terça-feira, 3 de abril de 2018

Os Remorsos do Homem Branco (Parte II)




Jeremy  Corbyn,  lider do Partido Trabalhista inglês, está a ser acusado de antissemitismo por ter  (re)publicado no FB uma mensagem que escrevera em 2012, criticando o Mayor de Londres por ter mandado limpar o graffiti que se vê na imagem ( um grupo de patrões judeus joga Monopólio nas costas dos trabalhadores).
Não me devia espantar com estas críticas, mas penso que é chegada a altura de reflectirmos sobre alguns melindres sem cabimento.
Se um partido de esquerda  se lembrar de fazer um outdoor semelhante, em que os patrões  judeus sejam  substituídos por patrões cristãos romanos,  branquinhos e assépticos, poderá haver quem acuse esse partido de demagogia ou mau gosto, mas não mais do que isso.
Vivemos numa sociedade cada vez mais asséptica e políticamente correcta, onde não se pode criticar um judeu ( mesmo que seja um pedófilo) sem  se ser acusado de antissemitismo; 
Não se pode criticar violentamente um  violador preto , porque isso é racismo;
Não se pode dizer mal de um gay ou de uma lésbica, porque é homofobia;
Não se pode criticar um(a) emigrante  que sobe na política por vias pouco claras, porque é xenofobia;
Não se pode criticar uma mulher que discrimina os homens no serviço público que dirige, porque isso é discriminação.
Sinceramente não sei que  mundo estamos a construir e a deixar como legado aos nossos filhos, mas não me parece que uma sociedade que despreza o ambiente, critica as desigualdades, mas pouco ou nada faz para as combater,  idolatra a economia e o dinheiro, dá grande valor à educação formal, mas despreza a educação social e cívica, valoriza o indivíduo, mas em nome do direito à diferença  e da tolerância, blinda determinados grupos a quaisquer críticas, seja uma sociedade mais justa e pacificadora.
Os criminosos, corruptos, desonestos e exploradores   não são um exclusivo do ser humano padronizado pelo Homem Branco. Existem em todas as classes sociais, raças, credos, sexos e géneros, independentemente das suas convicções políticas e ideológicas. Por isso somos TODOS DIFERENTES, TODOS IGUAIS e ninguém está acima de qualquer suspeita. 

12 comentários:

  1. Asséptico?! Eu diria que cada vez está mais porco. Os Judeus foi uma raça que sofreu muito. Até admirava a sua coragem por terem sofrido tanta discriminação. Acho que foi a ONU em 1948 que estragou tudo que roubou o terre à Palestina para entregar aos judeus. Outros mais pobres tiveram de vender os seus terrenos, porque contra a força do dinheiro nada há a fazer. Depois passaram a ocupar sem dó nem piedade. Conseguir destabilizar a Palestina, e hoje vivem na maior miséria. Hoje Israel com a ajuda(que é recíproca) dos EUA dão cartas, tem do melhor armamento, dos melhores espiões e não cumprem nenhuma resolução da ONU. Chacinaram e destabilizaram toda aquela zona que nunca mais terá paz. O Líbano era a Suíça da Europa. A mão deles também está pesada sobre a Síria. Porque será que os grandes sempre entenderam dividir o mundo a régua e esquadro, outras vezes por linhas tortas só para desequilibrarem o mundo? Hoje acho que os interesses dos trabalhadores já nem contam, penso que já não há nada a fazer. Mas ao menos que respeitassem o ser humano.
    Espero já cá não estar para ver o Holocausto que se segue porque muitas serão as vítimas de todos os lados...

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    1. Peço desculpa de meter a minha colherada, mas já teve oportunidade de ver ou saber de um Holocausto verdadeiro, de um povo que na sua opinião "roubou" terras e chacinou e desestabilizou toda aquela zona.

      Um povo que foi isolado e depois atacado pelas maiores potencias regionais , e que milagrosamente sobreviveu (quem for religioso talvez o atribua a ser o Povo Eleito) .

