terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Eu nunca adoptei este silêncio!


Os casos da "Raríssimas" e da IURD foram conhecidos quase em simultâneo. 
Sem surpresa, foi o caso Raríssimas a abrir telejornais e não a IURD. Afinal, enquanto a presidente de uma IPSS poderia servir de arma de arremesso contra o governo e provocar a queda de um ministro, as adopções ilegais da IURD punham "apenas" em causa a vida de crianças.
Nas  redes sociais a indignação com o caso Raríssimas atingia picos de audiência, enquanto sobre a IURD não se lia uma palavra.
Contra a corrente, escrevi no  FB:


"Lamento desiludir alguns entusiastas da "purificação social", mas estou muito mais impressionado com as reportagens da TVI sobre o rapto de crianças para adopção praticado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do que com a actuação da fundadora e presidente da Raríssimas".


A verdade é que a "Raríssimas" foi abrindo telejornais e fazendo primeiras páginas de jornais durante dias a fio. Mais propriamente, até ao dia em que se ficou a saber que o CDS - que cavalgara a onda da indignação- estava implicado até ao pescoço nas tais irregularidades.
 Depois veio o Natal,  surgiram casos de irregularidades ( para ser simpático...) noutras IPSS, os ânimos serenaram e não se voltou a falar na Raríssimas.
Não sei se por falta de tema para novo escândalo, se por uma genuína vontade de não deixar morrer o caso das adopções ilegais da IURD,terminadas as festas e escolhido o novo líder do PSD o caso voltou a ser notícia. 
Realizaram-se manifestações em várias cidades do país protestando contra o  estranho silêncio das autoridades, reclamando uma palavra do PR (sempre tão lesto a manifestar a sua indignação com casos em que estão envolvidas pessoas e a exigir responsabilidades) e a actuação do governo.
Marcelo Rebelo de Sousa mantém um estranho silêncio e ainda não exigiu apuramento de responsabilidades. Não quererá Marcelo ferir susceptibilidades  do outro lado do Atlàntico? Ou uma vez que o caso envolve uma seita religiosa, é de opinião que não se deve meter?
Às tantas nem uma coisa nem outra.  Marcelo estará "desconfortável",  em virtude das notícias que apontam para a responsabilidade da actual PGR na autorização das adopções que deveria ter travado.
Ora numa altura em que se discute a recondução de Joana Marques Vidal,  o caso IURD torna-se ainda mais delicado.
O caso IURD está nas mãos da justiça. Sabendo-se do envolvimento da PGR na situação, percebe-se como o assunto queima, mas seria este o momento de MRS demonstrar que não enfrenta os casos apenas a pensar na selfie. 
Só que estes incêndios, apesar de envolverem organismos do Estado e a responsabilidade de serviços e ministérios dos vários governos que autorizaram a abertura do Lar onde as crianças eram recolhidas para posterior adopção pelos bispos da IURD, não são do agrado de MRS.
O PR terá percebido que as chamas colaterais deste escândalo da seita de Edir Macedo o podem chamuscar e, por isso, remete-se a um cauteloso silêncio. Que se lixem as criancinhas!

6 comentários:

  1. Meu caro Carlinhosamigo

    Puseste o dedo na ferida e muito bem. Como disse o Augusto Santos Silva (adaptando) é malhar neles!

    Estou farto de sacanagens, de filhas de putices, mas também de mimos e sorrisos! Puta que os pariu!!!!

    Quando é que Portugal é um país sério e a sério? Com o nosso feitio nuca mais o seremos...

    Bem dada. Manda mais, assim directamente, de recado não custa nada...

    Abração to teu amigo e admirador

    Henrique, o Leãozão

    Não te esqueças de ir à NOSSA TRAVESSA e postar um comentário. Obrigado

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  2. Se for como diz no último parágrafo, acho mal. Discordo. Critico. O PR, dado que de tudo tem falado, está obrigado a dizer também alguma coisa neste caso. Afinal as crianças "são o melhor do mundo".

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  3. O caso da IURD terá que ser muito mais investigado e aprofundado para podermos emitir opiniões, Carlos.
    Lá chegaremos...

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    1. Até estou de acordo consigo, Pedro, se essa fosse a regra geral. Acontece, porém, que no caso Raríssimas e, principalmente, no gravíssimo caso dos incêndios, MRS foi lesto a apontar culpados e a exigir a demissão da ministra, embora não tivesse dados suficientes para reclamar essa demissão. Ora, como se veio a provar, as culpas da ministra foram reduzidas...

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