quarta-feira, 4 de abril de 2018

A Ceia dos Generais




Ainda antes de ser conhecida a decisão do Supremo tribunal federal, as Forças Armadas brasileiras  tomaram finalmente posição face a Lula e disseram claramente ao que vêm: Querem a prisão de Lula.
Não era necessário um grupo de generais vir dizê-lo explicitamente . Toda a gente sabe que  as forças armadas brasileiras sempre estiveram contra a democracia, contra a Ordem, e nunca se resignaram com a perda de poder
O Brasil é cada vez mais o regresso ao passado. Cheira a mofo  e à carne podre das vítimas da ditadura que   Bolsonaro diz nunca ter existido.
Quando ouço estes selvagens lembro-me sempre da coragem da minha tia Ruth que os enfrentou sem medo, quando detinham o poder, dizendo ao general Figueiredo,  em pleno Paralmento, que era  um impotente  que  combatia a sua frustração com  manifestações de força bárbara sobre os mais fracos. O Brasil precisa de mais mulheres como a  minha tia Ruth e Marielle Franco, que combatam  os generais que se alimentam da bosta dos cavalos que montam.
Acaba de ser conhecido conhecido o voto da juiza Rosa Weber, considerado como voto de desempate, face a uma divisão 5 a 5 nos votos a favor e contra Lula.
Rosa Weber votou contra o Habeas Corpus, o que significa que Lula  irá para a prisão  antes de estar concluído o processo de recurso. 
Os Generais já devem estar a abrir as garrafas de champagne e, assim que acabar a votação,  os juizes irão fazer-lhe companhia. 
Com todo o respeito vos digo que o Brasil não é só um país de corruptos. É uma selva de Pedra  onde a Justiça se pratica à moda do Farwest, em colaboração estreita com o generalato fascista. 
Lula da Silva tirou 18 milhões de brasileiros da miséria e isso é insustentável para o generalato, para os justiceiros e também para a elite brasileira que considera inadmissível o preço das faxineiras e  uma usurpação o preço cobrado pelos jagunços para matar.

O Direito à greve



As greves dos trabalhadores dos transportes causam sempre grande transtorno e embaraço às populações. Eu não sou excepção, mas o transtorno provocado na minha vida é infinitamente pequeno, se comparado com dois  casos que conheço de pessoas ( uma é vagamente minha familiar) que foram despedidas por terem faltado ao trabalho, cuja única culpa foi não terem meio de transporte alternativo para se deslocarem. 
Eu compreendo que as pessoas se revoltem com esta situação mas, em vez de acusarem os trabalhadores em greve, seria mais justo que descarregassem no patrão, pelo  carácter filho da puta que revelou. 
Pessoalmente, considero tão grave o  despedimento de uma trabalhadora grávida, como o de um trabalhador que não compareceu ao trabalho por não ter meio alternativo para se deslocar, mas a experiência mostra que o despedimento de uma mulher grávida tem muito mais impacto noticioso. Prioridades...
Voltando ao tema do post, lembro aos leitores que o direito à greve é a única arma que os trabalhadores têm para defender os seus direitos , quando a via do diálogo com a entidade patronal se esgotou porque o patrão é surdo ou, simplesmente, um cabrão que ainda trata os trabalhadores ( ou colaboradores, para os esclavagistas modernaços)como  mercadoria.
Não fora o direito à greve e o patronato já teria reduzido os trabalhadores a hordas de famintos dispostos a trocar a sua força de trabalho por uma côdea de pão. 
Como qualquer arma, a da greve também deve ser utilizada apenas em legítima defesa e não como arma ofensiva. 
Eu sei que é irressistível a  tentação de  considerar o actual surto grevista, como uma arma de arremesso usada pelo  PCP em período pré-eleitoral, mas é justo  reconhecer que, exceptuando o sector da Educação, o direito à greve tem sido geralmente utilizado com  ponderação 
Creio, no entanto, ter uma explicação que  ultrapassa a   das  seculares ambições partidárias de Mário Nogueira: o líder da FENPROF é um exemplo emblemático de que nem sempre as armas estão em boas mãos e são um perigo quando caem nas mão de gente irresponsável.
Sem querer ofender Mário Nogueira, considero que a sua irresponsavbilidade não é suficiente para eu estabelecer uma relação inequívoca entre as greves e os interesses políticos do PCP. Isso só acontecerá no dia em que Ana Avoila sair a terreiro reclamar aumentos incomportáveis para a função pública e, ao fim da primeira reunião aparecer diante das câmaras a anunciar uma greve geral da função pública ( tendo ou não ao seu lado Mário Nogueira).

Notas finais:
1- Em França, os trabalhadores do sector ferroviário anunciaram 2 dias  paralisações  em cada 5. 
2- Não incluí nas excepções a Auto Europa porque, além de já me ter pronunciado sobre o assunto, penso que merece ser tratado á margem deste post.

Sob suspeita




A recente escolha de John Bolton  para  Conselheiro de Segurança da Casa  Branca, em substituição do general Herbert Mc Master, aumenta a minha convicção de que a história das armas químicas russas é um embuste.
Para quem não saiba, ou não se recorde,  esclareço que John Bolton foi conselheiro de George Bush, foi o arquitecto do "Eixo do Mal" ( Iraque, Irão e Coreia), engendrou o plano para afastar Saddam e o mentor das armas de destruição maciça que Durão Barroso viu tão claramente.
O seu regresso à Casa Branca deverá estar relacionado com um possível endurecimento da posição de Washington face aos seus inimigos de estimação.
Mais  radical do que o general Mc Master, John Bolton é visto pela imprensa americana, como mais um "reforço" para o "gabinete de guerra" que ganha cada vez mais força na administração Trump. O seu curriculo parece confirmá-lo, pois Bolton defende ataques ao Irão, Coreia do Norte e mesmo China.
Em breve ficaremos a saber qual a "inventona" que se seguirá ao caso Skripal, que poderá muito bem ter sido apenas um balão de ensaio para testar a opinião pública mundial.