      Caso o Egipto, Jordania Siria, apoiados por Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão tivessem conseguido os seus intentos hoje nem se falaria de Israel porque simplesmente este não existiria.

      Que existem muitos erros de Israel neste conflito obviamente existem, mas um povo que foi 400 anos escravo, que foi literalmente roubado, violado, discriminado e alvo das maiores chacinas (sim, estes foram mesmo alvo de chacinas, ainda o são) que se conhecem e dos maiores genocídios provavelmente até terá uma memória colectiva de sobrevivência que vem ao de cima nos conflitos.

      Por enquanto Israel ainda não faz ataques terroristas a quem escarnecer dos seus princípios religiosos, não tem um Index, não tem um ditador que mantém o seu povo nas trevas.

      Os Palestinianos merecem tanto como Israel ter uma Pátria, afinal todos são povos daquelas terras. Mas como digo mais uma vez, não são esses argumentos que trarão a paz aquelas terras.

      Já agora, quem "roubou" as terras dos >Indios Americanos?
      Quem "roubou" as terras dos Mais, Incas, Aztecas?
      Quem "roubou" as terras sagradas dos Aborigenes .
      Australianos?
      Quem "roubou" as terras do Brasil?
      E no intervalo destes "roubos", quantos MILHÕES de nativos foram mortos?

      Já agora, estou com o CB, vivemos numa sociedade politicamente correcta, e tudo o que diz é verdade, as criticas a determinados grupos blindados são encarados como insultos, o que eu contesto é a generalização do tipo - Os Portugueses são muito hospitaleiros, os Muçulmanos são fanáticos, os ....... são......

      É que "os " é muita gente!

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    2. Estou com o Chakra indigo em matéria de generalizações. Não tomo a Nuvem por Juno. No entanto, o mundo está muito mais perigoso, desde que Trump deu o seu apoio ao governo israelita
      Eu também espero já cá não estra quando isto trbentar, Anphy, o que significa que já não vou andar por cá muito temo. Mas isso não é novidade nenhuma. Ainda ontem um médioc mo disse, quando fui para as Urgências de charola.

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    3. Os médicos sabem muito, mas não sabem tudo, e erram bastante, por isso faça-lhes um drible, que tenha a bênção de conseguir que cada minuto da sua vida valha a pena.

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  2. E também para contribuir para a reflexão, talvez seja melhor em Inglaterra ser criticado por manter uma determinada obra do que ser morto por publicar uma caricatura.

    Eu sou contra qualquer manifestação deste tipo, lembra-me aquelas ditas feministas que querem proibir as obras de Woody Allen, de Kevin Spacey, de Roman Polanski. Pode-se criticar a pertinência ou o estereotipo que determinadas obras propagam, mas o que não seja abaixo do humanamente aceitável nunca poderá ser censurado, e mais ainda o seu autor por condutas imorais ou até desumanas.

    Por exemplo, eu não defendo, nem nunca defendi a colocação do Mein Kampf nos index das livrarias. O pensamento humano é algo de maravilhoso, e como diria o outro, não há machado que corte a raiz ao pensamento.

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    1. Se lesse com calma o meu comentário talvez não ficasse tão indignado. Não me vou dar ao trabalho de responder, porque eu já disse que gosto de escrever de improviso e ao correr da pena. E disse que a culpa foi da ONU e que sempre admirei a coragem deles para sobreviverem. Só que depois se vigaram nos palestinianos e com a sua sagacidade e persistência vão conseguido tudo o que querem sem se importarem com os outros, apenas pensado em si.
      Os states roubaram mais terrenos aos nativos e mataram muito mais do que a Rússia de hoje que só anexou a Crimeia, que foi oferecida pela Catarina numa noite de bebedeira. Deixe lá os artigos em paz. Não se preocupe com afirmações dogmáticas eu apenas estou aqui para me distrair. Nada de cortes nos pensamentos, todos têm direito a expor as suas ideias, mas acho que não deve ser um apelo à violência, nem mentalizem as mentes como fazem hoje os ortodoxos, sejam eles os evangelistas dos EUA sejam os de Israel.
      Já agora lembra-se de Antebe? Nem há espiões em Israel, que preparam o terreno para os outros. Eu também adoro Allen. Polanski (este até inha razões para se vingar de toda a gente). O Kevin acho que não faz mal a ninguém, talvez o Barden que tem mais ar de macho. Fique bem. porque eu hoje, apesar dos contratempos, estou óptima. Vi o Ronaldo marcando um golo, olhando para o céu, e ser aplaudido pelos adeptos da equipa adversária ( isto não aconteceria no Dragão), mas aconteceu com Yashin o aranha negra, guarda redes invencível da Rússia, que bateu palmas quando Eusébio lhe meteu um golo na baliza. Isto é que era desporto!

