sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXLII)

Orchestral Manoeuvres in the dark estiveram em Lisboa a semana passada. Não são a minha praia, como dirá o Pedro Coimbra, mas é justo incluí-los nestas memórias.
Boa noite e excelente fim de semana

Tento na língua, Daniel Oliveira




Chegou-me às mãos ( que é como quem diz à caixa de correio electrónico)  uma missiva de Daniel Oliveira de repúdio à actuação e postura de Bruno de Carvalho.
Nada mais natural num adepto sportinguista que pense pela sua cabeça e não seja fanático. O problema, porém, é que Daniel Oliveira resolveu acrescentar que não gostava de BdC, porque não queria ter no seu clube um Pinto da Costa.
Fiquei tentado a apostar que se BdC der ao Sporting tantos títulos como Pinto da Costa deu ao FC do Porto, Daniel Oliveira ainda é bem capaz de assinar uma petição para construir uma estátua de BdC à porta de Alvalade, mas nem por isso deixo de repudiar a comparação que fez, porque revela muita ignorância por parte de quem a proferiu.
Não sei se Pinto da Costa comprou árbitros com meninas ou viagens e pouco me interessa se ele muda de mulher como quem troca de automóvel. Sei, outrossim, que quer a nível civil, quer desportivo, tem sido absolvido de todos os processos em que foi acusado, incluindo este último da empresa de segurança. Se Pinto da Costa utilizou armas que outros já utilizaram e outros gostariam de utilizar se tivessem poder para isso, lamento e repudio, mas lembro que a essas acusações respondeu com muitos títulos internacionais, que outros não almejaram. Já agora, lembro a DO um princípio que ele muito gosta de invocar: " In dúbio, pro reo"
Sei, também, que  Pinto da Costa tem desenvolvido uma obra social de relevo na cidade do Porto que não posso menosprezar.
Não nutro qualquer simpatia especial por Pinto da Costa, mas sei que  é um homem educado e de cultura que, ao contrário de BdC ou LFV, nunca insultou sócios do clube em AG, pelo que sinto o dever de avisar Daniel Oliveira para ser mais rigoroso quando faz acusações a terceiros, ou criterioso quando estabelece comparações, para não escolher alvos errados.
No meu clube, eu quero ter um presidente que me dê títulos. A sua vida privada é-me absolutamente indiferente. E, se quiser fazer comparações, mais  depressa direi  que não quero ter um presidente que tenha enriquecido à custa da droga e da corrupção, do que um que diga umas diatribes como Bruno de Carvalho,. Acicates ( Não insultos...) aos adversários, remoques à comunicação social desportiva, apelos bacocos ao regionalismos (mesmo quando servem para denunciar os benefícios descarados aos clubes da capital), são inofensivos face a práticas de outros presidentes de clubes que vieram para o futebol para se servir dele e têm um percurso cheio de mácula na corrupção de jovens. 
Se Daniel Oliveira resistisse ao ódio que tem a Pinto da Costa ( por razões de todos conhecidas) escolheria certamente outro alvo e outro presidente para a comparação. Não precisava de ir ao Porto. Fazê-lo demonstra uma outra espécie de bairrismo bacoco que repudio de forma veemente.