quarta-feira, 6 de junho de 2018

Portugal no Coração





45 por cento dos miúdos com menos de 14 anos não sabe localizar Portugal no mapa, com recurso à Rosa dos Ventos. Faz muita diferença? Talvez não, mas a avaliar pelo número de marinas existentes em Portugal, talvez não fosse má ideia ensiná-los a localizar o pais com recurso a esse "instrumento" de antanho. Além disso, para que servem disciplinas tão inúteis como História, Filosofia e Geografia? Só mesmo para chatear os putos e roubar-lhes tempo que pode ser muito mais útil no adestramento digital em jogos de computadores;
40 por cento não sabe ( ou não consegue) saltar à corda, nem dar uma cambalhota. Saltar à corda é apenas um entretenimento que não serve para nada,pois brincar na rua é perigoso e os putos hoje podem fazer isso nos jogos de computador.  Já quanto à cambalhota, seria melhor que não a menosprezassem, pois dar uma "cambalhota" é uma coisa de que eles vão certamente gostar quando forem mais velhinhos;
Uma elevada percentagem não consegue interpretar um texto, dá erros ortográficos e gramaticais de forma desmesurada e, em matéria de cálculo revela parecenças com um computador: Bloqueia.  Qual é o problema? Se os computadores e os telemóveis bloqueiam, por que razão os putos não podem bloquear? E para que lhes serve saber escrever sem erros gramaticais e ortográficos, se têm o Google sempre à mão?
Claro que não há razões para nos preocuparmos e os paizinhos estão totalmente ilibados de culpas nesta matéria.  Os professores é que são incapazes e o ensino em Portugal é deficiente.
Obviamente que a falta de acompanhamento dos pais e a (alegada ) falta de tempo para apoiar as criancinhas  nada tem a ver com o insucesso escolar. O sistema de ensino que atafulha  as criancinhas de conhecimentos inúteis é que está totalmente desfazado da realidade. Virtual, obviamente...
EM TEMPO: a maioria dos jornalistas não leu, ou não soube interpretar o relatório de aferição, caso contrário, não o teria deturpado  com afirmações do estilo " 72 % dos alunos do 5º ano não conseguiram identificar o rio Mondego"
É que faltou esclarecer os leitores que essa identificação era feita a partir de uma questão sobre o Tratado de Tordesilhas. Só que os jornalistas devem ter andado a copiar-se uns aos outros e basta um ter escrito um erro para os outros irem atrás.

30 comentários:

  1. Outros tempos, outras vontades, outra cultura.

    Os meus pais eram contra o inglês no terceiro ano do liceu, enquanto que eles tinham tido latim.

    Não quero cair na estupidez dos meus pais (a minha mãe menos) que a geração deles é que era a perfeita. Todas as gerações têm prós e contras.

    Os jovens são o nosso futuro e eu acredito nas suas capacidades, embora sejam diferentes das minhas.

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    1. Permita-me que lhe diga uma coisa com toda a amizade, Teresa:
      Acho tão estúpido as gerações mais velhas denegrirem as mais jovens, porque " no tempo deles é que era bom", como o inverso. Pensar que os jovens vão mudar o mundo só porque são jovens e têm novas ideias é admitir que não se andou a fazer nada neste mundo. Não penso assim. A evolução faz-se da simbiose entre gerações. Se a geração mais velha se demite de transmitir os seus valores aos mais jovens e se deixa assimilar pelos mais jovens assume-se como simplesmente procriadora e está a admitir que não deu qualquer contributo para o progresso . Não embarco nisso, Teresa.

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  2. É que o mal não nasceu agora e nem abrange apenas os alunos actuais:).

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    1. Pois não, Bea. O mal tem sido a degradação da noção de qualidade, como já aqui escrevi em tempos. Voltarei ao assunto em breve

