terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXIV)


Este álbum dos Moody Blues é, seguramente, um dos melhores álbuns de 1968. Deixo-vos com Tuesday Afternoon. Boa noite!

Eu nunca adoptei este silêncio!


Os casos da "Raríssimas" e da IURD foram conhecidos quase em simultâneo. 
Sem surpresa, foi o caso Raríssimas a abrir telejornais e não a IURD. Afinal, enquanto a presidente de uma IPSS poderia servir de arma de arremesso contra o governo e provocar a queda de um ministro, as adopções ilegais da IURD punham "apenas" em causa a vida de crianças.
Nas  redes sociais a indignação com o caso Raríssimas atingia picos de audiência, enquanto sobre a IURD não se lia uma palavra.
Contra a corrente, escrevi no  FB:


"Lamento desiludir alguns entusiastas da "purificação social", mas estou muito mais impressionado com as reportagens da TVI sobre o rapto de crianças para adopção praticado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do que com a actuação da fundadora e presidente da Raríssimas".


A verdade é que a "Raríssimas" foi abrindo telejornais e fazendo primeiras páginas de jornais durante dias a fio. Mais propriamente, até ao dia em que se ficou a saber que o CDS - que cavalgara a onda da indignação- estava implicado até ao pescoço nas tais irregularidades.
 Depois veio o Natal,  surgiram casos de irregularidades ( para ser simpático...) noutras IPSS, os ânimos serenaram e não se voltou a falar na Raríssimas.
Não sei se por falta de tema para novo escândalo, se por uma genuína vontade de não deixar morrer o caso das adopções ilegais da IURD,terminadas as festas e escolhido o novo líder do PSD o caso voltou a ser notícia. 
Realizaram-se manifestações em várias cidades do país protestando contra o  estranho silêncio das autoridades, reclamando uma palavra do PR (sempre tão lesto a manifestar a sua indignação com casos em que estão envolvidas pessoas e a exigir responsabilidades) e a actuação do governo.
Marcelo Rebelo de Sousa mantém um estranho silêncio e ainda não exigiu apuramento de responsabilidades. Não quererá Marcelo ferir susceptibilidades  do outro lado do Atlàntico? Ou uma vez que o caso envolve uma seita religiosa, é de opinião que não se deve meter?
Às tantas nem uma coisa nem outra.  Marcelo estará "desconfortável",  em virtude das notícias que apontam para a responsabilidade da actual PGR na autorização das adopções que deveria ter travado.
Ora numa altura em que se discute a recondução de Joana Marques Vidal,  o caso IURD torna-se ainda mais delicado.
O caso IURD está nas mãos da justiça. Sabendo-se do envolvimento da PGR na situação, percebe-se como o assunto queima, mas seria este o momento de MRS demonstrar que não enfrenta os casos apenas a pensar na selfie. 
Só que estes incêndios, apesar de envolverem organismos do Estado e a responsabilidade de serviços e ministérios dos vários governos que autorizaram a abertura do Lar onde as crianças eram recolhidas para posterior adopção pelos bispos da IURD, não são do agrado de MRS.
O PR terá percebido que as chamas colaterais deste escândalo da seita de Edir Macedo o podem chamuscar e, por isso, remete-se a um cauteloso silêncio. Que se lixem as criancinhas!

Super Nanny




Ainda não vi nenhum programa da SuperNanny, pelo que continuarei a abster-me de comentar. No entanto, como era expectável, a discussão nas redes sociais fez aumentar as audiências do programa, o que a SIC agradece, já que a publicidade gratuita é sempre muito bem vinda. Como o demonstram exemplos de reality shows como o "Big Brother".
O que ouvi e li sobre o programa ( nomeadamente o debate promovido pela SIC ontem à noite)  foi suficiente para perceber que  o que está em causa é a exposição de crianças. 
Eu sei que há pais que consideram os filhos como propriedade sua. É o caso de João Miguel Tavares. Ao ouvir o intelectual das empregadas domésticas dizer que os pais têm todo o direito de expor os filhos publicamente, fiquei esclarecido. Não são só os ignorantes que olham para os filhos como objectos, ou animais de estimação.
Talvez um dia, quando  forem adultos, as crianças que estão a ser expostas gratuitamente na SIC ( é disso que se trata, não é?) mandem os pais à merda. É isso que eles merecem.
Bom dia!