segunda-feira, 14 de maio de 2018

É obrigatório proibir (4)

Não sendo seguro que as radiações emitidas por antenas de telemóveis não sejam prejudiciais à saúde (existem estudos contraditórios sobre o assunto), é inegável que o uso de telemóveis se transformou numa praga. Eu não percebo qual foi a necessidade de criar condições para a utilização do telemóvel no metropolitano , mas sei já não é a primeira vez que de regresso a casa, fico a saber o que vai jantar a senhora que está sentada no lado oposto da carruagem ( posso não a ver... mas ouvi-la ouço concerteza), assisto a reprimendas de mães extremosas a filhas tresmalhadas, discussões entre casais, trocas de promessas de amor entre namorados. Não direi que a coisa mais desagradável do mundo é ser obrigado a ouvir pessoas aos gritos dentro do metro, na tentativa de se fazerem ouvir do outro lado, apenas porque há ainda algo que considero pior. Ou haverá coisa mais desagradável, do que estar a comer uma boa refeição, em agradável companhia, e na altura em que diz à companheira de circunstância "os seus olhos fazem-me lembrar as águas do Atlântico ao pé da Quinta da Marinha", ser interrompido pelo toque do telemóvel dela, deixando-lhe suspensa entre os lábios o resto da frase "... e se fossemos tomar um whiskey até lá casa?".
A inspiração vai-se num ápice e a consequência imediata é querermos puxar de um cigarro mas, infelizmente,escolhemos um restaurante para não fumadores...
Meus amigos, lá diz o ditado que "amor com amor se paga" por isso, se estou proibido de fumar em locais públicos, para não incomodar o próximo, exijo que os telemóveis também sejam proibidos nesses mesmos locais, para me evitarem incómodos e não estragarem a perspectiva de uma bela noite!

8 comentários:

  1. Eles tocam em todo o lado. No restaurante a meio da sobremesa, no meio de uma aula, a meio da homilia na igreja, numa visita guiada num museu, tudo porque as pessoas não tem a educação necessária, para desligarem os brinquedos quando entram nesses locais.

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  2. No Japão é considerado um acto rude atender o telemóvel ou fazer chamadas nos transportes públicos, e eles fazem os prevaricadores (sejam nacionais ou estrangeiros) saber disso...
    Digamos então que é uma questão de cultura e educação!

    :)

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  3. Concordo plenamente com o teor do texto.
    Os telemóveis vieram "roubar" o diálogo entre as pessoas"
    =)

    Bjinhos

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  4. Concordo com o comentário acima . É uma questão de cultura e educação. Mas, pelo sim, pelo não, é melhor fazer lembrar as pessoas que devem desligar os telemóveis, tal como quando estamos no cinema, em reuniões...
    Na semana passada, quando tive um problema num pneu, e estava na sala de espera até que me instalassem dois pneus novos (tal foi o problema no dito pneu!!), entrou um senhor indiano. Éramos só os dois. Eu estava a ler no meu tablet. Passado algum tempo, o senhor decidiu ouvir música indiana no telemóvel. Só que como ele não tinha auriculares, fui obrigada a ouvir a mesma música . Não tenho nada contra as melodias indianas, só que não estava interessada em ouvi-la naquele momento.
    Pelo que tenho observado, são as pessoas mais velhas que têm estes maus hábitos. Os jovens não nos incomodam. Não saem sem os seus auriculares.

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    1. Incomodam e não é pouco. Experimente fazer uma viagem de metro a ouvir Kizomba ou Hip-hop cheio de linguagem pouco edificante e depois diga-me se não incomoda...

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    2. Vivemos em duas sociedades diferentes, Filhos do Desespero. A minha opinião é baseada na minha experiência, tal como a sua. Nas poucas vezes que me desloco de metro (ou noutro tipo de transportes públicos), não se ouve essa “barulheira”. Nem tão pouco pessoas a conversar alto. De uma maneira geral, claro. Quanto aos jovens, vejo-os sempre com auriculares onde quer que se encontrem, desde que não estejam em grupo a conversar. Eles preferem comunicar entre si por texting. : ) Isto não quer dizer que não tenha ouvido conversas ao telemóvel que não me interessam absolutamente nada. : )
      Temos o hábito de respeitar o espaço das outras pessoas. Mas não há bela sem senão.

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    3. Mais uma razão para admirar os japoneses.
      Que contaminaram, no bom sentido, Hong Kong - não falam ao telefone nos transportes públicos, só mandam e recebem mensagens.
      Respeito, educação, civismo.

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  5. Já lá vai o tempo em que se fazia tudo às escondidas e muitas vezes nem ao ouvido se conseguia chegar. mas falando de países desenvolvidos lembrei-me dum documentário, onde um cientista dizia que as próximas gerações serão uma geração de surdos. Tudo isto porque hoje todos os jovens, bem educados, andam com os ouvidos tapados com auriculares e nem sabem o que se passa à sua volta. Até passaram uma imagem onde um rapaz está junto de uma coluna (numa discoteca) que debitava não sei quantos decibéis e lhe perguntaram se ele não tinha medo de ficar surdo. Vai daí o piqueno disse que quando ele ficar surdo já a ciência resolveu a maneira de o tratar. Talvez lhe ponham uns ouvidos dum robot.
    Já agora também um esclarecimento a quem tiver o azar de lhe rebentar um pneu. Os pneus só se podem substituir aos pares, porque Têm de ter o mesmo pavimento e desgaste para evitar problemas nas travagens...por isso convém andar abonado porque nem em todo lugar há multibancos ou aceitam cartões de crédito. Podem chamar-me mal governada mas ando sempre com uma certa maquia, porque há médicos e outros sítios, onde não aceitam multibanco. No outro dia depois de sair duma consulta privada, onde paguei em numerário (digamos notas), à saída resolvi entrar numa espécie de drogaria (adoro bricolagem), além de comprar uma torneira sofisticada, um comando sobressalente e mais outras coisas, quando ia a pagar, tinha de ser também em cash (não vi o aviso na pota). Como não gosto que me mandei a lado nenhum e porque as coisas não podiam ser devolvidas, porque as embalagens já tinham sido abertas, para ver como funcionavam e outra para ser programada, lá tive de procurar nas minhas carteiras recônditas as notas suficientes para pagar a compra. Sempre ouvi dizer: "mulher prevenida vale por duas".

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