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  3. Os estudantes (das escolas elementares) canadianos na província do Ontário também não tiveram grandes notas em Matemática no ano passado, de acordo com os resultados dos testes padronizados. Por isso, sugeriu-se que, depois de o público ser consultado, deveriam modernizar o currículo. Implementaram esta estratégia segundo a qual a Matemática seria lecionada diariamente durante uma hora, sem interrupções. Mais pessoal de apoio, etc. Uma estragédia que custaria $60 milhões.
    Todas as gerações pensam que são melhores (em termos de conhecimentos) do que a anterior. Os conhecimentos são diversificados. As áreas de interesse são diferentes. Os jovens estarão mais aptos a encontrar emprego onde são necessários grandes conhecimentos tecnológicos do que uma pessoa da geração anterior.
    Sim, a culpa da instrução deficiente recai totalmente nos professores!! Claro! Nem o Ministério da Educação e o seu caduco currículo é responsável nem os pais das crianças. Estes últimos têm mais que fazer. Também têm a sua vida. Afinal para que serve a escola? : )))
    Quanto ao pular à corda, eu era uma barra! Juro! Quando vejo este senhor (asiático e sem excesso de peso) no ginásio a pular à corda (mais de cem saltos; eu perguntei e ele confirmou) tenho vontade de fazer o mesmo. Mas ainda não peguei numa corda. Para meia dúzia de saltos, não vale a pena. : ))

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    1. Sem conflito de gerações o progresso torna-se mais difícil. O problema é que muitos pais se demitiram do seu papel impulsionador na transformação e modernidade e abdicaram de dar o seu contributo às gerações futuras ao optarem pela cedência ao mimetismo juvenil.
      Gilles Lipovetsky, um dos mais conceituados sociólogos contemporâneos explica muito bem esse fenómeno no livro "O Império do Efémero"

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    2. Concordo em parte. De uma maneira geral, os pais de hoje têm mais formação académica, estão, consequentemente, mais habilitados a ajudar os seus filhos nos trabalhos de casa e mais interessados em participar na vida escolar das crianças. Há aqueles que, por uma questão de língua, recorrem a explicadores que algumas organizações comunitárias oferecem nalgumas escolas.
      Os alunos de descendência asiática são excelentes alunos. Dedicados e trabalhadores. Filipinos, vietnamitas, chineses... Uma questão de cultura...
      Depois há outras etnias que continuam a pensar que sim, a educação é importante, mas se, quando acabarem a secundária, podem ir trabalhar e ganhar bom dinheiro... na construção, por exemplo, porque não?...
      O sistema de bibliotecas de Toronto tem apenas um exemplar desse livro que só pode ser consultado na biblioteca. Gostaria de o ler.

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    3. Não sei porque a Catarina só lê livros na Biblioteca ou em e-paper, que só dá cabo da vista. Eu dá-me muito prazer pegar no livro. Este está à venda nas livrarias. Na Wook, que vende na net, só custa 17.90 € e mandam pelo correio e ainda tem 105 em cartão.

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    4. Estou tão habituada já a ler livros no formato ebook ou ouvi-los em eaudiobook – áudio - que só os trago da biblioteca em papel se ainda não têm no formato eletrónico. É muito mais prático. Se não há lista de espera, tenho-os no meu tablet/telemóvel em dois segundos. Por acaso levantei, em papel, o “Segredo de Paris”, “Flavia de Luce e o Mistério da Torta” do canadiano Alan Bradley que é um espanto (aconselho a leitura do mesmo) e o último de Donna Leon.
      Acredita que o último livro que comprei foi em 2016? “Sapiens: Uma breve história da humanidade”. Só compro livros que quero possuir. Os outros, uma vez lidos, ficam lidos. Da última vez que contei os livros lidos naquele ano, totalizaram 76. Ora deste então, leio ainda mais. A conveniência dos livros áudio é que se podem ouvir no carro ou em casa. É tudo uma questão de hábito. Também há a considerar que sou membro de duas redes de bibliotecas, em duas cidades, sendo a de Toronto uma rede fabulosa.

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    5. Não consigo ler e-books, Catarina. Além de me provocarem distúrbios visuais, não dispenso o prazer de os folhear numa esplanada, num banco de jardim, ou no meu terraço em frente ao mar.

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    6. O prazer de ler um livro em papel e manuseá-lo não tem igual. Voltar atrás, dar-lhe novas interpretações, tirar dúvida, até fazer anotações nas margens de alguns é um prazer, mas nunca fui capaz de dobrar a ponta dum página. Uma vez emprestei "O triunfo dos Porcos" a uma amiga, que por qualquer motivo devia quer discutir com alguém, que era uma edição em capa dura e com sobrecapa. Esta veio toda rasgada e colada com adesivo medicinal castanho.
      Quantas vezes eu volto ao mesmo livro, e quantos ainda estão no invólucro original porque ainda não os consegui ler. ouvir um audiobook, enquanto se conduz dá-me a sensação que estou a ouvir um rádio qualquer. entra por um ouvido e sai por outro nem dá para imaginar o que se ouve.
      falando de rádios, devo dizer ao Carlos que nunca mais deixei de ouvir a Smooth.FM. está sempre sintonizado no 96.60 do no rádio do carro.

