terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCII)




Embora tenha sido lançada em vésperas do Natal de 1967, a canção que hoje recordo foi um dos grandes sucessos do Verão de 1968.
Não foi a minha primeira escolha para revisitar esse ano, mas  "Comme d'habitude" está intimamente ligada à memória que aqui trouxe ontem e também tem uma história que merece ser contada.
Escrita por Claude François para France Gall, com quem o cantautor rompera na noite em que  Gall venceu o Festival da Eurovisão ( outra história que valeria a pena contar, mas fica para outro dia...) "Comme d'habitude" é uma canção em contraciclo.
Com efeito, nos finais dos anos 60 a canção francesa começava a perder alguma influência e registava-se uma tendência para  os cantores e bandas  franceses traduzirem grandes sucessos anglo saxónicos.
Ora, com  "Comme d'habitude" passa-se exactamente o contrário. A canção não teve grande sucesso na Europa ( faz parte da minha discoteca, porque amei a canção desde a primeira vez que a ouvi) mas, anos mais tarde, viria a conhecer um  estrondoso sucesso mundial através da voz de Frank Sinatra que a recriou com o título  " My Way" em 1969. Curiosamente, porém, foi Paul Anka quem traduziu e primeiro interpretou a canção na sua versão inglesa. Que viria também a ser interpretada, nos anos 70, por Elvis Presley.
As canções, como as pessoas, também precisam de uma aragem de sorte para terem sucesso...

O direito ao assédio




Catherine Deneuve é uma mulher que sempre admirei. E não apenas por ser 

bonita e ter muitíssima classe. Também por ser uma belíssima actriz e uma mulher inteligente.
Mais uma vez dá provas de pensar pela sua própria cabeça, ao não embarcar na onda desvairada  e histérica das vítimas de assédio, puritanas fast food, como as que há dia deram um tristíssimo espectáculo na cerimónia dos Globos de Ouro, comandadas pela Oprah.
Catherine e mais 99 mulheres recusaram embarcar na onda de histeria e o puritanismo bacoco,  puseram os pontos nos is;


O novo alvo da direita




À falta de argumentos e propostas alternativas, a direita faz tiro ao alvo a ministros, na tentativa de enfraquecer o governo.
Depois de terem sido bem sucedidos com a demissão de Constança Urbano de Sousa, que contou com o alto patrocínio do Presidente da República, PSD e CDS começaram a disparar sobre ministros e secretários de estado. O último visado foi Vieira da Silva, mas os argumentos utilizados tiveram um efeito boomerang, quando ficou a saber-se que a então secretária de estado, Teresa Caeiro, integrara os corpos sociais da Raríssimas enquanto era secretária de estado.
Não me espanta, por isso,  que haja por aí gentalha a incendiar as redes sociais,  na tentativa de denegrir a imagem de Mário Centeno, por ter pedido a Luís Filipe Vieira dois bilhetes para assistir a um Benfica- Porto.
 Nos tempos que correm, qualquer traque de Mário Centeno é notícia e pretexto para o denegrir, porque a direita tuga não perdoa o sucesso de um ministro que demonstrou, sem deixar margem para dúvidas, que havia alternativa à austeridade e que o governo PSD/CDS a utilizou para empobrecer os portugueses,  aumentar as desigualdades e ter um argumento para vender ao desbarato algumas das mais importantes pérolas do nosso património.
 Num país em que a cunha é uma instituição nacional, não deixa de ser divertido ouvir alguns indignados a invocar a mulher de César, a propósito deste não caso.
O que verdadeiramente me espanta é que haja jornalistas que façam disso um caso político e  remetam para segundo plano a descida da dívida e do défice público. Mas, na verdade, não devia espantar-me. Não são apenas os clubes de futebol que tentam seduzir jornalistas com avenças, para darem notícias de acordo com as suas agendas e interesses.
Como ficou demonstrado no governo PSD/CDS, vários os jornalistas, depois de andarem a plantar notícias falsas durante a campanha eleitoral de 2011, trocaram a profissão por altos cargos na Administração Pública e em empresas do Estado.
Política e futebol? Anda mesmo tudo ligado...

Foi bonita a festa, pá!

Dizem-me que foi bonita a homenagem  a Mário Soares. Ainda bem, porque ele merece que o recordemos como uma das mais importantes figuras do século XX e um  incansável lutador pela Liberdade.
O que sobre Mário Soares escrevi nos dias subsequentes à sua morte mantém-se actual ( podem ler aqui,  ou aqui)
Chegou-me entretanto a notícia da entrada de uma petição na AR para impedir que seja dado o nome de Mário Soares ao aeroporto do Montijo.
A minha primeira reacção foi soltar uma gargalhada com as preocupações dos tugas e alvitrar que Mário Soares merece muito mais do que ficar perpetuado num aeroporto. 
Passei do riso à indignação quando soube que a petição continha termos insultuosos e provocatórios. Foi então que decidi pesquisar na Internet para conhecer o conteúdo e confirmar aquilo que suspeitava: trata-se de uma iniciativa de retornados ressabiados que apenas merecem o meu absoluto desprezo. Gente ignorante e imbecil a quem dedico o post "Bem aventurados os pobres de espírito"
Mário Soares não era santo. Tinha defeitos, como qualquer ser humano, e a grande virtude de amar a Liberdade e ter lutado por ela toda a vida.
É precisamente por isso que acho muito bem que a petição, apesar dos termos insultuosos e próprios de gente rasca, tenha sido aceite na AR. E por unanimidade. É esse o maior elogio que se pode fazer a Mário Soares.