo com ministros das finanças, porque vejo sempre um Salazar em cada um deles. Também não fui entusiasta da nomeação de Mário Centeno para o Eurogrupo. Sempre receei que isso o envaidecesse e,  inebriado pelo cargo, esquecesse o país.
Infelizmente, parece que os meus receios  tinham fundamento.
Ninguém ousará negar que  milhares de portugueses devem a este governo e a  a Mário Centeno a devolução daquilo que o governo PSD/CDS lhes extorquiu, para cumprir a promessa de Passos Coelho, de ir  além da troika.
Mário Centeno não vai além da troika  porque, em certa medida, ele faz parte da troika. É isso que lhe tira o discernimento e fomenta a obsessão do défice. Neste momento, Mário Centeno começa a ser um embaraço para o governo de António Costa e para a geringonça, porque sofre da síndrome do bom aluno e quer ficar bem visto em Bruxelas. Como o seu antecessor Gaspar.
Obviamente que não há dinheiro para satisfazer de imediato as múltiplas reivindicações ( quase sempre justas, mas por vezes irrealistas)  de vários grupos sócio profissionais, mas a forma como Mário Centeno rejeita liminarmente quaisquer cedências, não são aceitáveis.
Inaceitáveis são também algumas cativações, sejam elas explícitas ou respaldadas na recusa de uma assinatura, como foi o caso do Hospital de S. João. Qualquer doente deve ser respeitado pelo Estado, mas ainda mais crianças com doenças oncológicas, sujeitas a enorme sofrimento. 
É inadmissível que a obsessão pelo défice esteja a impedir  o Estado de cumprir as suas obrigações.
Começo a perceber porque chamam a Mário Centeno o CR7 das Finanças. Um faz magia com a bola nos pés, o outro com uma folha de Excel. Mas há uma grande diferença: CR7 adora crianças. Mário Centeno despreza-as.  
Espero que António Costa não se deixe contagiar pela obsessão de Centeno com o défice e perceba que os portugueses não compreenderão que o governo continue a alimentar o vampirismo dos bancos, insista no défice zero e  fragilize o SNS ou o sistema de ensino, deixando o sistema colpaar e doentes à mercê de números e cifrões. 
O conforto que, pelo menos aparentemente, sente com a eleição de Rui Rio, não o pode  fazer esquecer que o seu compromisso é  ( e terá de continuar a ser) com a esquerda, o que significa mais justiça social e atenuar as desigualdades sociais. 
Se o governo se desviar desse rumo, é compreensível que os partidos que o sustentam reajam e apertem o cerco, deixando António Costa em maus lençóis e a direita a salivar.


Lula pede para cumprir pena em Portugal

Diz a comunicação social que Lula teve o privilégio de poder ver um jogo de futebol, porque lhe foi colocada uma televisão na cela.
Lula terá ficado reconhecido, mas isso não demoveu de pedir para cumprir a pena de 12 anos em Portugal
Ele sabe que nas nossas prisões há televisores para os presos acompanharem a actualidade, os telemóveis abundam e, em algumas prisões, os detidos podem combinar e coordenar assaltos no exterior através da Internet.
Parece que a comida não é grande coisa mas, como Lula come pouco, a escolha de um hotel prisão em Portugal será vantajosa  em relação à sua cela individual em Curitiba