sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Obrigado!



Eu sei que há  "Dias de" para tudo e para todos, mas em cada ano que passa aprendo sempre mais alguns que, normalmente, me deixam surpreso.
Ontem foi Dia  Internacional do Obrigado.  Dispenso-vos das explicações para a consagração deste dia internacional. Quem quiser saber faça como eu e pesquise no Google.
Não posso é deixar assinalar o retrocesso, em termos civilizacionais,que a consagração deste dia representa. 
Em primeiro lugar, porque é um dia marcadamente sexista. Devia ser Dia Internacional do OBRIGADO e do OBRIGADA, para não causar fricções na geringonça e ser politicamente correcto.
Ainda sou do tempo em que "Obrigado" era uma palavra corriqueira, utilizada por pessoas com um mínimo de educação  para exprimir agradecimento.
Desde pequenino fui ensinado a agradecer quando me ofereciam um presente, ou era alvo de um acto de simpatia por parte de alguém. Mesmo quando entrava numa loja com a minha Mãe, os/as empregados/as agradeciam e  nós  respondíamos com o "Obrigado/a" polido.
Hoje em dia, se abrir uma porta para deixar passar alguém, ceder o lugar nos transportes públicos a uma pessoa que precisa mais do que eu, parar o carro  quando um peão atravessa a rua fora da passadeira, raras vezes ouço uma palavra ou vejo um aceno de agradecimento. Neste último caso, o mais normal é mesmo receber um coro de buzinadelas dos condutores que seguem atrás de mim.  
Abrir a porta para deixar passar alguém é ( quase sempre) encarado pelos outros como uma obrigação, o que me leva a ser sarcástico e dizer eu "obrigado" e, quanto aos transportes públicos, os mais jovens já não oferecem os lugares aos mais velhos. Pelo contrário, disputam os lugares com eles.
De qualquer modo, o que mais me impressiona é oferecer um presente a um jovem e ser normalmente a Mãe que agradece, sendo raros os jovens  que se dignam "sujeitar-se" a ter de agradecer. 
Os jovens hoje em dia não agradecem, por uma razão muito simples: consideram que têm direito a tudo o que querem e os adultos têm a obrigação de lhe dar.
Eu sei que a culpa não lhes pode ser assacada por inteiro, pois na maioria dos casos são os pais que os desobrigam do agradecimento, porque se acham pais muito modernos e consideram a boa educação uma maçada, ou coisa de betinhos.
Talvez esteja a ser bastante "cota" e vos tenha feito perder tempo com este arrozoado. Se assim foi peço desculpa e... OBRIGADO por terem tido paciência para lerem este desabafo até ao fim.

9 comentários:

  1. Tive a paciência de ler o desabafo até ao fim. :)) Já tenho lido outros desabafos sobre o mesmo tema: a falta de educação das crianças, dos jovens.

    A minha experiência é diferente. Os canadianos são conhecidos por serem muito educados. Os thank yous, os sorry ou excuse me fazem parte do seu dia a dia. Estão escritos no seu DNA. :))

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  2. Muitas vezes fico com a sensação de que o agradecimento caíu em desuso.
    Certo dia, num estabelecimento, ouvi uma funcionária dizer para a colega que o cliente estava a ser chato porque dizia constantemente 'obrigado'.
    Onde isto já chegou!

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  3. de acordo com o amigo, pergunto. Onde é que eu assino?
    Bom fim de semana

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  4. Obrigada! Não tem de quê. Gostei de ler até ao fim. E embora não pareça ontem fartei-me de agradecer por ser tão bem tratada num sítio onde fui. E até meti conversa com jovens que estavam agarradas a tlm. No entanto, acintosamente, mudei-me dum lugar onde estava sentada, porque uma senhora esteve todo o tempo as berros ao telefone, bem junto ao meu ouvido e eu disse que não era obrigada a saber a vida das pessoas.

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    1. e por que é que não parece Anphy? claro que parece que a Anphy agradece sempre. Com as descascas que dá aos outros, de certeza que cumpre. Imagino-a uma pessoa simpática embora resmungue um bocado. Mas mais vale ser sincera. E eu gosto do seu modo de resmungar. Vá, resmungue lá mais um bocadinho. Assim uma coisa de rabugem de sono e isso.

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    2. Imagine bea que ontem que o jovem que me atendeu na inscrição da consulta e, passadas horas, que por acaso também me atendeu no pagamento, ainda se lembrava do meu nome. Meti-me com ele por causa do seu aspecto "saudável", acabou por me dizer depois de muita conversa que tinha praticado hóquei em patins, e sendo uma modalidade que eu sempre gostei comecei a falar dos meus ídolos de juventude em que não dormia para ouvir os relatos dos nossos campeonatos europeus e internacionais e a dizer-lhe que não acreditava que ele conhecesse Fernando Adrião porque não tinha idade para isso. Relatou-me o currículo do senhor e ainda falámos do Bouçós, Vaz Guedes, etc. além de outros assuntos. Tudo isto porque quando saí os serviços já estavam fechados. Mas ainda descasquei noutra empregada, porque não me soube responder a uma coisa (e não era obrigada a saber), mas pela resposta dela disse-lhe que "o saber não ocupa lugar" e que "ter informação é ter poder". Tudo isto num clima amigável. Fico "triste" quando vejo jovem licenciados a fazer de balconistas, mas ao mesmo tempo puxo por eles para que subam na vida. E tenho a certeza que há coisas que digo que alguns não se esquecerão, sobretudo se tiverem uma memória parecida com a minha...

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    3. a Anphy nasceu para acertar as pintas dos is que estejam fora do lugar ou em falta. Seja onde for que assuceda, lá vai fazer o seu trabalho. Sim senhora, gostei.

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  5. É melhor deixar-se de cantigas, bem sabe que gostamos de o ler. Mais, sabe muito bem que esgrime um assunto com certa arte. Eu diria que tem mesmo alguma elegância. E escusa de se envaidecer, é a pura verdade, sou pouco dada ao elogio gratuito.
    Posto isto, acho que as mães podem agradecer - e por vezes agradecem - pelas crianças, mas pelos jovens?! Então eles andam sempre com as mães atrás?! Não é a ideia que tenho. Bom, admito que tenha entendido mal, acontece-me um bocado.
    Quanto às crianças mal educadas..há de tudo. Mas, em geral, elas são mais "bem mandadas" e agradecem. A gratidão dos jovens...há quem agradeça. Mas, tal como o Carlos, penso que muitos se esquecem. E é verdade que, por regra, não dão passagem e que se alguém lha cede nem se lembram de um obrigado. Muitos. Não são todos. E nem posso avaliar se são a maioria. Curiosamente, no metro, já vi vários turistas levantarem-se para dar lugar e os portugueses ficarem a olhar como se o turista seja parvo. E desta atitude é que, francamente, não gosto.

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