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    7. Parece que em termos literários e radiofónicos temos os mesmos hábitos e os mesmos gostos, Anphy.

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    8. Anfitrite, diga-me: já alguma vez “leste” um livro em áudio? É que quem lê o livro, o narrador, não é um narrador qualquer; normalmente é um ator ou atriz, de palco e/ou cinema; são, habitualmente, muito bons, têm uma voz bonita e dramatizam a narração, dando uma outra dimensão a alguns livros. Eu já tenho escolhido livros áudio pela voz de um narrador que já ouvi e que gostei imenso. Também aconteceu uma vez, pôr o áudio de lado porque não gostei da voz da narradora. Incomodava-me. Substití o áudio por um ebook.
      Acho piada – sem ironia, sem crítica – o facto de que o manuseamento de um livro é importante para muitos leitores e leitoras, o folhear das páginas, o cheiro dos livros novos ou velhos... a textura e por aí além.
      Não posso deixar de pensar que é quase a mesma que coisa que ir ainda a uma agência de viagens para comprar um bilhete para ir à Flórida em vez de o fazer online. : )) Quase a mesma coisa... : ))

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    9. Catarina, admito perfeitamente que possa ser uma opção. mas de teatro radiofónico eu só gostei dos parodiantes de Lisboa. É uma evolução nos tempos modernos quando não há tempo para mais nada. Mas eu continuo a preferir a minha produção teatral. A mim sempre me valeu a minha memória visual. eu conseguia decorar onde estava determinado assunto num livro de estudo. Já a memória auditiva não me favorece muito, por isso nem ligava aos professores. No entanto o tom com que me dizem qualquer coisa tem muita importância, mas a visual é impressionante. Talvez não acredito mas muitas vezes tenho a televisão ligada, sem som, só para ver as expressões das pessoas e ver se elas representam bem ou mal, ou se estão a falar verdade. Manias! Mas uma coisa eu posso garantir-lhe: Nunca compraria um bilhete para a Florida (sei que foi um exemplo). Se fosse para Vancouver até ia a pé. Também adoraria ver Toronto na Primavera, quando tiram as protecções das plantas e árvores e elas florescem no seu esplendor. As folhas multicolores do Ácer, vistas do avião atapetando o chão, no Outono, são uma maravilha.
      Também compro muita coisa na net, principalmente porque fico triste quando vou a certos lugares públicos e venho desanimada com o que vejo. Boa noite!

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  4. Carlos e sobre a sua consulta ao coração não diz nada?
    Quanto a saber o que sei só tive a ajuda da minha professora primária que tratou de me abrir os caminhos.
    Quanto ao movimentar-me fartei-me de levar traulitada por nunca estar quieta. Se hoje fosse criança estaria a ser drogada com as crianças irrequietas. mas devo confessar uma coisa: apesar de ter feito alguma ginástica no Secundário ter aprendido a andar na trave, a jogar basquete, saltar o trampolim, etc, nunca fui capaz de dar um cambalhota como deve ser. caía sempre mais para um lado. Suponho que seria por ter um hemisfério mais desenvolvido do que outro, mas hoje, por vontade própria sou quase ambidestra. tento prevenir-me para qualquer eventualidade. A cambalhota, também só a aprendi a fazer quando fui para o JCP também já adulta e quando me ensinaram a fazer o "Zempo Ukemi" sem partir os pulsos. Garanto-vos que de tão contente que fiquei, passei a dar cambalhotas na praia quando já não tinha idade para isso...

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    1. Que me lembre, nunca tentei dar uma cambalhota. Era uma medricas. Nem subir cordas. Nada de alturas! : )) Adorava (e ainda gosto) de jogar pingue-pongue e nos meus vinte anos comecei a jogar ténis. Considerados bons exercícios físicos. : ))

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    2. Felizmente parece que não passou de um susto, Anphy. Obrigado pelo seu interesse. esteja atenta, porque um dia destes vou contar a minha briga com a funcionária do consultório e o comportamento do médico. Quanto a cambalhotas, também tinha tendência para cair para a esquerda.

