quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXXVII)

Chamem a polícia!
Boa noite

Indignações poluídas




No Verão passado os portugueses indignaram-se ( justamente) com os incêndios que devastaram o país, lamentaram as mortes e, incapazes  de admitirem que, para além das condições atmosféricas, também eles tiveram responsabilidade directa na tragédia, reclamaram a demissão de uma ministra.
Por estes dias, muito se tem falado da poluição no Tejo. Desinformados, cépticos ou críticos em matéria de legislação ambiental, não se apercebem que o desastre ambiental que está a afectar o nosso maior rio pode ter consequências bem mais catastróficas para o país do que os incêndios.
Como não há perda de vidas humanas e desconhecem todas as implicações das descargas,  os portugueses insurgem-se contra as empresas que as fazem, mas não pedem a demissão de um ministro do ambiente que é co-responsável pelo que se está a passar.
É bom não esquecer que foi este governo que autorizou, em 2016, que as celuloses triplicassem o volume das descargas no Tejo.
É importante recordar que todos os partidos votaram contra uma proposta do Bloco de Esquerda que pretendia o corte drástico das descargas ( Agora, depois de casa roubada, todos estão de acordo...) 
Os jornais do costume, como o  Esterco da Manha, também não dão relevo ao desastre ambiental no Tejo, nem põem as redes sociais a bombar na amplificação da indignação, porque.... bem... deixo à vossa  perspicácia a explicação para este estranho e cúmplice silêncio.

Já não há pachorra!




Os arautos da desgraça que anteviam o regresso do Diabo, profetizavam um novo resgate e garantiam que ninguém investia em Portugal enquanto a geringonça comunista estivesse no poder, mudaram de táctica.
Perante a evidência dos juros baixos, a saída do lixo da dívida portuguesa, o maior crescimento da economia das últimas décadas, a diminuição da dívida e a confiança manifestada por grandes investidores estrangeiros, foram ao baú da má fé e sacaram o faducho lamuriento do pesar pelo interior esquecido e dos coitadinhos abandonados à sua sorte por um governo que não quer saber nada deles.
Já não tenho pachorra para a lengalenga da gentalha que vendeu o património do pais a interesses estrangeiros, nunca quis saber do interior  e agora chora lágrimas de crocodilo.
Como se não tivessem sido  os pafiosos a criar as condições ideiais para o interior do país arder, capitulando perante os interesses das celuloses, ao favorecer a eucaptilização da nossa floresta