segunda-feira, 30 de abril de 2018

Polémica no Museu

E quando parecia pacífico que o nome  Museu das Descobertas  era o mais apropriado para baptizar um espaço que visa suprir uma lacuna da nossa História, eis que aparece um grupo de historiadores a indignar-se e lança uma petição a contestar o nome. 
Não sei se a ideia desses historiadores ( de direita, esquerda e centro) é apenas lançar a confusão, ou uma birra por não terem sido ouvidos nem achados no nome a dar ao museu, mas  tenho a certeza que se trata de uma das polémicas mais estúpidas dos últimos anos. Ainda por cima, assente num conjunto de pressupostos bafientos
Desculpem-me se estou a ser bronco, mas  já aqui escrevi muitas vezes que estou farto dos Remorsos do Homem Branco

Alimentação saudável

Enchem-nos diariamente de conselhos sobre alimentação saudável;
Alertam-nos constantemente para a fata de higiene de restaurantes e o efeito de contaminação;
Inundam-nos com estudos sobre "como comer bem" e  exortam-nos a estar vigilantes em relação à fast food;
Recomendam-nos que tenhamos cuidado com as embalagens, prestemos atenção ao impacto ambiental dos produtos,  separemos os lixos e evitemos modos de preparação dos alimentos prejudiciais â saúde.
Mas depois, esses mesmos que nos incitam às boas práticas alimentares, autorizam a realização de festivais "Street food" onde a falta de higiene é notória e a fiscalização parece ser residual.
Está a decorrer um desses festivais aqui  nos jardins do Estoril. Além do cheiro pestilento a comidas no ar, da pouca fiabilidade no armazenamento e confecção dos alimentos, ainda somos confrontados com o tratamento descuidado dos jardins, transformados em lixeira a céu aberto, em resultado das nulas preocupações dos visitantes em preservar o espaço público.
Enfim... Tugas! 

domingo, 29 de abril de 2018

Rua dos Cafés (2)



Nunca tive um café certo em Lisboa mas, quando vim para cá viver, o meu primeiro poiso foi a Granfina , em Entrecampos, que nada tem a ver com a actual. Morava então no Pio XII e encontrava-me na esplanada ao princípio da tarde com amigos e amigas do Porto, depois do almoço. Por ali iniciei namoros enquanto fazíamos palavras cruzadas, construí sonhos e vivi alguns pesadelos, planeei noitadas que naquele tempo terminavam cedo.
Ao final da tarde, ou princípio da noite, ia muitas vezes ao Vavá , outro descaracterizado de que tenho saudades, principalmente pelas pessoas que por lá conheci, como o meu saudoso amigo Zé Calvário.
Ao sábado à tarde ia à Colombo ou à Versailles. Mas o café que marcou uma boa parte da minha vida em Lisboa, não foi nenhum destes. Foi o Monte Carlo, hoje desaparecido, para dar lugar à Zara, ali na Fontes Pereira de Melo, onde conheci alguns dos grandes nomes da nossa vida cultural, especialmente no campo das Letras.
O Monte Carlo era considerado por muitos “a catedral” dos cafés. Naquele imenso corredor cruzavam-se jornalistas, escritores, estudantes actores de teatro e actrizes de revista, numa autêntica Babilónia. Havia muita gente que não ia ao Monte Carlo. Vivia lá, desde a manhã até à noite. Tertuliava, lia, comia, bebericava, jogava bilhar , damas ou xadrez, pregava partidas a partir de uma cabine telefónica que lá estava instalada ( ficou célebre a "estória" de alguém a chamar o Humberto Delgado ao telefone) e até cortava o cabelo!
Só quando regressei a Portugal soube que o Monte Carlo tinha desaparecido para dar lugar a uma loja da Zara. 
Senti uma revolta ainda maior do que quando vi a Colombo transformada em Mc Donalds. Só quem conheceu e "viveu" de perto o Monte Carlo, percebe a enorme perda que o seu desaparecimento significou na vida de Lisboa.

(Texto  publicado no dia 13 de Maio de 2010)

sábado, 28 de abril de 2018

Humor fim de semana

- Diz a mulher para o marido:

O casal que mora aqui em frente até parece que ainda namora. O marido beija-a antes de sair, à chegada traz-lhe flores, compra-lhe presentes e está sempre em cima dela.Tu podias fazer o mesmo.

-Responde o marido:

Eu ? Eu nem a conheço ....!!!

Acabem com esta palhaçada, please! (Actualizado)

A escalada de violência verbal  entre dirigentes dos clubes de futebol atingiu ontem um novo patamar durante a AG da Liga. 
Paulo Gonçalves e o representante do SCP, Bruno Mascarenhas, trocaram mimos e insultos e Salvador, presidente do SCBraga, assumiu o papel de bobby de LFV e ateou a fogueira, colocando-se ao lado do arguido no processo e-toupeira.
Mário Costa, Presidente da AG da Liga, encerrou a AG e depois deu uma conferência de imprensa a garantir que  os insultos, testemunhados por jornalistas/comentadores presente não existiram 
Esta mania de varrer as coisas para debaixo do tapete, fingindo que não se passa nada de anormal no futebol português é uma das principais causas do estado lamentável a que se chegou. 
Outro, é a morosidade a tomar decisões.A começar pelas instituições desportivas ( FPF  e Liga)  Em INGLATERRA, adversários do Wolverhampton levantaram suspeitas sobre a influência de Jorge Mendes na subida do clube à I Liga. A Federação abriu um inquérito e em menos de um mês concluiu-o.
Por cá, a FPF e a Liga não agem, porque têm medo de enfrentar o SLB.
Se a violência provocada por adeptos do SLB nas duas últimas jornadas arrepia e a actuação dos órgãos de disciplina desportiva e as  incidências extra futebol protagonizadas por dirigentes desportivos, já metem nojo, a impotência da justiça desportiva e civil assusta. Pela mensagem de impunidade que transmite aos prevaricadores.
 Em Portugal está tudo de joelhos perante o SLB. Como noutros tempos, na Colômbia,  governo, justiça e instituições desportivas  obedeciam às ordens de Pablo Escobar, o barão da droga que dominava o futebol, em Portugal está tudo de joelhos perante LFV e o SLB. 
É por isso que cada vez mais acredito no PENTA do SLB. Só isso dará garantias de que todos os compadrios se manterão intocáveis. Mesmo que oferecer o título ao SLB represente a queda no ranking da UEFA, com consequente prejuízo para as restantes equipas portuguesas. Mas, pensando melhor, é capaz de ser isso que todos eles querem. O regresso ao futebol batoteiro do Estado Novo.
Em tempo: Olha a grande descoberta do Expresso! Como se ninguém soubesse a origem das cobardes queixas anónimas que têm sido apresentadas nos últimos tempos.



sexta-feira, 27 de abril de 2018

A minha alma está parva!




