terça-feira, 7 de agosto de 2018

Apitó comboio!



O serviço prestado pela CP tem-se degradado de forma acelerada, numa prova de total desrespeito pelos clientes. Refiro-me aos horários, mas também ao equipamento e à qualidade do serviço.
O CDS  aproveitou de imediato para  pedir a presença do ministro na AR para explicar a situação. ( como se não soubéssemos que o propósito do CDS não é a melhoria do serviço, mas criar condições para a privatização da CP)...
De imediato, PS e PSD começaram a trocar acusações, responsabilizando mutuamente o adversário pelo estado de degradação a que o serviço chegou.  
Na verdade a degradação da CP começou há várias décadas,  com  Cavaco Silva e  prosseguiu com  os governos  seguintes, que abandonaram a via férrea e apostaram no asfalto.  Não há inocentes nesta matéria. Nem Sócrates que apostava no TGV como um negócio rentável, mas sem visão de desenvolvimento, promoção da vida no interior do país, ou rentabilidade da empresa.
Há muitos anos que Portugal está em contraciclo com o que se passa na Europa, onde o transporte  ferroviário voltou a ser uma aposta no desenvolvimento. 
Em Fevereiro fui de comboio a Barcelona, pude comprovar a degradação do serviço do SudExpress e comparar com a aposta feita em Espanha. Quando em Madrid   mudei de comboio, tive a sensação de  estar a mudar de planeta, tal a diferença na qualidade do equipamento e do serviço prestado.
De uma coisa tenho a certeza. Muitas  estações ferroviárias são dignas de figurar nos roteiros turísticos, Como é o caso da estação de S. Bento, no Porto, classificada como uma das 10 mais belas estações de comboio do mundo.

2 comentários:

  1. Francisco de Sousa Rodriguesterça-feira, 07 agosto, 2018

    É o verdadeiro pouca—terra, mas a coisa já vem do tempo em que se abandonaram projetos de concretizar uma verdadeira rede ferroviária — décadas de 1930—40.
    De qualquer modo, aquilo que temos também tem sido muito mal tratado — basta ver o quadro evolutivo da Linha do Norte: eletrificada entre 1956 e 1966, mas sem qualquer modernização de traçado, mantendo—se os mesmos 120 km/h de velocidade máxima (em 1911 já se praticavam); quando se percebeu a borrada feita, toca de renovar a via, mas sem qualquer alteração do traçado, aumenta—se a velocidade para 140 km/h, em 1978, quando na Europa 160 já eram banais (nos anos 70, fazia—se Paris—Bordéus à media de 152 km/h); nos anos 90, quando se percebe a obsolescência das atualizações de vistas curtas, iniciam—se as obras de Santa Ingrácia, ainda por terminar e mantém-se a falta de visão, por exemplo com a não construção de variantes há muito discutidas como essenciais (p.e. Santarém) ou a multiplicação de vias em alguns pontos, nomeadamente mais a Norte.
    Resultado, 20 minutos de redução do tempo de viagem dos comboios mais rápidos face a 1980, mas com uma Marcha—Tipo de 80 km/h a mais (140 vs. 220).
    Aí para os lados do Carlos também há um verdadeiro ferro—velho ferroviário, que chegou a ser a linha mais moderna do país.

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  2. Já é a segunda vez que hoje comento que eu, neto de ferroviário, gosto imenso de andar de comboio em Portugal.

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