terça-feira, 8 de maio de 2018

O populismo de Marcelo Rebelo de Sousa

No discurso do 25 de Abril, Marcelo Rebelo de Sousa alertou - e bem- para os riscos dos populismos.
Não me parece  no entanto, muito  curial, que uma semana depois MRS dê uma entrevista em que o populismo está sempre presente.
Seria mais prudente o PR  abster-se de dizer  que provocará eleições antecipadas se o OE 2019 não for aprovado, mas pareceram-me mais graves e lamentáveis as declarações de MRS  sobre a Justiça.
É certo que a Justiça é exasperantemente lenta e paira no ar uma sensação de impunidade que beneficia os poderosos ( Ainda gostava de perceber o arquivamento dos processos de Oliveira e Costa e Dias Loureiro no caso BPN), mas um  PR não pode, em circunstância alguma, sugerir que quando a justiça é lenta e não funciona, deve ser a política a decidir. 
Igualmente reprovável e populista é a velada ameaça, no caso de se repetirem os incêndios. MRS sabe que ninguém pode garantir que não se repita o caos de 2017. Mais... sabe tão bem como eu que o mais provável é que , mesmo sem mortes, se repita o cenário dantesco do último Verão.
MRS considerou ser este o momento ideal para manifestar o seu desagrado com a geringonça e a sua preferência por outra solução política, mas não precisava de recorrer ao argumentário populista.
Quem não quer ser populista, não lhe veste a pele...

4 comentários:

  1. Leia as declarações de António Costa, Carlos.
    Eles falam cara a cara, não é por recados.

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  2. Tal como o Pedro diz, "eles falam cara a cara, não é por recados".
    O que não retira a Marcelo, neste contexto, um milímetro de populismo e uma outra coisa que não fica bem dizer aqui.

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