Quando vejo comentadores ( alguns com alvará de jornalista) apoiar a divulgação das imagens de interrogatórios judiciais, com o argumento do "dever de informar",  percebo melhor a razão de as pessoas se marimbarem cada vez mais para o jornalismo e para os programas de debate político.
Eu digo alvará porque, na realidade, a carteira de jornalista hoje em dia é um documento merdoso que permite a qualquer crápula exprimir as suas opiniões ( por mais abjectas que sejam) na comunicação social, escudado no estatuto de jornalista e com a alegação da liberdade de imprensa.
É por estas e por outras que em alguns países  ( mesmo no seio da UE) os governos começam a cercear a liberdade de imprensa.
No caso da divulgação das imagens dos interrogatórios a Sócrates ou a Miguel Macedo o que se passa é uma violação grosseira dos direitos individuais.  O mesmo se diga se o arguido for um pedófilo, um incendiário, um criminoso ou um terrorista.
Os jornalistas que consideram   essa divulgação como  "dever de informar" são uns tipos perigosos dos quais fujo a sete pés, porque não gosto de ser confundido com escumalha.

Descobertas as causas da baixa natalidade em Portugal

Quando soube que os portugueses gastam balúrdios em Viagra, sem quaisquer efeitos práticos no aumento da natalidade, decidi investigar e cheguei a uma conclusão:
A natalidade em Portugal não baixou... o que acontece é que os comunistas comem a maioria das criancinhas ao pequeno almoço.
Vou divulgar esta descoberta à Theresa May e ao Trump. Às tantas eles vão  acusar Putin de ter orquestrado um golpe para dizimar as crianças europeias introduzindo em vários países comunistas, russos que estão exilados um pouco por toda a Europa.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Ágata e eu

Se me pedirem para dizer o título de uma canção de Ágata, não sei.
Se me pedirem para trautear uma das suas melodias de sucesso, vêm-me à memória uns acordes difusos de uma canção qualquer sobre dor de corno, mas fico-me por aí. Não consigo reproduzir mais do que " mas não fiques com ela".
Ah! Isto não é da Ágata  e a letra não é assim? Sorry!
Jã perceberam que nunca fui fã da Ágata. Acrescento  mesmo que sempre tive uma certa antipatia pela imagem da cantora ( pimba?) que me provocava urticária e rejeição imediata.
Se bem me lembro, Ágata atraía multidões e destruía corações.  O quê? Isto também não é verdade? Paciência... 
O importante é que descobri ter um elo de ligação com Ágata que desconhecia e, num repente, passei a simpatizar com a senhora.
Que força estranha motivou mudança tão inesperada quanto repentina?perguntarão alguns leitores.
Nada mais nada menos do que ter descoberto, numa notícia de jornal que Ágata, nascida e criada em Benfica, partilha comigo a mesma paixão avassaladora  pela cidade de Chaves.
Ao contrário da cantora, que- se bem percebi- se apaixonou por Chaves por via matrimonial, eu não sei explicar a razão de me sentir tão bem em Chaves, de sofrer com as derrotas e me alegrar com as vitórias do GD de Chaves, de  me deixar inebriar pela beleza sedutora da cidade, quase ao ponto de desejar mudar-me para lá. É um amor antigo,  um chamamento estranho vindo não sei de onde, que terá certamente uma explicação racional e plausível. Talvez um dia consiga descobrir qual é. 



Quem tem medo dos cravos de Abril?



Todos conhecemos um tipo de Boliqueime que  se dizia bem enquadrado e confortável no regime do Estado Novo, mas depois do 25 de Abril também não se deu nada mal. Subiu "a pulso"  às cavalitas de um grupo de ladrões e corruptos. Quando chegou a PR não traiu os amigos nem renegou as origens, por isso no dia 25 de Abril ia para a AR sem cravo vermelho. 
Agora temos um PR, filho  de um ministro que foi um dos maiores entusiastas do Estado Novo e fervoroso apoiante de Salazar que diz ser democrata, mas quando vai à AR comemorar o 25 de Abril leva, envergonhadamente, um cravo na mão.
Quando voltaremos a ter um PR que ostente, orgulhosamente, um cravo na lapela?

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Come on. Let's swing again! ( uma história de Abril)




Aviso: Esta é uma crónica de costumes e não é ficção. O narrador é o único intérprete desta história, cujo nome não foi alterado.

Carlos  Alberto e  Manuela foram meus colegas de trabalho há muitas décadas. Eram ambos fervorosos sportinguistas e estavam casados, respectivamente, com Aurora e Bernardo, fervorosos benfiquistas.
Naquele tempo o futebol ainda era um traço de união pelo que, apesar de ser portista, fui muitas vezes com os dois casais ver jogos a Alvalade, à Luz ou às Antas em sã convivência.
Sempre separei a minha vida privada do convívio com colegas de trabalho, mas aqueles dois casais convidavam-me quase todos os fins de semana para emparceirar com eles, um outro casal e umas amigas  solteiras como eu.
Durante cerca de dois anos fomos algumas vezes juntos  a discotecas, passar fins de semana à Ericeira e Praia Grande e a almoçaradas/jantaradas em grupo.
Depois iniciei a minha vida de andarilho e os nossos encontros acabaram aí. Uma vez vim de férias a  Portugal e telefonei ao Carlos Alberto para o desafiar a tomar um copo.
Combinámos encontro no Metro e Meio. Disse-me que iriam os quatro e depois rumariam ao Charlie Brown.
Quando cheguei, já lá estavam Carlos Alberto e Manuela. Não estranhei o "descaso", pois era já bastante normal quando convivia com eles.  Não esperava era pelo que vinha a seguir. Calos Alberto e Manuela comunicaram-me que  viviam juntos e Aurora e Bernardo tinham mesmo casado.
Fingi-me muito surpreendido com esta "troca" de casais, mas na verdade não estava. Tinha-me apercebido desde sempre que as cumplicidades entre aqueles dois casais  emparceiravam melhor fora do contexto das certidões de casamento. Se alguma surpresa tive, foi pelo facto de os quatro continuarem a dar-se muito bem e a conviver sem complexos, como quando formavam os  casais Carlos / Aurora e Manuela/Bernardo.
Continuavam a ir ao futebol  e a passar fins de semana juntos.
Os anos passaram, ainda me encontrei com eles algumas vezes quando vinha a Portugal, mas cada vez mais espaçadamente.
Quis o acaso que, pouco depois de me ter sido diagnosticado o cancro, encontrasse Manuela no Curry Cabral. Eu estava em vésperas de ser operado, ela a acompanhar a Mãe a quem fora diagnosticado um cancro no fígado.
Prometi dizer quando seria operado, mas não cumpri. A verdade é que durante meses, após a operação, não queria ver ninguém e, muito menos, quem me recordasse um tempo em que era jovem e feliz.
Um dia, próximo do Natal de 2015, Carlos Alberto telefonou-me a perguntar  quando seria operado. Na verdade já fora operado em Outubro, mas disse-lhe que tinha sido apenas nos finais de Novembro, estava em convalescença e pedia desculpa, mas não queria ser visto por ninguém. Assim que estivesse pronto a vê-los telefonaria para que me visitassem, ou nos encontrássemos.
Os meses foram passando, Carlos Alberto e Manuela de vez em quando telefonavam, mas fui arranjando sempre desculpas para não nos encontrarmos.
Naturalmente, os telefonemas foram escasseando, até desaparecerem por completo.
Este ano, dias antes do Carnaval, de partida para Barcelona, telefonei a Carlos Alberto. Depois de muitas desculpas, lá arranjei coragem para sugerir um encontro, logo que regressasse a Lisboa.
Na véspera da deslocação do Porto ao Estoril, a Primavera anunciou-se em jeito de partida carnavalesca atrasada e eu decidi telefonar. Carlos Alberto disse-me que no dia seguinte vinham ver a segunda parte do jogo ( todos a torcer pelo Estoril, obviamente) e propunha um almoço, ou jantar depois do jogo.
Por razões várias optei pelo almoço.  Quando nos sentámos à mesa, a forma com se distribuíram sugeriu-me que ia voltar a ser surpreendido.
Não me enganei.
Semanas mais tarde, em vésperas de Páscoa, Carlos Alberto desafiou-me para almoçar. Apareceu acompanhado de Aurora.  
Agora, que estão os quatro reformados, resolveram voltar aos casais originais. Uma das razões  invocadas, foi a de Manuela e Bernardo quererem sair de Lisboa e viver na quinta da família de Bernardo perto de Lamego. Já Carlos Alberto e Aurora  não suportavam a ideia de abandonar Lisboa, por isso, decidiram que o melhor era retomarem o projecto inicial.
Come on. Let's swing again?

