domingo, 22 de abril de 2018

Rua dos Cafés (1)




Em quase todas as cidades e vilas portuguesas existiu um Café que se tornou ex-libris da resistência ao Estado Novo, local de tertúlia vigiado pelos pressurosos agentes da PIDE, estabelecimentos que serviram de mote para a magnífica trilogia de Álvaro Guerra ( Café Central, Café República e Café 25 de Abril).
Pertenço a uma geração que convivia, tertuliava, conspirava e estudava em cafés. O Velásquez ou o Piolho no Porto, o Monte Carlo ou o Gelo em Lisboa, são apenas alguns dos cafés cujas cadeiras contribuíram para puir as minhas calças e arejar a minha mente.
Quando visito qualquer lugar procuro descobrir cafés ligados à História desses locais. Hoje, em Portugal, são poucos os cafés simbólicos. A maioria deles  desapareceu ou  foi recuperado e virou local de roteiro turístico, como o Majestic e o Guarany no Porto, a Brasileira em Lisboa, o El Greco em Roma ou o Tortoni em Buenos Aires. No entanto, qualquer um deles faz parte da minha história de vida. Foi sentado nas mesas do Majestic que convivi com jovens da minha idade que anos mais tarde se tornariam figuras proeminentes da vida portuense e nacional. Foi no Monte Carlo a ouvir as conversas dos mais velhos, como o Carlos Oliveira, ou o Zé Cardoso Pires, que me fui moldando. Foi nas mesas do Tortoni, da Confiteria Ideal  e do Café de La Paix que aprendi a amar a América do Sul e especialmente a Argentina.
A maioria dos leitores  guardará na memória, pelo menos um café do tempo da sua juventude. 
Foi partindo desse pressuposto que há anos, depois de escrever alguns posts sobre " Os cafés da minha vida" desafiei os leitores a partilharem histórias vividas em cafés que fizeram parte das suas vidas.
Assim nasceu, no  meu blog  "crónicas on the rocks," a rubrica "A Rua dos Cafés" que hoje é reaberta ao público. Com os cafés  de então e com aqueles que outros leitores, entretanto aqui chegados, queiram partilhar connosco. Nos próximos domingos, a Rua dos Cafés é vossa.
Sejam bem vindos

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14 comentários:

  1. Voltei à minha adolescência ao ler esta crónica, Carlos.
    Vendia a minha alma ao diabo para voltar aos tempos que frequentava o PIOLHO com os meus amigos e o Magestic com os meus pais.

    Beijos saudosas da amiga de sempre.

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    1. Maldita tablet

      MAJESTIC

      saudosos

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    2. se vendesse a alma ao Diabo para voltar a esses tempos, talvez não fosse tão feliz, Teresa. A água não passa duas vezes debaixo da ponte...

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  2. Nunca fui muito de frequentar cafés, mas passei bons tempos no Monte Carlo (subjugado á tirania das grandes marcas), no Café Império e na Mexicana, isto tudo nos idos de 70/80, por ser na zona onde morei e estudei na adolescência.

    Muitas histórias, namoricos, discussões sobre tudo e sobre nada, mas era um tempo em que pelo menos conversava-se sem ter um aparelhómetro espetado na nossa cara.

    Tinha era de levar com o fumo dos cigarros, mas foram bons tempos.

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    1. Também frequentei os mesmos, mas em tempos bastante mais recuados, Chakra.

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  3. Vou ler as histórias de outrém, não guardo memórias de café.

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  4. Aos cafés mais badalados
    é forçoso lembrar os dos bairros

    e este meu (que era de muitos)

    https://conversavinagrada.blogspot.pt/2010/05/jornalistas-entre-o-cacete.html

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    1. Gostei muito da sua história, Rogério. E sim, os cafés de bairro também fazem parte do meu historial e não deixarão de ser aqui lembrados.

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  5. Gostei muito deste post!
    Onde era/é o Monte Carlo?
    Nunca vivi nas grandes cidades mas também tenho recordações de Cafés, penso pouco nas tertúlias mas lembro das delicias :)))
    As bolas de Berlim, da Mexicana, o Bolo Rei da Garret e muitos mais...
    bjs

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    1. O Monte Carlo era onde fica actualmente a Zara, salvo erro, na Fontes Pereira de Melo.

      Havia outro Monte Carlo, junto ao Jardim da Estrela que era também um salão de jogos, onde se jogava flippers, matraquilhos, snooker, ping-pong, e até xadrez e damas (grandes campeonatos).

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    2. Infelizmente o Monte Carlo, na Fontes Pereira de Melo, virou Zara, como lembra o Chakra. O bolo rei da Garrett ainda hoje se recomenda, mas fora da época natalícia, Papoila. Beijinhos

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  6. Vou reavivar memórias com esta rubrica.
    Aquele abraço, boa semana

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