terça-feira, 13 de março de 2018

1986: os amigos de Alex

Hoje à noite,pelas 22 horas, estreia na RTP 1 a série 1986.
Não arrisco comentar previamente, mas palpita-me que teremos uma revisitação ao estilo Amigos de Alex  mas, certamente, sem a mesma pujança. 
Entretanto, recupero para os leitores do CR, um resumo  das minhas memórias  do ano 1986, escritas, produzidas e publicadas por mim em 1999, no âmbito do trabalho sobre  a História do século XX que, em breve, terá reedição em livro.






A entrada em 1986  faz-se ao som de Rui Reininho cantando “ Quero ver Portugal na CEE”. Foi feita a sua vontade...

No primeiro dia do ano , Portugal entra formalmente para a CEE e o primeiro bébé proveta a nascer no nosso País já é um cidadão comunitário. Ambos os acontecimentos podem ser registados com as novas máquinas fotográficas descartáveis.

No Hospital de Santa Cruz faz-se o primeiro transplante cardíaco. A medicina portuguesa vive um ano de glória. 
Acaba o papel selado e começa o "Cartão Jovem" . A sociedade de consumo proclama eufórica :"Venham a mim as criancinhas".

"Era Uma Vez na América" enche as salas de cinema, enquanto a campanha de Freitas do Amaral sob o lema "P'ra Frente Portugal" é feita ao bom estilo americano. Mário Soares "é fixe" e ganha as eleições, mas quem vai p'rá frente é a sociedade de consumo. A D. Branca está presa, mas a Bolsa faz a sua vez e os portugueses entram em euforia bolsista.

O filme “África Minha” é o rei de Hollywood, ao conquistar sete estatuetas e o nigeriano Wole Soyinka é o primeiro africano galardoado com o Prémio Nobel da literatura. A África do Sul, no entanto, persiste na sua teimosia e o governo vê-se obrigado a decretar o estado de sítio, na sequência de graves tumultos raciais.

O vai-vem Challenger explode com sete tripulantes a bordo. Pausa no programa de voos tripulados.

Aquilo que se dizia ser impossível acontece: em Chernobyl (URSS) explode um reactor da central nuclear e é libertada para a atmosfera uma gigantesca nuvem de radiações, que atinge vários países europeus.

Na Alemanha um incêndio numa fábrica de produtos químicos polui gravemente o Reno.

Os cientistas lançam alertas de perigo, mas os políticos assobiam para o ar. Se o povo quer circo, os políticos estão dispostos a fazer-lhe a vontade, em troca de uns votos nas urnas. Não admira, pois, que muitos tenham encarnado a figura do palhaço rico, para conferir mais realismo ao circo da sociedade de consumo.
Em Portugal os portugueses fazem filas. Para levantar dinheiro no multibanco e para preencher os boletins do totoloto, na esperança de verem descer a inflação. 
As agências de viagens andam numa azáfama a organizar excursões de todo o País para Lisboa. Motivo: nas Amoreiras fora inaugurado , em 1985, o farol da
sociedade de consumo à portuguesa - o Centro Comercial das Amoreiras. Os portugueses que antes do 25 de Abril se deslocavam a Badajoz para comprar caramelos, riem-se das hordas de espanhóis que invadem Lisboa e desembarcam, estupefactos, no paraíso ibérico da sociedade de consumo. ( Anos mais tarde o Corte Inglês há-de vingar os espanhóis, mas isso é outra história)
A partir de agora é possível uma visão do que será o século XXI, com a inauguração, perto de Paris, de La Villette- a Cidade da Ciência. Se as previsões não falharem, é capaz de ser agradável viver essa época tecnológica.
No final do ano, na URSS, a glasnost junta-se à  perestroika e com duas palavras apenas, os portugueses aprendem a falar russo.


7 comentários:

  1. De grandes filmes se fez este ano, como Platoon, que viria a ganhar o oscar em Março do ano seguinte, e o imperdivel Once Upon a time in America, com um dos melhores compositores de bandas sonoras de sempre - Ennio Morricone.

    Geraldine Page ganha o seu boneco ao fim de 8 nomeações, com A Trip to Bountiful, uma prova de que a velhice não é sinonimo de desistir dos sonhos.
    Romantico e ternurento.

    Quanto ao resto nunca me esquecerei das imagens do vaivém a explodir e da cara de panico e lágrimas dos comentadores em directo.

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    1. O que eu aprendo consigo sobre cinema! Obrigado. Carlos B. Oliveira

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    2. O que eu aprendo consigo sobre cinema! Obrigado.
      Agora sem confusões. No comentário anterior, o blogger não me deixou comentar com a minha identidade através do iPad.

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  2. Quanta coisa aconteceu em 1986!...

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    1. Isto foi só uma pequena parte, Bea. No meu livro escrevo sobre muito mais.

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  3. Um ano que viu aparecerem filmes que nunca mais se esquecem.
    Todinhos vistos no há já muito desaparecido Cinema Tivoli.

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    1. Ano de muito boa colheita, Pedro. O último de uma série de 4 anos em que estive a viver em Portugal. Ao Tivoli ia muito pouco. Era mais Nimas, Quarteto, Londres e King

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