O meu 25 de Abril

Nunca esquecerei como vivi este dia há  44 anos, mas só ao final  do dia fiquei a saber o que se estava a passar no pais.
 

terça-feira, 24 de abril de 2018

As maleitas da geringonça





A geringonça precisa de ir à oficina para fazer a revisão.
É certo que o motor/( António Costa) continua a funcionar quase na perfeição, apesar de alguns ruídos que por vezes se ouvem, mas há peças que estão fora de prazo ou a precisar de uma afinação.
Se é verdade que a árvore de Cames ( Mário Centeno)  apesar de inclinada à direita, está em bom estado, nota-se um desgaste que provoca alguns distúrbios na distribuição, afectando as peças mais frágeis e desgastadas da geringonça.
Eu sei que na cultura basta meia dúzia de vozes que ninguém conhece saírem para a rua com amigos e família em protesto, para se começarem a ouvir ensurdecedores ruídos, mas o ministro da Cultura não existe;
A saúde é um pilar fundamental da geringonça mas o ministro da pasta, a quem compete manter em funcionamento o SNS é  de uma inutilidade absoluta; 
No Desporto, o secretário de estado sofre de clubite aguda, o que lhe provoca uma enorme cegueira. Agravada  pelo facto de a geringonça estar manietada por um eucalipto vermelho que seca tudo à volta. Nem mortes e graves incidentes à porta de estádios acordam esta Bela Adormecida que só  tem olhos para o Penta.
Já que é ceguinho, pelo menos podia estar atento ao que se passou na final  do campeonato universitário de futebol e tirar daí algumas ilações, mas parece já não haver esperança. O homem é um robô bem mandado;
Uma das peças mais sólidas da geringonça é Vieira da Silva, mas começa a revelar algum desgaste. Se em matéria de trabalho a peça continua a funcionar razoavelmente bem, em matéria de Segurança Social as coisas vão declaradamente mal. Os sucessivos casos de irregularidades  nas IPSS, cujos inquéritos se prolongam indefinidamente, têm contribuído para fragilizar um dos melhores ministros da geringonça. A estranha demora (20 meses) em homologar o relatório sobre a gestão da Santa Casa da Misericórdia, que aponta inúmeras irregularidades durante a gestão de Santana Lopes, levanta sérias suspeitas sobre o funcionamento  de uma das peças fundamentais da geringonça.
Se acrescentarmos a tudo isto a dificuldade que nos últimos meses  a geringonça tem mostrado  em relacionar-se com os aillerons que a sustentam (BE e PCP) , o que resulta em constantes guinadas à direita, concluiremos facilmente que a geringonça tem de ir rapidamente à oficina para uma cuidadosa revisão.
Amanhã comemora-se  o 44º aniversário do 25 de Abril. Seria excelente aproveitar a data para o fazer.

Conversas da treta

Devo dizer que  estou cansado dessa conversa  da treta  " os políticos são todos iguais, não fazem nenhum, são corruptos  e ganham balúrdios".
Se ser político é assim tão fácil e rentável, porque é que há cada vez menos gente a querer ir para a política?

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Os obscuros meandros da Justiça ( actualizado)

Nos últimos dias têm sido notícia  múltiplas sentenças de absolvição ou penas suspensas  envolvendo casos de pedofilia,  assédio sexual a menores, violações e violência doméstica.   Consideradas "aberrantes" pela opinião pública, as sentenças encontram sempre respaldo na lei, fundamentando-se em argumentos aparentemente inatacáveis, mas contrários ao senso comum. 
Um dos argumentos  utilizado  para justificar a pena suspensa  a um  professor que abusava dos seus alunos e explicandos ( o arguido era acusado de 156 crimes, dos quais  89 foram provados) ,  foi  que o arguido já  tinha sido julgado socialmente, durante o período em que decorreu o julgamento.
Não tenho o direito de julgar  quem proferiu uma sentença deste teor, mas ninguém me pode negar o direito de  suspeitar que tais argumentos para justificar penas tão leves em crimes tão hediondos, não radicam apenas numa legislação permissiva e benevolente.
No entanto, se eu estiver enganado e, na verdade, o "julgamento social"  deva  ser considerado como pena suficiente para crimes repugnantes , sou obrigado a admitir que o mesmo argumento possa vir a ser invocado para Ricardo Salgado, José Sócrates, Miguel Macedo ou Duarte Lima, por exemplo.  É que apesar de os seus crimes serem aberrantes, a  forma  abjecta e despudorada como os seus casos têm sido expostos pela comunicação social, com a conivência e cumplicidade de agentes da justiça empenhados na condenação social daqueles arguidos, me parece também suficientemente severa para justificar a sua absolvição. Até porque, pelo que se tem visto nas "reportagens" da SIC, não há uma única acusação provada, mas apenas suspeitas de um juiz e um procurador.
Aconselha no entanto a prudência, que me abstenha de proferir tal afirmação, pois  se por mera hipótese académica Sócrates e Ricardo Salgado viessem a ser absolvidos por falta de provas, então a Justiça ficaria pelas ruas da amargura e o descrédito seria total e irreversível.

domingo, 22 de abril de 2018

Rua dos Cafés (1)




