segunda-feira, 30 de julho de 2018

Robles e o Neto






Ricardo Robles devia ter-se demitido no final da conferência de imprensa em que apresentou a sua versão dos factos.
Teria saído com dignidade, não causaria embaraços ao BE e não proporcionaria o espectáculo miserável protagonizado pela direita, indignada com o comportamento do deputado e vereador. 
Obviamente que além de incoerente com o que ele e o seu partido defendem, a atitude de RR é condenável em si mesma. Acontece, porém, que RR não cometeu nenhuma ilegalidade.  Ao contrário de muitas figuras do PSD, do PS e do CDS que deveria estar presa se a justiça funcionasse neste país.
Arguidos em escândalos de milhões que envolvem verbas dos contribuintes, andam por aí a pavonear-se  políticos do Centrão  e do CDS que recusam demitir-se dos seus cargos alegando inocência e, na primeira oportunidade, voltam a candidatar-se a cargos de onde deveriam ter sido exonerados para toda a vida.
Como é que essa gente  que  usa todos os instrumentos   que a Lei  lhe proporciona para atrasar os processos, até  uma prescrição, ainda tem lata para condenar Ricardo Robles? - perguntarão alguns ingénuos
Porque com a benevolência e cumplicidade de alguma comunicação social que ajuda a branquear os seus actos e de uma justiça que só vê para um lado,  sabe estar sempre a salvo.
 Não me venham com a lenga lenga de que esta PGR é um exemplo de coragem, porque investiga os poderosos. Pois sim… já algum foi condenado? Não. E até assistimos ao espectáculo degradante de Manuel Pinho que se deu ao luxo de ir à AR gozar com os deputados e a justiça, numa manifestação de escroqueria sem precedentes, mas suficientemente cristalina para confirmar que o homem é um canalha da pior espécie.
 Diga-se, em abono da verdade, que há agentes da justiça que, pelo seu comportamento, parecem querer impedir a aplicação da  justiça.
Sem esquecer, obviamente, o comportamento do juiz Neto de Moura e  o constante silêncio do Conselho Superior de Magistratura, nos casos de comportamento indecoroso  de alguns magistrados que usam o seu estatuto para  torpedear a lei, porque além de as leis serem susceptíveis de interpretações muito subjectivas, sabem que o corporativismo reinante na classe será suficiente para os absolver de um crime.
Posto isto, quero dizer que me indigna muito mais gente como o juiz Neto de Moura, do que  deputados e vereadores como Ricardo Robles. Este, embora incoerente,  de certeza que não cometeu nenhum crime.
 Em tempo: Para quem não sabe ( ou já se esqueceu) do curriculum do juiz Neto de Moura, aqui fica um link

9 comentários:

  1. O Bloco meteu-se no saco que durante tantos anos criticou, Carlos.
    Se calhar o que o povo diz ("são todos iguais") tem algum fundamento.

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    1. Recuso-me a "alinhar" nessa teoria da "igualdade". Dá muito jeito aos populistas...

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    2. Eu também não vou nessa, Carlos.
      Até porque não são todos iguais.

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  2. Do juiz já disse o que podia dizer e até pus o Acórdão da Relação na minha página. O que Robles disse no seu artigo de opinião em 14.042017,no DN:

    https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/habitacao-uma-decada-perdida-pelo-ps-em-lisboa-6221031.html

    Os de direita todos sabemos que a maioria são ladrões (começaram logo de início porque eram os mais bem preparados, filhos do regime, que bem que lhe souberam os Fundos da CEE) e que a PGR manda arquivar tudo que são queixas contra a magistratura, mas que tem um coração dito do lado esquerdo devia dar o exemplo. Muito do meu dinheiro está foi investido em imóveis da SSocial, para serem alugados quase de borla a gente amiga (praça de Londres, Praça João do Rio, Alvalade, Alameda, para agora serem vendidos ao desbarato. Eu nem sei qual foi a proposta mais elevada no Leilão. Até está a correr um processo contra um director da SS que vendia informação sobre certos assuntos bem como certidões de dívida que dizia não existir. Até o genro do graveto beneficiou disso. É caso para dizer: "que atire a primeira pedra quem não tiver telhados de vidro".
    Também não me esqueço que foi o BE e o PCP que nos pôs nas mãos da tróica e do mictomatoso. podíamos ter seguido o exemplo de Espanha…

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    1. Obrigado pelo link , Anphy. Não tinha lido e foi -me muito útil.
      Quanto ao seu comentário, nada a acrescentar. Assino por baixo. Apenas um voto de esperança: que a esquerda não volte a cometer o erro de 2011.

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    2. Tenho o Diário da AR do dia em que foi vetado o PEC IV. É lancinante ouvir o discurso de Pedro Silva Pereira, é uma obra literária, e ouvir os dos outros, o que disseram os risos, as palmas, as pateadas. Acho que todos deviam ler. Depois o Catroga (o catedrático a zero por cento de horário) com a sua selfie, já que eles não queriam que restasse memória do que eles.
      fizeram, para poderem mentir à vontade.
      Espero sinceramente que não se repita, mas apesar de ainda não haver subprime, os homens ainda estão mais deshumanos e quem não manda hoje é escravizado.

      Eu escrevo sempre mictomatoso, mas sabe bem que é mixomatoso, Talvez seja por ver os médicos e tanta gente dizer "tóchico!

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    3. Não tardará muito até voltarmos a cair na mesma ratoeira, Anphy. Os tugas não aprendem. esperemos que BE e PCP não repoitam os mesmos erros,

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  3. Tudo muito estranho, confuso.
    Por onde andam as pessoas - leia-se políticos e juízes - sérias cá do nosso império?
    Um abraço

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    1. NE quem é o tipo sério que quer ir para a política, sujeitar-se a ver a sua vida devassada todos os dia, António?

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