sexta-feira, 2 de março de 2018

As laranjas de Lisboa





A CM de Lisboa aprovou uma proposta do BE para a atribuição gratuita de livros escolares nos 2º e 3º ciclo do ensino público. O PSD, sempre ao lado dos mais desfavorecidos, votou contra.
Poucos dias depois, alguma imprensa  noticiou que os livreiros estavam muito preocupados, porque a distribuição gratuita dos livros escolares iria obrigar ao encerramento de muitas pequenas livrarias e consequente desemprego de milhares de pessoas.
Inicialmente pensei pois, é chato, mas quantos empregos é que já foram destruídos pela IA, que um dia nos via destruir a nós?   Depois percebi a razão das notícias e a sua origem, mas  reagi com a indiferença de quem não lamenta aqueles que, sempre afoitos a dizer mal do Estado,  sustentam os seus negócios privados à custa desse mesmo Estado.
Há dias leio que os vereadores do PSD querem que a gratuitidade dos livros se estenda ao ensino privado. 
Tive de ler duas vezes para me certificar que não havia lapso, antes de entrar em fúria com a hipocrisia e incoerência da  turba laranja. 
Não vale a pena tentar explicar a essa gente que quem anda no ensino privado não precisa desse benefício e a exigência do PSD é imoral. Até porque, pior do que esta exigência em flic flac, é o facto de o PSD ter anunciado que vai apresentar queixa ao Provedor de Justiça, por considerar haver diferença de tratamento entre os estudantes do ensino público e os do privado.
Definitivamente, esta malta laranja não tem um pingo de vergonha na cara


5 comentários:

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    1. Esta semana a rubrica Humor fim de semana chegou mais cedo, Catarina. Mas amanhã ou domingo há mais :-)

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  2. Eu apenas corrigia o ultimo paragrafo:- Definitivamente, esta malta da politica não tem um pingo de vergonha na cara.

    Nunca votei em partidos da direita, já votei em vários da esquerda, mas infelizmente parece-me que esta "malta" basicamente é toda igual; querem um exemplo ? Aqui vai, directamente deste mesmo blog

    http://cronicasdorochedo.blogspot.pt/2018/01/s-bento-do-circo-para-o-casino.html

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    1. E se escrutinar bem, encontra mais posts com a tónica do que mencionou porque, ao contrário do que acontece no futebol, em matéria política critico tudo aquilo que considero errado.
      Concordo consigo quanto ao facto de haver gente sem vergonha em todos os partidos ( excepto, talvez, no PCP) mas não alinho na ideia de que os políticos são todos iguais. Há gente boa na política e eu continuo a acreditar que um dia, a moeda boa expulsará a moeda má :-)

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  3. Mas eu acredito que existe gente boa na politica, até provavelmente serão a maioria, o problema está nas elites, nas máquinas partidárias trituradoras do livre pensamento e dos compadrios e interesses corporativos que infelizmente são defendidos pelos grupos eleitos para representar aqueles que muitas das vezes são prejudicados por esses interesses.

    O meu desencanto com a politica teve a sua génese com a desilusão que me proporcionaram 3 individualidades politicas portuguesas - Mário Soares, que serve de paradigma ao aforismo publicas virtudes vícios privados, Paulo Portas que passou de jornalista independente a acérrimo guardião de interesses, e Durão Barroso, que trocou o País pelo interesse pessoal e que agora se dedica á infame tarefa de ponta de lança da Goldman Sach, um dos conspiradores da crise mundial e representante maior das financeiras de rapina.

    Não comungo da visão comunista, mas Álvaro Cunhal foi, apesar das suas contradições e defesa do indefensável, um dos últimos representantes do povo que era genuíno, frontal e respeitador da sua idiossincrasia - morreu com a sua verdade sem nunca se vender (não sei porque veio-me agora á memória o nome de Zita Seabra, deve ser uma epifania).

    Ser politico é difícil, mas deveria ser uma missão publica, nunca um trampolim para depois de deixar cargos com a tutela de sectores estratégicos, vir a pertencer á administração das maiores empresas outrora tuteladas - Jorge Coelho, Paulo Portas,Vitor Constancio, António Vitorino, Valente de Oliveira e muitos outros indignos do cargo que ocuparam e que um dia não passarão de um mero rodapé na história da politica portuguesa.

    Como diria Eça de Queiroz nas suas Farpas - «Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado: Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder… O poder não sai de uns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos. Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão - os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do País!Os outros, os que não estão no poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais - os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País. […] Até que enfim caem os cinco do poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente […]

    Há quantos anos o nosso País continua assim? Para quando uma mudança?

    Talvez uma utopia....

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