Em quase todas as cidades e vilas portuguesas existiu um Café que se tornou ex-libris da resistência ao Estado Novo, local de tertúlia vigiado pelos pressurosos agentes da PIDE, estabelecimentos que serviram de mote para a magnífica trilogia de Álvaro Guerra ( Café Central, Café República e Café 25 de Abril).
Pertenço a uma geração que convivia, tertuliava, conspirava e estudava em cafés. O Velásquez ou o Piolho no Porto, o Monte Carlo ou o Gelo em Lisboa, são apenas alguns dos cafés cujas cadeiras contribuíram para puir as minhas calças e arejar a minha mente.
Quando visito qualquer lugar procuro descobrir cafés ligados à História desses locais. Hoje, em Portugal, são poucos os cafés simbólicos. A maioria deles  desapareceu ou  foi recuperado e virou local de roteiro turístico, como o Majestic e o Guarany no Porto, a Brasileira em Lisboa, o El Greco em Roma ou o Tortoni em Buenos Aires. No entanto, qualquer um deles faz parte da minha história de vida. Foi sentado nas mesas do Majestic que convivi com jovens da minha idade que anos mais tarde se tornariam figuras proeminentes da vida portuense e nacional. Foi no Monte Carlo a ouvir as conversas dos mais velhos, como o Carlos Oliveira, ou o Zé Cardoso Pires, que me fui moldando. Foi nas mesas do Tortoni, da Confiteria Ideal  e do Café de La Paix que aprendi a amar a América do Sul e especialmente a Argentina.
A maioria dos leitores  guardará na memória, pelo menos um café do tempo da sua juventude. 
Foi partindo desse pressuposto que há anos, depois de escrever alguns posts sobre " Os cafés da minha vida" desafiei os leitores a partilharem histórias vividas em cafés que fizeram parte das suas vidas.
Assim nasceu, no  meu blog  "crónicas on the rocks," a rubrica "A Rua dos Cafés" que hoje é reaberta ao público. Com os cafés  de então e com aqueles que outros leitores, entretanto aqui chegados, queiram partilhar connosco. Nos próximos domingos, a Rua dos Cafés é vossa.
Sejam bem vindos

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sábado, 21 de abril de 2018

Humor fim de semana

Dois judeus russos encontram-se numa estação de comboios. Pergunta um:
– Onde vais? 
– Vou a Níjni Novgorod – responde o outro. 
Após um momento calado, diz o primeiro, furioso: 
– Se dizes que vais a Níjni Novgorod, é porque queres que pense que vais a Odessa, e se queres que pense que vais a Odessa, é porque vais a Níjni Novgorod. Então, porque me mentes?!

Lição da semana

Tempos houve em que os homens vestiam um casaco e punham uma gravata para ir a uma festa, a um espectáculo no Casino, a um teatro, ou mesmo ao cinema em noite de sábado.
Hoje, quando vemos um  homem abaixo dos 40 de fato e gravata, sabemos que ele vai trabalhar.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Venha tomar um café comigo



Assinalou-se, no último sábado ( 14 de Abril) o Dia Internacional do Café. 
Os leitores mais antigos do CR lembram-se certamente de  duas rubricas que animaram o CR ( Cafés com Histórias Dentro)  e o agora muito exclusivo "Crónicas on the rocks"  ( A Rua dos Cafés).
Ambas as rubricas  tiveram a  participação de muitos leitores/as  que contaram histórias vividas em cafés.
Vem isto a propósito do encontro  da Associação Europeia dos Cafés Históricos que  se realiza em Coimbra nos próximos dias 20 e 21. O objectivo é criar uma rota europeia de cafés históricos, um remake alargado da Rota dos Cafés Portugueses com História.
a ideia parece-me excelente e espero que em breve surja uma Rota Mundial.
Ao ler a notícia, lembrei-me de recuperar  todos os posts sobre cafés que foram publicados aqui e no "on the Rocks".
Assim,  a série Cafés com Histórias Dentro irá  ocupar, ao fim de semana , o  lugar que durante mais de um ano pertenceu aos Bilhetes Postal.
Os posts serão reedições dos que então foram publicados. A maioria dos leitores actuais nunca os leu e é minha convicção que os leitores mais antigos gostarão de os recordar.  Não está, porém,  excluída a hipótese de aqui trazer alguns textos novos.
Espero que esta série seja do vosso agrado.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Crónica de uma Morte anunciada

O mais intrigante nesta história das fugas de informação de processos mediáticos, deliberadamente provocadas por agentes da Justiça, é perceber quais são os intuitos de quem passou a informação  e a quem efectivamente interessa  a divulgação, porque pretende com isso tirar benefícios.
O mais preocupante é que estes casos desacreditam  a Justiça porque- particularmente no caso de Sócrates-  demonstram a fragilidade da acusação.
Também a tentativa de arquivar à pressa o processo IURD levanta muitas dúvidas, particularmente depois de ser conhecido este episódio que, iniludivelmente, demonstra que alguém anda a manipular e boicotar o processo.
A justiça é um dos mais sólidos pilares da Democracia, mas uma justiça   que  se expõe na praça pública  e viola constantemente a Lei, é uma justiça desacreditada e fragilizada.  Quem fica em perigo, nestas circunstâncias, é a própria Democracia. 

Diz o roto ao nu

Os subsídios pagos aos deputados da Madeira e dos Açores podem ser contestados e considerados obscenos, mas não são ilegais.
O mesmo se diga dos subsídios pagos aos deputados europeus, substancialmente mais elevados do que os dos nossos deputados e que muitas vezes são utilizados para virem a Portugal participar em programas de televisão.
A obscenidade é inequívoca,mas sobejamente conhecida. Miguel Portas, quando era deputado europeu, criticou essas mordomias e foi então muito atacado pelos mesmos qu hoje se indignam com os subsídios pagos aos deputados dos Açores e Madeira que, muito provavelmente, farão mais para os justificar, do que muitos deputados europeus.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Bibó Porto (80)




O propósito deste post era escrever sobre o Hotel Infante de Sagres, um ex-libris da cidade que ontem reabriu depois de obras de remodelação. Até tinha  repescado uma foto da última vez que lá estive, no Verão passado- a qual acabei por publicar apenas no FB.
Ia lembrar, inclusive, que quando fiz o check in fiquei surpreendido, porque a recepcionista não falava português, o que na altura me provocou uma enorme fúria. 
Acontece, porém, que enquanto me regozijava com a reabertura do Hotel e me preparava para enviar uma farpa aos proprietários do Infante Sagres, fazendo votos que os recepcionistas tivessem aproveitado a pausa das obras para aprenderem a falar português,  fiquei a saber que a empresa proprietária do Infante Sagres (The Fladgate Partnership)  vai forçar o encerramento de uma emblemática livraria da baixa do Porto, vizinha do Infante Sagres.


