quarta-feira, 21 de março de 2018

Prioridades da RTP: educar o gosto dos portugueses ao pontapé!





Na noite de segunda feira, dia do Pai, a RTP transmitiu em directo, no canal 1, uma gala de entrega de prémios Quinas de OURO, promovida pela FPF, Sindicato de Jogadores e outras entidades do mundo da bola. Durante duas horas, o principal canal da RTP serviu de palco ao desfile dos homens e mulheres da bola, no pavilhão Carlos Lopes. Cultura- dizem eles. 
Ontem à noite, a Sociedade Portuguesa de Autores atribuiu os prémios Autores 2018, durante uma gala realizada no CCB. A RTP remeteu a transmissão para o canal 2.
 Por muito que se goste de futebol - e eu gosto- só por masoquismo alguém passa duas horas diante de um televisor a ver a atribuição dos prémios da bola. Alguém na RTP, porém, terá considerado que os prémios Quina de Ouro tinham potencial para atrair grande audiência, já que por lá estavam vários ídolos dos portugueses, como Cristiano Ronaldo, Mourinho e ... LFV.
Já quanto aos Prémios da SPA, que distinguem autores e obras que marcaram a nossa vida cultural e artística em 2018, a RTP considerou que se tratava de uma gala menor, que não mereceria a atenção dos portugueses e remeteu-a, discreta e envergonhadamente para a RTP 2.
À primeira vista, a  escala de prioridades de serviço público da RTP parece um insulto aos portugueses mas depois olhamos à nossa volta, pensamos mais maduramente, e chegamos  à conclusão que às tantas a RTP  tem razão nas prioridades que estabelece. Os portugueses são capazes de passar uma semana inteira a discutir futebol mas, quando se trata de cultura, despacham o assunto rapidamente.
Creio - porventura com alguma ingenuidade-  que serviço público também é proporcionar aos portugueses  programas culturais ( sim, eu sei que a RTP 2 tem uma oferta boa e variada, mas é um canal  visto  por um público específico) no canal 1. 
Não resisto, por isso, a lançar um repto a Marcelo Rebelo de Sousa. Uma vez que esteve nas duas galas, reserve uns minutinhos do seu tempo para dizer  aos responsáveis da RTP que estiveram muito mal ao inverter a ordem de prioridades.
Agradecido

13 comentários:

  1. Uma amiga disse-me que os programas de qualidade são transmitidos muito tarde... Porque durante o horário nobre não há grande número de interessados.

    Quando estive em Itália confirmei que os programas de televisão são péssimos... muito inferiores aos que são transmitidos em Portugal. Isto sim surpreendeu-me bastante.

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    1. O horário nobre da RTP tem alguns bons programas, Já nos canais privados (SIC e TVI) só há telenovelas e desporto. Terrível, mesmo.
      Quanto à televisão italiana é para esquecer. Consegue mesmo ser MUITO pior que a nossa.

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  2. Os prémios Autores 2018 têm toda a prioridade. Não se justifica, qualquer que seja o argumento, a opção que a RTP fez em relação aos canais televisivos e às respectivas transmissões.
    Vou mais longe. Justificaria a entrega dos prémios Quinas de ouro transmissão em directo?
    Creio que com isto digo tudo.

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    1. O Quinas de Ouro em directo foi uma alarvidade dispensável. Só consigo perceber por causa dos patrocínios.

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  3. Assinaria por baixo não fosse essa (estranha) missão que entregou a Marcelo

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    1. No FB retirei essa parte porque, na verdade, também me pareceu um bocado descabida.

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  4. É o país que temos, a televisão que temos, o público que temos. Quanto ao PR, concordo ali com o Rogerito...

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  5. Nem uma nem outra. Transmitir galas destas para quê?

    Tanto a fazer para promover a cultura e o desporto - aliás, os portugueses não gostam de desporto, gostam de futebol e prioritariamente dos seus clubes - ver estudos https://www.publico.pt/2014/03/24/desporto/noticia/portugueses-sao-dos-que-fazem-menos-desporto-na-europa-1629503

    que demonstram que Portugal é um dos países europeus com menor taxa de pessoas que praticam desporto - 64% NUNCA O FAZEM!
    Depois temos o reverso da medalha, a taxa elevada de sedentarismo e respectivas doenças associadas.

    Também não ligamos pêvas á cultura, basta ver o que (não) se lê, a iliteracia ou litraticia (como diria o José Eduardo).

    Mens sana in corpore sano - daí a indigência mental, ética e cultural dos nossos dirigentes políticos e desportivos, a vacuidade promovida pelas principais corporações editoriais, o esgoto a céu aberto nos canais de comentário desportivo, o sectarismo e corporativismo nos comentadores políticos.

    Não é o País que está mal, sou eu que estou mal, eu e muitos que não levantamos a nossa voz, os que não votam, os indiferentes.

    Quando a IA e as grandes corporações nos tornarem irrelevantes para a economia só mesmo as competências criativas, humanas e activistas nos poderão incluir.

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    1. A Gala da SPA, além de ser o reconhecimento pelo trabalho de muita gente da cultura que atravessa um período difícil, é uma excelente oportunidade para divulgar trabalhos de qualidade. Para mim, faz todo o sentido que seja transmitida em directo, em horário nobre e no canal 1, para lhe dar mais relevância.

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  6. E por falar em humanismo e ética, lembrei-me da morte de mais um Ser que o maior predador do planeta se encarregou de extinguir - e mais virão a seguir, sob o olhar da indiferença.

    https://www.nytimes.com/2018/03/20/science/rhino-sudan-extinct.html

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    1. Era uma morte anunciada há muito. Infelizmente a comunicação social só deu a notícia da morte quando, o ideal , teria sido dá-la enquanto era possível fazer alguma coisa para preservar a espécie que está agora ameaçada.
      Lamentavelmente, desaparecem anualmente milhares de espécies animais e outros tantos de espécies vegetais. A maioria delas desaparece por acção do Homem e poderia ser evitada. Como é o caso do rinoceronte branco e em breve dos elefantes, dizimados pela ganância do Homem.

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