terça-feira, 15 de maio de 2018

Saias para cima, calças para baixo!



Nos idos de 60, quando a cidade do Porto ainda era uma pasmaceira de onde me apetecia fugir todos os dias, um professor de Filosofia do Liceu Alexandre Herculano  ficou célebre, por ter proferido esta frase numa aula do 6º ano do liceu ( hoje 10º ano de escolaridade)
Nessa época, pelo menos em Lisboa e Porto,  só a  partir do 6º ano ( e apenas em alguns liceus) havia turmas mistas. Neste caso concreto, a aula decorria numa sala em anfiteatro e ao proferir a frase “Saias para cima, calças para baixo!” o professor Filinto não estaria a pensar nas cenas do vídeo acima. Apenas estava a usar alguma malícia para dizer que não consentia “misturas” e as raparigas deviam  sentar-se nas últimas filas ( onde ele provavelmente poderia ver melhor as pernas a algumas miúdas mais descuidadas) e os rapazes nas primeiras.
Felizmente para ele, naquela época ainda não havia redes sociais, a indignação  não se propagava à velocidade de um anónimo traque e os jornais tinham notícias mais importantes para dar. Não foi por isso condenado  em praça pública por obscenidade ou conduta imoral.
Lembrei-me disto, quando li um artigo na “Visão” sobre a  “ Fraternidade de S. Pio X” ,uma igreja dirigida pelo padre francês Samuel Bon que entrou em conflito com o Papa Francisco.
Chamaram-me particularmente a atenção estas duas frases extraídas de um sermão transcrito no boletim da Fraternidade
“Quando vemos uma mulher de calças deveríamos pensar não tanto nela, mas em toda a humanidade, de como será quando todas as mulheres se masculinizarem. Ninguém ganhará com uma futura época de imprecisão ambiguidade, imperfeição e, numa palavra, monstruosidades”
E ainda
“ O que estas mulheres serão capazes de dar às suas crianças, tendo usado calças durante tanto tempo e com a auto estima determinada mais pela competição com os homens do que pelo seu papel como mulheres?”
(Os sublinhados são meus. O autor destas palavras é o cardeal Siri)
Não me espanta que haja a pessoas que ainda pensem assim. Custa-me é  aceitar que esta mentalidade se esteja a disseminar, ao ponto de esta Igreja já ter cinco locais de culto. Dois em Lisboa, um no Porto, outro em Fátima e ainda um no Funchal.
E não pensem que  os fiéis desta Igreja são apenas velhinhos esclerosados ou saudosistas de um certo passado… Há muitos jovens de 15, 16 e 17 anos atraídos por esta  nova Igreja.
Talvez escreva sobre isso noutro dia.

24 comentários:

  1. Sim, há muitos jovens interessados pela Igreja. Há que haver sangue novo! =)

    Bjinho

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  2. Os jovens sempre à procura de um novo “thrill”...
    Não me aceitariam nessa igreja provavelmente pois uso calças durante a maior parte do ano. Ou talvez me dessem “um desconto” por viver num país muito frio e com longos invernos.

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    1. Uma Igreja a dar descontos, Catarina? Só se for em Marte...

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  3. Só para "meter ferros" - está provado que usar calças provoca, ou pode provocar problemas na área genital feminina.

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    1. Os problemas poderão surgir se as calças forem muito apertadas, tipo skinny jeans, e as mulheres as usarem todos os dias durante horas e horas. Nunca ouvi ninguém queixar-se.

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    2. Eu também nunca ouvi, só li....

      https://melhorcomsaude.com.br/9-perigos-de-usar-roupas-muito-apertadas/

      https://gizmodo.com/5912709/skinny-jeans-are-damaging-your-health

      mas na verdade falam de calças apertadas e é um problema que também pode afectar os homens.

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    3. Há calças e calças, Chakra. Creio que a Catarina já disse tudo...

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  4. Desde que chegou a Primavera, estou absolutamente de acordo com a igreja, ou mais precisamente, visto mini-saias.
    Não tenho idade para usar mini-saia? Talvez!
    Mas tenho pernas para isso.
    Claro que no Inverno alemão só obrigada a usar calças.

    Achei muita graça à expressão "saias para cima, calças para baixo" que pode ter várias interpretações.

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    1. Li em tempos que as mulheres nas últimas décadas têm-se sentido mais confiantes, mais seguros do seu corpo e que por isso começaram a usar as minis até aos 40.
      Quando Elle Macpherson usou uma mini saia ou vestido já quase com 50 anos, os críticos não a pouparam chamando a atenção para os seus joelhos enrugados. E Elle tem um corpo que muitas mulheres de 30 e 40 anos gostariam de ter.
      Quando se fala em mini saia lembro-me desta senhora, portuguesa, hospedeira de terra, que começou a usar mini saias já com uma idade avançada (hoje tem talvez uns 80 anos) porque dizia ela que quando era jovem a mini saia não se usava e que gostava de saias e vestidos curtos. Uma senhora muito elegante e com muito gosto para se vestir. Depois, passado algum tempo (não me lembro quanto tempo), chegou à conclusão que de facto já não tinha idade para minis e não queria cair no ridículo.