A Sousa e Almeida, instalada na Rua da Fábrica há mais de 60 anos (desde 1956) era especializada em literatura galega, brasileira e africana e era frequentada por alguns dos mais ilustres nomes   das Artes e Letras portuense.
Não se sabe que destino pretende a empresa proprietária do Infante Sagres dar à emblemática livraria da Rua da Fábrica, mas é sabido que é apenas mais uma das livrarias do centro do Porto que encerra as portas em 2018,  vítima da voragem do turismo. 



Meu nome é Cristiano Ronaldo



Enquanto a SIC continua a exibir despudoradamente os interrogatórios a Sócrates, numa luta titânica com a CMTV pelo título de canal  de televisão mais pornográfico o MP, depois de muito instado, lá  informou que vai abrir um inquérito.
Todos sabemos  o resultado da abertura de inquéritos: NADA, NICKLES, BATATÓIDES. Assim sendo, lá mais para as calendas ficaremos a saber que não foi possível   apurar quem foram os responsáveis pela fuga de informação.
Ficaremos também sem saber como é que foi colocada uma câmara na sala de interrogatórios, mas ficamos desde já a saber uma coisa: se o que vimos são as provas de acusação a Sócrates, então o ex-pm pode dormir descansado, porque aquilo não tem pés nem cabeça. Chega a ser penoso ouvir a argumentação do Procurador Rosário Teixeira, perante as réplicas - por vezes desrespeitosas- de Sócrates.
Também sabemos de antemão, por exemplos anteriores de exibição de interrogatórios, que a SIC não será penalizada,
Não sabemos é se, depois de tanta violação dos mais elementares direitos de cidadania, algumas almas piedosas continuarão a considerar JMV, a melhor PGR de todos os tempos. É certo que nunca houve tanta divulgação de processos em segredo de justiça como com esta PGR e isso interessa à  comunicação social  que se alimenta de sangue e escândalos, mas é legítimo perguntar: se a PGR não consegue sequer descobrir quem anda violar os direitos dos arguidos, o que anda ela a fazer? 
Com toda a franqueza vos digo. Se JMV é a meljhor procuradora de todos os tempos eu- que até nunca tive jeito para jogar à bola- sou o Cristiano Ronaldo.
Tenha pudor, senhora PGR e demita-se. Hoje ainda, porque ontem já era tarde!

terça-feira, 17 de abril de 2018

Naquele engano d'alma ledo e cego...

A SIC está a chamar "trabalho de investigação" à exibição de um conjunto de vídeos LEGENDADOS com os interrogatórios do Procurador Rosário Teixeira a José Sócrates. 
No tempo em que eu era jornalista, isto tinha outro nome e, perante uma tão infame fuga de informação, o PGR ter-se-ia admitido imediatamente, se não conseguisse descobrir o autor da fuga.
Mas como Joana Marques Vidal, apesar de nunca ter havido tantas fugas de informação sobre processos em  segredo de justiça ,  é considerada a melhor PGR de todos os tempos, pode continuar a encolher os ombros   e fingir que não é nada com ela.
Quem quiser continue a acreditar que o único tipo que está preso por ter fornecido informação a um assessor jurídico do SLB, braço direito de LFV, foi apanhado por acaso. 
E os mais ingénuos continuem a pensar que as informações passadas a Paulo Gonçalves diziam apenas respeito a processos desportivos.
Por mim, prefiro continuar a acreditar em contos de Fadas e que Joana Marques Vidal é  a Bruxa Má disfarçada de Fada Madrinha.
Quanto à SIC, espero que deixe rapidamente de confundir informação e jornalismo com as práticas do CM. Pode ser apelativo em termos de audiências mas, mais cedo ou mais tarde alguém irá lembrar ao militante nº1 as palavras do poeta:
"...naquele engano d'alma ledo e cego
Que a fortuna não deixa durar muito (...)" 

Em defesa dos professores

Só quem nunca deu aulas, ou desconhece o ambiente escolar, pode  insurgir-se  ou surpreender-se, com o elevado número de professores que estão de baixa médica.
A tarefa de um professor é de extraordinário desgaste. Não se limita a  preparar e debitar aulas,  desenvolver tarefas administrativas ou  aturar miúdos indisciplinados e, não raras vezes, violentos. Os professores ainda têm de desempenhar tarefas que deveriam ser da responsabilidade dos encarregado de educação e suportar a ira de alguns  paizinhos incapazes de aceitar a má criação ou total incapacidade para os estudos  dos seus rebentos. 
Nestes casos, a maioria dos pais descarrega a sua frustração sobre os professores, chegando a agredi-los.
Ser professor  exige, além de capacidade profissional para desempenhar a tarefa, grande estofo psicológico.

Passei muito tempo da minha vida profissional em escolas a fazer formação de professores e pude aperceber-me do grau de exigência que lhes é colocado. Pessoalmente, apesar de considerar  uma profissão fascinante,  compreendi rapidamente que nunca teria capacidade para a desempenhar.  Como eu, há milhares de professores no activo sem arcaboiço para ensinar. Muitos foram atirados para o ensino nos anos 70 e 80, por ser a forma mais expedita de encontrarem um emprego. Mas não estará entre eles, certamente, a maioria dos  6 mil docentes que estão de baixa médica à espera de uma Junta, há pelo menos dois meses. 
Palpita-me que a maioria deles sejam pessoas  empenhadíssimas e que amam a profissão, pois são esses que normalmente mais sentem a responsabilidade de  ensinar e a frustração pelo pouco reconhecimento da sua profissão.
Exigir a um professor que trabalhe durante 40 anos com o mesmo entusiasmo e tenha ao fim de décadas de dedicação a mesma capacidade para lidar com jovens rebeldes e, não raras vezes, mal educados e agressivos é uma enorme crueldade. E  revela também  falta de reconhecimento sobre a actividade dos professores e ignorância sobre o ambiente escolar.
Lembro-me sempre do dia em que entrei numa escola da Trafaria, para ui  falar com alunos sobre ambiente e sustentabilidade e encontrei miúdos a brincar com armas de fogo e armas brancas. 

É por  tudo isso que me encanita  a forma crítica como a comunicação social trata a questão das baixas médicas dos professores. Os jornalistas têm a obrigação de identificar as causas, antes de fazerem críticas mais ou menos soezes, insinuando que é a balda generalizada no ensino em Portugal



segunda-feira, 16 de abril de 2018

A Lição do ataque à Síria





Leio a imprensa, ou vejo as imagens das televisões ocidentais a enaltecer o sucesso do ataque à Síria e vejo os festejos  dos sírios em Damasco, celebrando a derrota dos americanos e fico a pensar como é fácil manipular as pessoas através da comunicação social. E isso assusta-me... porque não me esqueço do Iraque, nem das euforias com a Primavera Árabe. Os ocidentais não aprenderam nada. Democratas e cristãos batem com a mão no peito, enquanto apoiam ataques que servem os interesses dos radicais islâmicos.

