quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Eles só gostam de bifes do lombo



Os autarcas são o espelho fiel dos portugueses. Em nome da descentralização reclamam mais poderes, mais dinheiro, mais direitos, mais competências mas quando o governo lhes atribui responsabilidades e deveres aqui d'el Rei que o governo ( seja ele qual for) está a empurrar para as autarquias  competências do poder central.
Vem isto a propósito do projecto de diploma, apresentado pelo governo, que responsabiliza as autarquias pela limpeza das florestas, caso os proprietários não cumpram essa obrigação.
A proposta apresentada pelo governo insere-se num pacote de medidas de combate aos incêndios florestais e parece-me bastante sensata, pois em função da proximidade e conhecimento do terreno,  as autarquias estão muito mais habilitadas a detectar incumprimentos e obrigar os proprietários a cumprir a lei, do que o governo.
A contestação da ANMP a esta proposta do governo apenas confirma aquilo que todos sabemos. Em matéria de descentralização, os autarcas querem o lombo, mas rejeitam os ossos, porque dão muito trabalho a roer.
É só mais um alerta para os entusiastas da regionalização. Eu também já fui um deles, mas fui perdendo o entusiasmo, quando comecei a perceber que a maioria dos autarcas não está preparada para o desafio.

3 comentários:

  1. Ah pois. Os nossos autarcas - não serão todos - gostariam de uma boa vida. A de gerir dinheiros, por exemplo. Sem pensar em criá-los fora dos impostos; ou em desenvolver estratégias próprias que não só a gestão económica do que lhes chega de cima. E depois a influência partidária é uma coisa surreal mas muito real. Toda a decisão é partidária. Ou quase toda. Nesta encruzilhada do poder autárquico, os munícipes estão bem arranjados se não haja bom senso no implementar da dita regionalização que até julgo ser boa ideia.

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  2. O povo não está preparado para as exigências da democracia. Custa dizer, mas é assim...

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  3. Já há muito tempo que as autarquias deviam estar na primeira linha de prevenção dos incêndios.
    Mas precisam de meios para isso, não esquecer.

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