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  5. Como já não há tecidos naturais, como o algodão a seda, etc. usar calças não é muito aconselhado. As calças são cómodas em muitas ocasiões. No meu tempo, nas turmas mistas, era ao contrário: os rapazes para trás e as raparigas para a frente. Acho que é mais fácil ver as pernas das meninas quando estão à frente. Tive uma excepção em que a professora se sentava de pernas cruzadas fora da secretária e eram os alunos que iam para a frente, porque a fama já vinha de trás. Mas também tive um episódio muito engraçado: No escaldante Verão algarvio havia uma professora que não nos deixava ir sem meias. Revoltadas como estávamos, e como na altura estavam na moda as soquetes coloridas, das mais diversas cores, resolvemos, entre todas, lavar cada uma as ditas soquetes. foi uma coisa bem engraçada ver aquelas frangas, já crescidas, a patinhar pelo corredor fora. Sei que não houve castigo, mas já não me lembro como terminou a história. hoje não sei porque fico mais incomodada quando vejo pessoas, nos supermercados com roupas completamente transparentes e acho que desapropriadas. Ainda a semana passada estava um casal em que quase me apeteceu puxar a roupa para baixo ou para cima. Ela tinha apenas um cai-cai reduzidíssimo na parte de cima e uns mini-calções na parte de baixa. não tinha mais nada. Ele com uma camisola que tinha só alças até à cintura. Ainda parei com o carro perto deles e fiquei a olhar ostensivamente pensando na maneira da senhora sem roupa, mas depois passou-me a veneta.

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    1. Quem não gosta de usar calças não deve visitar o Canadá entre Novembro e Abril. : )
      A maioria das mulheres (exceptuando as islâmicas) usam calças todos os dias mesmo para o trabalho. Confirma-se no meu local de trabalho, nos centros comerciais, na rua. Experimente ver na net. As leggings e as calças de ioga são as preferidas como calças práticas. Ou as skinny jeans. Estas últimas talvez possam causar o tal problema que acima foi mencionado. Mas isso não impede que não continuem na moda. Nenhum jovem usa jeans largas. : )
      É evidente que este tipo de calças – leggings e jeans apertadas – não ficam bem a toda a gente. São demasiado reveladoras mas as jovens não querem saber!!

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    2. Anphy, deixe andar as pessoas como gostam. Por vezes o que se torna quase escândalo é a falta de gosto e de adaptação ao corpo, vestindo o que só o prejudica, esteticamente falando. Mas, ainda assim, quem sabe se sentem felizes por usar o que nunca puderam antes...quem sabe se cumprem um desafio antigo...

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    3. "São demasiado reveladoras mas as jovens não querem saber". É uma verdade inatacável, mas custa-me um bocado a compreender esse comportamento De qualquer modo, ainda me custa mais aceitar algumas mulheres de provecta idade usarem leggings, ou com vestuário revelador de formas que já não são propriamente agradáveis à vista...

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  6. Estamos a distraí-lo, Carlos, falando de calças e de mini-saias?! : ))

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    1. Bem pelo contrário, Catarina. A conversa até está muito interessante ( ontem à tarde não a pude seguir porque estive retido na FC a fazer exames médicos) . De qualquer modo, gostaria que a conversa também se tivesse debruçado sobre a visão reacionária desta Igreja em relação às mulheres. Vou voltar ao assunto mas, por agora, apenas gostaria de dizer que a história de as calças demasiado apertadas fazerem mal à saúde é conhecida há muitos anos mas, curiosamente, ando no paredão de manhã e vejo ( para meu regalo visual) as jovens e menos jovens com calças de licra e outros tecidos similares bastante apertadas e realçando cada vez maia as suas formas. O que- repito- na maioria dos casos é um regalo para a vista!

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    2. São ideologias tão retrógradas, tão absurdas que se subentende o nosso profundo desagrado for lack of a better word.. :) fundamentalismos com objetivos lucrativos, será?

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    3. Desde a minha adolescência que sei que a igreja é reacionária, por isso, não perco tempo com esse tema. E também não gosto do Papa Francisco, que os portugueses tanto adoram.

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    4. Gostos não se discutem...mas, se mal pergunte, o que a move para desgostar assim de pessoa tão afável e em quem se nota um desejo de mudança e actualização que é simultâneo ao que entendo como a recuperação do verdadeiro Cristo, doutrina do amor universal?

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    5. Gostos não se discutem mesmo, mas eu que não sou católico nem sequer religioso, gosto particularmente da capacidade que um septuagenário tem em resgatar das trevas certos hábitos e dogmas que além de contra-natura fazem parte do ideário da Idade Média.

      Na verdade pequenos gestos, quase despercebidos, mas que geram um movimento em direcção á mudança.

      Um Ser de Luz, amoroso, coração extraordinário e uma esperança para o a Humanidade.

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    6. Teresa:
      Gostaria de lhe fazer a mesma pergunta que a Bea. O que tem contra o Papa Francisco? Será por ele ter uma visão do mundo com afectividade e desprovida de egoísmo e do sentimento de posse que caracteriza as igrejas? Ou será por ele ser autêntico? Não são só os portugueses que gostam do Papa Francisco. Em todo o mundo há gente que tem apreço por ele e se aproximou da Igreja por causa da sua atitude e visão do mundo e o papel da religião. Quem não me conhecer até vai pensar que sou católico, mas é precisamente o contrário. Há um certo tipo de católicos que não gosta dele. Como os da Igreja de que se fala neste post.

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  7. E é por causa de mentalidades dessas que muita gente se afasta da Igreja.

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    1. Esse era precisamente o meu ponto quando escrevi este post, Pedro...

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  8. Em tempos conturbados os extremismos abundam e a igreja católica tem na sua história recente crimes como a pedofilia e outros. Portanto, estas igrejas de índole fascista têm fiéis. Só não entendo os jovens que as seguem. Mas há muita cegueira sem explicação.

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    1. Pois é Bea. O que mais me impressionou foi mesmo o facto de muitos jovens se terem tornado fervorosos adeptos desta Igreja. Tenho pensado muito sobre o assunto e quero acreditar que as conclusões a que cheguei estão erradas.

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