Perguntar não ofende

O que é que o mundo ganhou  com o ataque " cirúrgico" à Síria? 

Estão à espera de quê?

Depois dos gravíssimos incidentes ocorridos ontem no exterior do Estádio da Luz, pergunto:
- De que raio está à espera o  secretário de estado do desporto e juventude, para tomar medidas contra a violência no futebol? Até quando continua o governo a fingir que o SLB não tem claques e a dar cobertura a claques ilegais? 
Tenham vergonha!Já morreu gente  e continuam a assobiar para o ar, coniventes com os criminosos. E não pensem que eles só estão no SLB! Estão em muitos clubes da I e II Liga e são uma bomba relógio prestes a explodir. Fingir que tudo está bem, como não se farta de apregoar o secretário de estado, é uma irresponsabilidade que, mais cedo ou mais tarde, vai custar caro. É mais do que tempo de o governo agir.

domingo, 15 de abril de 2018

Isto ainda não acabou

O FC do Porto venceu na Luz. Foi feliz, mas fez por isso, pois foi a equipa que sempre procurou a vitória, enquanto o SLBenfica mostrava estar satisfeito com o empate.
Além disso fez-se justiça. Na primeira volta,no Dragão, o FC do Porto marcou um golo que afastaria o Benfica do título, mas que o árbitro resolveu invalidar.
Mas ATENÇÃO! Nada está ganho e muito ainda se vai falar de arbitragem até final. E nem o Sporting está afastado da corrida.
Escrevi este  post com muita civilidade, pelo que peço a alguns benfiquistas que gostam de emporcalhar a caixa de comentários com afirmações que em nada os dignificam, que tenham a dignidade de se rever nos comentários de João Gobern em vez de provocar arruaças, como os adeptos benfiquistas que descarregaram a sua frustração apedrejando a polícia.

Lição da semana

Foge daqueles  que apoiam um acto de guerra, seja qual for a justificação.   Desconfia dos que, perante um conflito armado, tomam inequivocamente  partido por um dos lados, distinguindo entre bons e maus. 
Mantém à distância àqueles que justificam a necessidade de uma agressão, com base em factos que ninguém viu.

sábado, 14 de abril de 2018

Humor fim de semana

Um homem cego entra num bar de lésbicas por engano.

Cuidadosamente batendo com a bengala, chega até ao balcão, pede uma
cerveja, de seguida vai sentar-se a uma mesa e grita para o barman:
- Eh, tu aí! Gostavas de ouvir uma anedota sobre loiras?
Faz-se um silêncio total no bar e com uma voz grave, profunda e áspera, a mulher que está sentada junto a ele diz-lhe:

- Antes de contar essa anedota, senhor, e tendo em conta a sua deficiência física que o impede de ver, creio que é justo que o advirta de 5 coisas: o barman é uma mulher loira; o porteiro do bar é uma loira que, tal como eu, pesa 80Kg e é cinturão negro de karaté; a mulher que está comigo é polícia e é loira e a senhora que está sentada do outro lado é lutadora de luta livre e também é loira. Agora pense cuidadosamente se ainda quer contar essa anedota sobre loiras!
O cego pensa durante alguns segundos, meneia a cabeça e retruca:

- Nãã. Já não conto. Não estou para explicar a história 5 vezes

Desaparecidos

Esta minha série tem andado desaparecida, mas lembrei-me dela hoje, porque nunca mais ouvi falar de um tema que prometia muitos desenvolvimentos escaldantes, mas desapareceu repentinamente das agendas noticiosa. 
Alguém se lembra dos Panama Papers, por acaso?
Dão-se alvíssaras a quem os encontrar.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

A Mafia do Pinhal



Uma investigação da  jornalista Ana Leal, que será exibida hoje no jornal da noite da TVI, confirma aquilo de que há muito se suspeitava: o incêndio de 15 de Outubro, no Pinhal de Leiria, teve mão criminosa.
Ana Leal descobriu a cave do restaurante   onde um conjunto  de empresários combinou os incêndios e estabeleceu o preço a pagar pela madeira ardida, bem como o boicote à compra de madeira do Estado, para obrigar a redução do preço.
O comportamento mafioso dos madeireiros é conhecido há muito, mas não é único. As empresas de combate aos incêndios também estão a actuar em cartel inflacionando os preços.
É altura de todos tirarmos conclusões:
- O jornalismo de investigação, quando é sério, consegue obter melhores resultados  do que a justiça, apesar de ter muitos menos meios
-  O  MP , que investiga todas as denúncias anónimas, por mais estapafúrdias que sejam,  devia  dedicar-se mais activamente  à investigação de crimes contra o Estado praticados por empresários sem escrúpulos, particularmente,  no âmbito de crimes ambientais e florestais.
- Os juízes que mandam os incendiários em paz, com prescrições de tratamento para se curarem, não podem continuar a ser brandos na aplicação das penas. De uma vez por todas devem perceber que os incendiários são criminosos bem pagos e não os maluquinhos que fingem ser.
-  O Estado deve  tomar as rédeas do combate aos incêndios , não deixando essa tarefa a empresas privadas.
-  Os madeireiros denunciados devem ser severamente punidos  e o património das empresas deve passar para a posse do Estado
- As pessoas que acusaram o governo de ser responsável pelos incêndios e exigiram a demissão da ministra, devem fazer um mea culpa e admitir que a iniciativa privada não é a solução para determinados ramos de actividade, porque tem uma face perversa sempre que está em jogo o património público.
Finalmente,  não se deve esquecer que outras áreas como o tratamento dos lixos, ou a protecção do ambiente, por exemplo, são um alvo apetecível de outras máfias que há décadas actuam impunemente com a complacência de diversos governos. Compete por isso ao Estado,  tratar estes empresários como terroristas e apropriar-se dos bens das empresas e seus titulares, que actuem contra os interesses do País, de forma reiterada e criminosa.
E deveria competir à Justiça investigar a razão de sentenças como a que reduz a repreensão,a multa aplicada a uma empresa que provocou graves danos ambientais no rio Tejo.
Dos incêndios de 15 de Outubro resultaram 49 mortos. O Estado está a pagar as indemnizações, mas os filhos da puta  responsáveis por essas mortes continuam a enriquecer à custa dos crimes que praticaram, porque a Justiça não cumpre o seu papel.

Quem meteu o puto na ordem?

Aparentemente, alguém na Casa Branca  terá conseguido explicar a Trump  que era tempo de acabar com as brincadeiras no Tweet , porque os mísseis não são um jogo da Nintendo, são bem reais e alguém se podia magoar.
O puto Trump deve ter esperneado feito uma grande birra, mas alguém lhe deu os comprimidos  e o puto acalmou.
Contratem uma baby sitter nova para entreter a criança e o mundo ficar em paz.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Se Buffon jogasse em Portugal...