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    2. Peço desculpa porque parece que não me consegui explicar. Nem me senti indignado nem lhe queria confrontar, apenas dar uma perspectiva diferente e obviamente condicionada pela minha herança.
      Entebbe foi o aeroporto no Uganda de onde foram resgatados por forças Israelitas reféns de origem judaica que aí estavam sequestrados pela OLP com a conivência e auxilio do ditador Idi Amin. Já agora, o filme 7 dias em Entebbe acho que já estreou, e é uma boa oportunidade para revre Rosamund Pike. Dizem que é um filme razoavel.

      Quem quiser pode ver o filme já muito antigo, e terá a oportunidade de rever Antony Hopkins, Elizabeth Taylor, Richard Dreifuss, Burt Lancaster, Kirk Douglas and so one. Um épico de que gostei muito, mas que já vi á uns bons 30 anitos.

      Eu também me maravilhei com essa obra prima do CR7, um atleta fenomenal mas por quem não sinto empatia, apenas admiração pelo seu percurso extraordinário, tanto no futebol como na vida.

      Quem gosta de futebol, e quando se abstém do ambiente irrespirável dos tempos actuais consegue ter distanciamento para admirar os seus rivais. Penso que os atletas são ainda os mais puros porque têm o conhecimento prático e técnico do que para nós é beleza e estética.

      Aliás, só é grande quem consegue igualar ou superar outros grandes.

      Fiquemos bem.

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    3. Só para dizer aos dois que gostei muito de assistir a este debate. Fez-me recuar ao tempo em que eram frequentes e enriquecedores,aqui nas caixaas de comentários do CR

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    4. Eu sempre gostei de um bom debate, podemos se quisermos ,aprender muito e até rever posições que pensávamos estar bem definidos no nosso pensamento.

      Hoje por hoje, na era das SMS, tweets e distracções constantes ninguém tem pachorra para dedicar atenção a outrem - todos nós por vezes também nos esquecemos que por detrás destas palavras está outro Ser Humano que merece pelo menos a mesma atenção que nos deu.

      Por piada, hoje em dia o normal é responder LOL, OMG, WTF, WYSIWYG, e outros acronimos e siglas que são todo um apelo á imaginação e quem os utiliza pode dispersar a sua atenção por diversos interlocutores - normal para quem tem mais de mil "amigos" :-)

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    5. Tenho muitas saudades dos anos de ourro da blogosfera. Foram várias as tertúlias que se organizaram entre blogs, mas a blogosfera não resistiu à irritante linguagem cifrada dos SMS nem ao simplismo do Gosto no FB. Creio que as redes sociais estão a cumprir o seu objectivo de estupidificar as pessoas

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  3. Obrigada, Carlos. Já me pôs a chorar. Este continua a ser o único blogue onde ainda se pode trocar ideias. há pessoas que se consideram muito importantes que não querem ser incomodadas com qualquer opinião, crítica ou referência. Só colocam umas palavrinhas de circunstância.
    Que tenha sido apenas uma abuso no pão de ló de...

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    1. Não era esse o mui intuito, Anphy. Peço desculpa. Obrigado pelas suas amáveis palavras. Realmente só entendo a blogosfera como um espaço de troca de opiniões, mesmo que o administrador do blog não participe nos debates. Quanto ao paõ de ló era de Margaride:-)

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