terça-feira, 24 de julho de 2018

O fim do romantismo cubano



Também fui dos que acreditei na Revolução Cubana, me emocionei com o que vi em Cuba, acreditei em Fidel e na sinceridade e nos ideais de Che.
Mesmo depois da morte de Che,  de visitar a  RDA, a Roménia e a Bulgária, nos anos 70, a Polónia e a Hungria nos anos 80 e ter vivido na ex-Jugoslávia, mantive a convicção de que a revolução cubana venceria, porque nada tinha a ver com os regimes despóticos dos países de Leste onde as pessoas eram tristes e viviam oprimidas.
É certo que o comunismo do Leste Europeu, da ex-URSS, pouco tinha a ver com a proposta comunista de Fidel e Che , mas também não encontrei, em  nenhum daqueles países, o quadro caricatural que hoje se traça nos países "reabilitados para o capitalismo".
Os cubanos são alegres, comunicativos, Havana é uma cidade fantástica  que respira alegria de viver por todos os poros  e a afabilidade  na Cuba "rural" emociona qualquer viajante.
A Cuba que eu conheci nada tem a ver com o comunismo do Leste Europeu, retratado no  "Adeus Lenine".  Apesar de alguns exageros, o que eu vi  e vivi  nos países de Leste, foi muito próximo do que o filme retrata.
Percebia-se há muito que Raúl Castro iria preparar o caminho para o fim  da Utopia cubana. Foi por isso, sem grande surpresa, que  ontem ouvi o anúncio do fim da via comunista e o reconhecimento do casamento gay e a admissão da propriedade privada como essencial para o desenvolvimento da economia.
Espero, com curiosidade, a reacção de alguns comunistas portugueses que continuam a acreditar (ou apenas fingem acreditar?) na Utopia dos amanhãs que cantam.


5 comentários:

  1. Também acredito numa Cuba que o presente nos remete para o futuro.
    O resto são cantigas da rua, muito mal amanhadas por quem pretende resistir a uma, agora sim, revolução credível.
    Um abraço, Carlos.

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  2. Eu acredito nos amanhãs que cantam, mas também acredito que, antes desses amanhãs, outros virão que muito gritarão e chorarão.

    Não acredito em amanhãs dados de mão-beijada.

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  3. Pediu a reação (que palavrão, só o Carlos se lembraria de tal)... mas ia eu dizendo... aqui tem a minha, com link para a UNICEF

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  4. Cuba mudou e Obama ("Se uma fórmula tentada durante tantos anos não resulta tem que ser alterada") ajudou a essa mudança.

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