Buffon ficou indignado porque o árbitro marcou um penalty ( no mínimo muito duvidoso) a favor do Real Madrid aos 90+ 3 minutos. Excedeu-se nos protestos e foi expulso.
Compreendo muito bem a indignação do guarda redes da Juventus mas se Buffon jogasse em Portugal, já estaria habituado. Sempre que o SLB não consegue vencer nos 90 minutos, os árbitros  marcam um penalty a favor dos encarnados. E se alguma equipa se atreve a marcar um golo aos encarnados, adiantando-se no marcador, ou restabelecendo  a igualdade, os árbitros anulam  o golo.
Uma destas duas situações aconteceu em 7 dos 29 jogos disputados pelo Benfica este ano na Liga Portuguesa, por isso, Buffon já estaria habituado e saberia o que é "colinho"

Estátua ao adepto desconhecido

Seria da mais elementar justiça que Luís Filipe Vieira mandasse fazer uma estátua à porta do Estádio da Luz, em homenagem a Bruno de Carvalho.
O Presidente do SCP  não só conseguiu que se deixasse de falar dos vouchers, dos e-mails, das toupeiras e de todos os casos de justiça em que dirigentes ou aficionados do SLB estão envolvidos, como  fez tudo o que pode para garantir o Penta ao SLB.
Só encontro uma explicação para LFV ainda não  ter avançado com o projecto. Não quer melindrar todos quantos têm contribuído para o PENTA benfiquista: árbitros, jornalistas,  funcionários judiciais, Pedro Proença,  juízes, Fernando Gomes, Comissão de Arbitragem, VAR,   governo ( nomeadamente o inenarrável idiota do secretário de estado do Desporto e da Juventude) e toda uma escumalha adjacente que "fechou os olhos" aos atropelos à Lei da direcção encarnada e  falsificou os resultados das duas últimas épocas.
Conseguiram em conjunto,garantir ao SLB títulos que não mereceu, porque é a pior das três equipas em luta pelo título, como ficou bem demonstrado pela miserável prestação europeia, mas certamente dormem tranquilos porque a batota  e a corrupção funciona  como facilitador do sono para essa gente sem escrúpulos.
Sugiro por isso a LFV que, na impossibilidade de  mandar fazer uma estátua a cada árbitro, juiz, observador, dirigente desportivo ou membro do governo que  contribuiu para o PENTA, mande fazer uma estátua ao benfiquista desconhecido que tanto tem feito pela agremiação encarnada.

Uma família da Treta



Costuma dizer-se que podemos escolher os amigos mas, infelizmente, não podemos escolher a família.  
Isso é válido para as pessoas, mas não para as Nações. Portugal não soube fazer bem as suas escolhas e tem uma família de merda.
Escolhemos os espanhóis para "nuestros hermanos", depois de termos andado à porrada com eles durante séculos e  estamos a dar-nos mal. Como se não bastasse a porcaria que nos mandam via centrais nucleares e minas de urânio a céu aberto, ainda por cima nos roubam a água dos rios. E se os nossos antepasados diziam que de Espanha nem bom vento, nem bom casamento, nós bem podemos dizer que agora de Espanha só vem porcaria e patifaria. Para embelezar o ramalhete, o nuestro hermano chefe é um  saudosista de Franco. Não respeita as regras da democracia e pediu aos juízes e a um Rei Pasmado que o ajudassem a perverter o espírito democrático. Ignorando o resultado de eleicões livres e democráticas, cujo resultado não lhe agradou, Rajoy  começou por mandar a polícia espancar os catalães e agora, com a preciosa ajuda de uns juizes jarretas, tão fascistas quanto ele, manda prender todos os catalães que rejeitam a vergasta de Madrid.
Mas se  o país de "nuestroshermanos" é um fora da Lei, que dizer do nosso irmão Brasil? Por ali há muita alegria, muito samba, mas pouca cabecinha e nenhuma vergonha. Os juizes fazem política e os generais,saudosos dos tempos em que detinham o poder,  dão-se ao luxo de  ameaçar os juizes se não decidirem de acordo com a sua vontade.
Temer é uma marioneta colocada no Palácio do Planalto para garantir que os muitos milhões de brasileiros que Lula tirou da miséria voltem à pobreza para servirem de escravos a uma elite pirosa que  enriqueceu à margem da Lei e a uma classe média que gosta de se dar ares.  A justiça  é incapaz de o  julgar, com medo das represálias executadas por jagunços. 
Digamos que quem escolhe irmãos destes, é porque os vê à sua imagem e semelhança. Aliás, se olharmos para as decisões da nossa justiça, também não temos razões para andar de cabeça levantada. 
É certo que (ainda) não temos presos políticos, mas a nossa justiça é selectiva, por vezes perversa e insensível a crimes ambientais, de violência doméstica ou abusos sexuais. 
Digamos que, pelo menos em matéria de justiça, fomos coerentes e  escolhemos uma família de merda.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Pedro e o Lobo



Eu sei que Assad é um execrável  ditador, bem capaz de usar armas químicas. Há só um probleminha... A acusação está a ser feita por EUA e Inglaterra, mas ainda não foram apresentadas provas dessa utilização.
Ora manda a prudência que nos lembremos do Iraque e das armas químicas que muitos juraram ver, mas afinal não existiam, e torçamos o nariz quando ouvimos os visionários do costume  fazer acusações deste jaez.
Acresce que o recente episódio das armas químicas utilizadas pela Rússia para matar um ex-espião russo e  a sua filha, correu mal a Theresa May e a Trump. O que  os ingleses juravam ter provas de  ser verdade ( as armas químicas teriam sido usadas pela Russia a mando de  Putin)  foi negado pelo laboratório que o podia  confirmar e o casal anglo-americano ficou mal na fotografia.
Assim sendo, face às sucessivas mentiras do consórcio anglo americano, é prudente ( e mesmo sensato) pensar que a acusação  sobre o uso de armas químicas na Síria pode ser apenas uma forma de desviar as atenções de uma mentira, recorrendo a outra  ainda mais grave. 
O problema, entre tanta mentira, é  que um dia destes Inglaterra e EUA fazem uma acusação verdadeira e já ninguém acredita neles.
A única verdade incontestável é que Trump precisa de uma guerra para aumentar a sua popularidade e Putin também não a enjeita, porque tem os mesmos objectivos de Trump : perpetuar-se eternamente no poder.
Nenhum deles hesita, por isso, em matar inocentes para atingir os seus objectivos, mas o mais assustador é saber que tudo tem saído da cabeça deste homem de bigodinho

