sexta-feira, 27 de abril de 2018

A minha alma está parva!




Quando vejo comentadores ( alguns com alvará de jornalista) apoiar a divulgação das imagens de interrogatórios judiciais, com o argumento do "dever de informar",  percebo melhor a razão de as pessoas se marimbarem cada vez mais para o jornalismo e para os programas de debate político.
Eu digo alvará porque, na realidade, a carteira de jornalista hoje em dia é um documento merdoso que permite a qualquer crápula exprimir as suas opiniões ( por mais abjectas que sejam) na comunicação social, escudado no estatuto de jornalista e com a alegação da liberdade de imprensa.
É por estas e por outras que em alguns países  ( mesmo no seio da UE) os governos começam a cercear a liberdade de imprensa.
No caso da divulgação das imagens dos interrogatórios a Sócrates ou a Miguel Macedo o que se passa é uma violação grosseira dos direitos individuais.  O mesmo se diga se o arguido for um pedófilo, um incendiário, um criminoso ou um terrorista.
Os jornalistas que consideram   essa divulgação como  "dever de informar" são uns tipos perigosos dos quais fujo a sete pés, porque não gosto de ser confundido com escumalha.

12 comentários:

  1. Apetece-me assinar este seu texto, Carlos.
    Penso exactamente da mesma forma.

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  2. Onde é que eu posso assinar. É que estou inteiramente de acordo consigo

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    1. Pode assinar logo a seguir ao António, ou onde achar melhor, Elvira.

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  3. E faz muito bem porque esses fulanos não passam de uns vouyeurs que pretendem alimentar o vouyeurismo deste povinho inculto e invejoso.

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  4. Não estou a par mas aposto que devem ser "jornaleiros" do esgoto da manha....

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    1. Era bom que fossem só esses, era, Chakra. Mas há muitos e em todo o lado. A começar pela SIC e Expresso e a acabar na FCF no Prós e Contras ou pelo JMT no Governo Sombra.

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  5. Primeiro o julgamento em praça pública para amaciar a sociedade, e depois a ratificação dos juízes. E quem defende a pertinência do espetaculo do Big Eye, esquece aquele "hoje tu, amanhã eu".
    Ou ainda o poema de Bertolt Brecht:

    Primeiro levaram os negros
    Mas não me importei com isso
    Eu não era negro

    Em seguida levaram alguns operários
    Mas não me importei com isso
    Eu também não era operário
    /.../
    Agora estão me levando
    Mas já é tarde.
    Como eu não me importei com ninguém
    Ninguém se importa comigo.

    Gostei.
    Bom sábado

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  6. Mais real não podia ser. Está assinado.

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