quarta-feira, 7 de março de 2018

Memórias em vinil (CCCLII)

Boa noite!

Só para lembrar

Que o primeiro país que conheci onde é autorizada a entrada de cães nos restaurantes, foi a China, mas por lá dão-lhes logo um wild card para o prato do cliente.

Justiça de Fafe




Deixei propositadamente para hoje o post sobre o assunto que mais agita os portugueses nos últimos dias.
Antes de mais, devo esclarecer que não fiquei nada feliz com a notícia da detenção do assessor jurídico do SLB por alegada corrupção activa e passiva. Deixo essas alegrias para alguns adeptos benfiquistas que exultam com notícias plantadas por fontes anónimas, em datas estratégicas para os interesses do SLB, amplificadas por jornalistas desonestos que por paixão clubista esquecem os princípios básicos do jornalismo.
Pela minha parte, a detenção deixou-me muito mais preocupado com o estado a que chegou a justiça portuguesa, do que com o futebol.
Se Paulo Gonçalves "comprou" ou "aliciou" funcionários da justiça com camisolas e bilhetes de futebol, então é porque a Justiça está muito pior do que eu pensava, pois alberga agentes que se deixam corromper por um prato de lentilhas.
Por outro lado, se o SLB compra com tanta facilidade e eficiência oficiais de justiça, funcionários públicos e corrompe juízes ( não precisa de comprar jornalistas, porque muitos deles já se venderam há muitas luas), imagine-se a facilidade que terá em comprar árbitros e outros agentes desportivos.
O silêncio da Liga é ensurdecedor e o CD da FPF muito esclarecedor, por ser vergonhoso: no dia em que Paulo Gonçalves é detido, anuncia a abertura de inquérito ao Estoril/Porto.  
Está-se mesmo a ver que o FC do Porto ( ou outro qualquer clube) ia pagar a dirigentes de outro clube para comprar um jogo, em vez de o fazer directamente a jogadores. E como todos são mentecaptos, o pagamento fez-se às claras, através de transferência bancária...
O sr Meirim, capanga do SLB há muitas luas, podia ser um bocadinho menos descarado. Ou então quis mesmo mostrar que "quem manda no futebol sou eu. Só recebo ordens do primeiro ministro LFV".
COM TODA A SINCERIDADE acredito e espero que tudo isto não passe de fumaça.  Seria uma boa notícia para o futebol e para o desporto em geral. Só que isso não chega. Enquanto a justiça continuar a fazer de conta que não se passa nada, o governo insistir que é só fumaça e as autoridades desportivas continuarem a encolher os ombros quando grupos de adeptos entoam cânticos  de ódio, ou perante um atleta seriamente lesionada gritam a plenos pulmões "Deixa morrer que é lagarta!" ( aconteceu no Benfica/Sporting de futsal feminino no último fim de semana), não teremos paz no futebol. 
Grave é que isto se passe com a complacência da FPF, entidades desportivas e até de um secretário de estado do desporto que continua a dizer que está tudo bem no futebol.
Face a tanta indiferença, admito que a teia das suspeições alastre e atinja mesmo membros do actual e do anterior governo.
Já nada me surpreende, depois de ler a biografia de Pablo Escobar.

Postal para António Costa

Senhor Primeiro Ministro
Sei que por estes dias esteve com Mariano Rajoy a assinalar o início das obras da via férrea que ligará Évora a Elvas.
Permita-me que o felicite por esta iniciativa do seu governo MAS, ANTES, quero fazer-lhe um pedido.
 Da próxima vez que se encontrar com o seu homólogo espanhol, aproveite para lhe dar uma palavrinha sobre Almaraz e sobre a mina de urânio a céu aberto que Espanha vai explorar mesmo junto à nossa fronteira. São dois atentados ambientais que em muito prejudicam Portugal e a estratégia de dinamizar o interior.  Diga ao senhor  Mariano que os portugueses estão cansados de ajoelhar perante Espanha, não vêem com bons olhos os atentados ambientais que estão a ser praticados debaixo dos nossos olhos, nem toleram a velada ameaça de  desrespeitar os acordos de transvase para os nossos rios, se a seca se prolongar.
Se o Rajoy não se intimidar, faça-lhe uma ameaça. Diga-lhe, por exemplo, que seguirá o exemplo de Bruno de Carvalho e apelará a todos os portugueses para deixarem de passar férias em Espanha.
Com toda a sinceridade lhe digo, senhor primeiro ministro, que a alegria de ver a  recuperação da via férrea não atenua  o desespero ao ver a passividade do governo perante os atentados ambientais que Espanha perpetra contra o nosso País. Mas, sobre isso, lhe escreverei em breve.
Atenciosamente