A Justiça a funcionar




OTA À IMPRENSA - Processo das adopções
António Garcia Pereira -Segunda-feira, 9 de Abril de 2018
NOTA À IMPRENSA
A “ Garcia Pereira e Associados – Sociedade de Advogados, SP, RL”, tendo tomado conhecimento de uma “notícia” publicada no Jornal “Expresso” de 7 de Abril, intitulada, na 1ª página, de “Justiça afasta existência de rede de adopções ilegais” e continuada pelas páginas 20, 21 e 22, vem (depois de para tal estar devidamente autorizada pelo Sr. Presidente do Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados) transmitir o seguinte:
1. Este Escritório de Advogados aceitou defender “pro bono” uma das mães a quem foram retirados filhos (Vera, Luis e Fábio), posteriormente colocados no lar da IURD e finalmente adoptados por terceiros.
2. A mãe por nós representada requereu, e obteve, a sua constituição como assistente, ou seja, como acusação particular no processo-crime que sobre tal matéria corre termos no DIAP de Lisboa.
3. Logo de seguida, a mesma mãe requereu o acesso ao processo a fim de poder exercer plenamente as atribuições e competências que a lei lhe atribui, mas– após uma extensa e frontal oposição do Ministério Público a essa mesmo acesso – ele foi-lhe denegado por despacho do juiz de instrução criminal, o qual para tanto invocou a mediatização do processo e a necessidade de proteger os intervenientes processuais.
4. Foi assim com grande surpresa e mal sufocada indignação que a mãe queixosa e assistente a quem o dito acesso aos autos foi negado constatou que tal acesso foi, afinal e em (mais) uma clara, intolerável e cirúrgica violação do segredo de Justiça, proporcionado ao Jornal “Expresso”, como aliás o mesmo explicitamente afirma e reconhece. E, pior, para veicular apenas alegados factos e elementos (alguns dos quais cuja falsidade até já foi demonstrada) que convêm à tese do Ministério Público. O qual, por seu turno, e não obstante o processo em causa estar ainda em curso e o mesmo Ministério Público não ter ainda realizado toda uma série de diligências que lhe foram sugeridas e requeridas pela acusação particular, já terá concluído (!?) pela inexistência de qualquer rede organizada ou de qualquer retirada ilegal de alguma criança à sua família.
5. Ora perante tudo isto e perante a ausência de qualquer desmentido ou tomada de posição por parte da hierarquia do Ministério Público, em nome dos direitos fundamentais da mãe em causa, quer enquanto cidadã, quer enquanto assistente, vêm os seus mandatários constituídos denunciar publicamente toda esta situação, bem como informar que irão de imediato exigir não apenas a instauração dos competentes procedimentos criminais e disciplinares por esta violação do segredo de Justiça cometida num processo que se encontra a cargo e à guarda do Ministério Público, como a imediata concessão do (até aqui negado) acesso ao mesmo processo por parte da mãe assistente. Até para esta poder conhecer, de uma vez por todas, o que tem, ou não, o Ministério Público andado a fazer, e como, no referido processo.
6. Impõe-se igualmente denunciar que, ao tornar-se público que – como é, desde há muito, a percepção e a convicção da mãe em causa – a posição e decisão da magistrada do Ministério Público titular dos autos é no sentido do seu arquivamento, aquilo que, com esta violação, claramente se pretende é criar o facto consumado e antecipadamente legitimar essa mesma decisão.
7. Com efeito, é para a mãe assistente muito claro que a fortíssima oposição do Ministério Público a que ela pudesse aceder aos autos e a não decisão [em nova e flagrante violação da lei, agora do artº 69º, nº 2, alínea c) do Código de Processo Penal] sobre os sucessivos requerimentos, nomeadamente para diligências de provas, que ela, assistente, tem vindo a apresentar no processo, ganhou um particular significado quando, tendo o Ministério Público actuado até aqui de mãos inteiramente livres, se assiste agora a esta tão escandalosa quanto cirúrgica manobra.
8. A mãe assistente nos autos reafirma, porém, a sua firme disposição de não se deixar abater por ela e de se bater até ao fim pelo integral esclarecimento da verdade dos factos, exercendo plenamente todos os seus direitos e competências e não hesitando em pôr a nu quem se oponha, directa ou enviesadamente, a esse esclarecimento.
Lisboa, 9 de Abril de 2018

(Sublinhados da minha responsabilidade) 

Nota do editor do CR: Juro que isto não é uma perseguição à PGR, mas lembro que JMV  está relacionada com o processo da IURD, por ter autorizado o funcionamento do lar, não obstante ( segundo noticia a comunicação social)  as  fortes suspeitas de ilegalidades sobre o processo de licenciamento que então foram levantadas 

terça-feira, 10 de abril de 2018

Ir além da troika na versão geringonça






Nunca fui Centeno. Por norma,  antipatizo com ministros das finanças, porque vejo sempre um Salazar em cada um deles. Também não fui entusiasta da nomeação de Mário Centeno para o Eurogrupo. Sempre receei que isso o envaidecesse e,  inebriado pelo cargo, esquecesse o país.
Infelizmente, parece que os meus receios  tinham fundamento.
Ninguém ousará negar que  milhares de portugueses devem a este governo e a  a Mário Centeno a devolução daquilo que o governo PSD/CDS lhes extorquiu, para cumprir a promessa de Passos Coelho, de ir  além da troika.
Mário Centeno não vai além da troika  porque, em certa medida, ele faz parte da troika. É isso que lhe tira o discernimento e fomenta a obsessão do défice. Neste momento, Mário Centeno começa a ser um embaraço para o governo de António Costa e para a geringonça, porque sofre da síndrome do bom aluno e quer ficar bem visto em Bruxelas. Como o seu antecessor Gaspar.
Obviamente que não há dinheiro para satisfazer de imediato as múltiplas reivindicações ( quase sempre justas, mas por vezes irrealistas)  de vários grupos sócio profissionais, mas a forma como Mário Centeno rejeita liminarmente quaisquer cedências, não são aceitáveis.
Inaceitáveis são também algumas cativações, sejam elas explícitas ou respaldadas na recusa de uma assinatura, como foi o caso do Hospital de S. João. Qualquer doente deve ser respeitado pelo Estado, mas ainda mais crianças com doenças oncológicas, sujeitas a enorme sofrimento. 
É inadmissível que a obsessão pelo défice esteja a impedir  o Estado de cumprir as suas obrigações.
Começo a perceber porque chamam a Mário Centeno o CR7 das Finanças. Um faz magia com a bola nos pés, o outro com uma folha de Excel. Mas há uma grande diferença: CR7 adora crianças. Mário Centeno despreza-as.  
Espero que António Costa não se deixe contagiar pela obsessão de Centeno com o défice e perceba que os portugueses não compreenderão que o governo continue a alimentar o vampirismo dos bancos, insista no défice zero e  fragilize o SNS ou o sistema de ensino, deixando o sistema colpaar e doentes à mercê de números e cifrões. 
O conforto que, pelo menos aparentemente, sente com a eleição de Rui Rio, não o pode  fazer esquecer que o seu compromisso é  ( e terá de continuar a ser) com a esquerda, o que significa mais justiça social e atenuar as desigualdades sociais. 
Se o governo se desviar desse rumo, é compreensível que os partidos que o sustentam reajam e apertem o cerco, deixando António Costa em maus lençóis e a direita a salivar.