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    3. Também adoro pingue-pongue. Até no meu emprego lutei e tivemos uma mesa ao fundo da sala do refeitório, que tinha também uns sofás. E quando disse basquete, queria dizer "volley". Lançar a bola de início era um prazer. sabe que Há pouco, andando à procura do Puk do meu telemóvel que ficou bloqueado, porque andava na algibeira desligado e sem querer carreio possivelmente em teclas, mas não encontrei o que queria porque este Pc é relativamente novo e tem muita coisa misturada. Mas encontrei o comentário, que fiz e que guardei, quando o Carlos, colocou no "On the Rocks" o postal "Au revoir". Porra! Acho que nunca mais consegui ouvir essa canção. Hoje também foi o funeral duma antiga colega e amiga, ainda jovem, que desde muita nova ficou com Alzheimer e ainda teve de lhe aparecer um cancro na garganta. Foi reduzida a cinzas em Alcabideche, mas eu não consegui ir. Os meus olhos estão como os do dia.
      Aguardo o relato da discussão. Já tive muitas. mas a mais engraçada foi quando fui ao professor Mário Andrea, em que a empregada me perguntou, porque é que lá ia, quem é que me tinha recomendado, se conhecia alguém, ou alguém da família que lá tivesse sido tratado, eu fui dizendo sempre que não, mas com a sala cheia perguntei-lhe: Se quiser eu posso lhe dizer que conheço muita gente importante. depois na consulta apesar da pressa e da simpatia vinguei-me (já tinha feito o cadastro com o ajudante), falei-lhe que tinha a gravação do programa "Carlos CRuz quarta-feira" onde ele tinha ido, do outro como Malato mais o prf JMV. Perguntei-lhe pela irmã que sabia que estava muito em baixo, porque ela sempre teve Lupus e era presidente dessa Associação. Ele até me disse que ela despachava o expediente em casa, e já no corredor ainda falámos do programa "O Amor é". Tudo isto para ele me receitar um spray que nem era comparticipado...

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  5. Rigor no ensino, Carlos.
    Fala-se muito, em toda a parte, faz-se muito pouco.

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    1. assino por baixo, Pedro. E também apoio o repto que a Catarina lhe lançou

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  6. Pedro, não nos quer falar (sei que o Carlos não se vai importar, mesmo que ele esteja dentro do assunto), em poucos parágrafos, sobre o ensino em Macau e o desempenho dos alunos, de uma maneira geral?

    A maioria dos estudantes internacionais (aqui) sao chineses. Uns barras!

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    1. Posso apoiar o pedido que fez ao Pedro? É que apesar de ter acompanhado profundamente o ensino em Macau durante alguns anos, estou completamente desfasado e gostava de saber notícias

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    1. Catarina,
      Falar do ensino em Macau é falar de uma manta de retalhos.
      As escolas chinesas levam o rigor a extremos.
      E funcionam na base do muito trabalho e muita memorização.
      Exagerados, na esmagadora maioria dos casos.

      As chamadas escolas internacionais (de base canadiana, singapuriana, inglesa, americana), dão mais espaço à imaginação, à criatividade.
      Sem descurar o rigor.
      em tudo.
      Até nas fardas e nas normas para serem utilizadas.
      As minhas filhas frequentam (Mariana) ou frequentaram (Catarina) estas escolas.
      Uma das minhas sobrinhas também.
      Propinas MUITO caras mas que dão grandes perspectivas de futuro aos garotos.

      E depois à Escola Portuguesa que segue o modelo de Portugal.
      Mas com grande sucesso porque também com algum rigor no ensino e nas normas que têm que ser cumpridas.

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    2. Obrigado pelo esclarecimento, Pedro. Pelas suas palavras. parece-me que o ensino nas escolas chinesas não mudou muito.
      Congratulo-me também por saber que a escola portuguesa continua a manter a qualidade que sempre a caracterizou. Ao menos deixamos aí alguma coisa com qualidade.

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  8. Realmente, tanta preocupação nem sei para quê, hahha.(são mimados demasiado) hahaha!
    =)

    Encontrar respostas que o coração precisa.

    Bjinhos

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  9. Só podem existir bons alunos com bons professores.
    Para que a receita resulte em pleno, junte-se a necessidade da existência de pais (bons) educadores.

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    1. Assino por baixo, António e, se me permite, acrescento apenas que professores de Excelência há muitos, mas o mesmo não se pode dizer dos pais que, em número muito elevado se demitiram do seu papel de educadores.

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