quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXXI)

Quase a terminar esta viagem pelo ano de 1968 regresso ao Álbum Branco dos Beatles com o tema Back in yhe USSR.
Boa noite.

"E quando não houver Autoeuropa?"




Roubei  o título deste post ao Rui Tavares que hoje escreve um artigo no Público sobre esta questão.
O  ponto de partida  do artigo de RT é o encerramento da OPEL na Azambuja, para a qual ninguém estava preparado, mas o mote é a  Autoeuropa e o que acontecerá na península de Setúbal, quando a fábrica abandonar o país.
Vale a pena sublinhar  quando, porque a questão  não  é saber  se a Autoeuropa vai sair de Portugal ( a prazo  isso é uma inevitabilidade) mas se o país está preparado para as consequências quando isso acontecer.
Acreditar que a Autoeuropa vai ficar eternamente em Portugal é tão ingénuo como acreditar no Pai Natal.
Num mundo globalizado, acabou a sedentarização empresarial. As empresas, como as pessoas, adquiriram mobilidade e tornaram-se nómadas, mudam de estratégia ou de negócio (core business) e têm de se reconverter. A reconversão pode acontecer no mesmo país, ou obrigar a uma deslocalização. 
Qualquer país do mundo tem de encarar esta nova realidade e Portugal não é excepção, mas nem  todos os países sofrem o mesmo impacto económico com a deslocalização de uma empresa chave para a sua economia.
É sabido o enorme peso que a Autoeuropa tem no PIB nacional. Não só pelo volume de negócio, mas também  pelo número de empresas e empregos directos e indirectos que gera.
A nossa dependência  da Autoeuropa é muito elevada  Não podemos, por isso, deixar ao sabor do acaso, das circunstâncias voláteis da economia e do mercado automóvel, a eventualidade de uma deslocalização  da Autoeuropa.
É importante começar a  definir, desde já, uma estratégia para  a eventualidade de a Volkswagen encerrar as portas da Autoeuropa em Palmela. Estratégia que inclua  não só os trabalhadores da AutoEuropa e o espaço físico da linha de montagem, mas também os trabalhadores e indústrias que, à boleia  da Autoeuropa, ali se instalaram e cuja sobrevivência será inviável sem ela.
À guisa de conclusão, esclareço  que não relaciono o encerramento da Autoeuropa com a instabilidade laboral que se vive na fábrica de Palmela. Como já escrevi diversas vezes, a situação é deveras preocupante e pode mesmo ser determinante, no momento em que a VW lançar outro modelo mas, pelo menos por agora, encaro-a como uma inevitabilidade a médio prazo, sustentada nas razões anteriormente aduzidas.

 

Justiça, uma ova!





Não é pelo facto de as investigações incidirem  agora sobre o presidente do SLB e um juiz ex-candidato à presidência do clube encarnado, que vou mudar a minha opinião sobre a justiça. Bastaria o facto de saber que ainda antes de se iniciarem as buscas à casa do juiz Rui Rangel, já lá estavam dois jornalistas da revista Sábado, para confirmar que  a justiça se assumiu como actriz principal do espectácuo mediático.
Como sabe quem há mais tempo me acompanha aqui no CR, deixei de acreditar na Justiça quando frequentei a Faculdade de Direito e percebi que tudo funcionava num sistema de castas.
Já passaram quase 50 anos desde que me desiludi e  não é preciso ser muito perspicaz para perceber que pouco mudou desde então.
A justiça existe para punir os pés descalço e o crime violento. STOP.
O peixe graúdo só é apanhado nas teias da justiça quando estala uma guerra entre facções e se zangam as comadres. (A maioria dos crimes de colarinho branco começa a ser investigada a partir de denúncias anónimas).
A partir daí, os apaniguados de cada uma das partes começam a movimentar-se  e a mexer as peças de xadrez melhor colocadas. Começa então a valer tudo, sendo que a comunicação social se revela a mais forte arma, pois permite fazer julgamentos populares e condenar na praça pública, mesmo que depois haja absolvição nos tribunais.
Neste momento há vários cidadãos, supostamente respeitáveis, sob suspeita, porque na guerra de facções vale tudo. Julgamentos em praça pública incluídos.
Sinto um enorme pavor quando vejo acumularem-se indícios de  que em Portugal se está a entrar num caminho conducente à politização da Justiça
A actuação dos agentes da justiça está a contribuir para a descredibilização das instituições e o descrédito da própria  democracia e seus intérpretes. 
Era expectável que a direita europeia aproveitasse a insídia permitida pelo MP, para levantar suspeições sobre Mário Centeno mas, para o MP, a única coisa que importa é criar junto da opinião pública a ideia de que está a fazer justiça e não a aplicar golpes baixos, mascarados de justiça.
Como escrevia ontem André Macedo no Jornal de Negócios  "a Justiça tem obrigação de distinguir entre uma investigação no gabinete de um ministro, ou na casa de um magistrado e uma rusga a um bar de alterne".
Ao misturar tudo e recorrer constantemente ao apoio da comunicação social, a justiça está a demitir-se da sua função. É isso que os acérrimos defensores de Joana Marques Vidal, entusiasmados com o excelente funcionamento da Justiça e o desempenho da PGR, ainda não perceberam.

Eu tinha avisado...

Ontem, após o empate do Benfica em Belém, avisei  que hoje, em Moreira de Cónegos, alguém se encarregaria de nos impedir de ganhar. 
É certo que não tivemos a estrelinha de campeão, mas não precisávamos de um árbitro a roubar-nos a vitória. Não me refiro ao golo invalidado ( já é normal que em caso de dúvida o VAR prejudique sempre o FC do Porto)  mas a um claríssimo penalty contra o Moreirense que não foi assinalado. Não sou eu apenas que o digo. O árbitro Pedro Henriques foi peremptório ao dizer que foi penalty claríssimo.
Só que neste caso o árbitro nem sequer consultou o VAR.  Já não me espanto nem revolto. Apenas constato que anda demasiada gente desonesta à solta nos relvados.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXX)

Esta noite os Bee Gees têm um recado para vós.
Boa noite!

Por quem os rios morrem





No início do Outono a fonte do rio Douro secou e surgiram notícias sobre a ameaça de morte do Tejo. De uma assentada a morte ameaça os nossos dois maiores  rios, mas a situação,gravíssima,  nem sequer abriu telejornais, nem  foi notícia de primeira página na imprensa portuguesa.
Esta situação é bastante elucidativa sobre as prioridades da nossa comunicação social e da  opinião pública.
Ambas expressam  facilmente a sua indignação  sobre questões políticas ou clubísticas mas, quando estão em causa situações que afectam directamente o nosso quotidiano, as pessoas reagem com um encolher de ombros, um lamento esquivo ou, quando muito, um dedo acusador às alterações climáticas.
Seria importante que, de uma vez por todas, percebêssemos que a defesa dos nossos recursos naturais- nomeadamente fluviais, agrícolas e florestais - está nas nossas mãos. Temos obrigação de nos revoltarmos e desencadear um sobressalto cívico, com o objectivo de salvaguardar o nosso património ambiental.
Atendo-me especificamente ao caso dos rios Tejo e Douro, é importante sublinhar que as alterações climáticas não são as únicas - nem sequer as principais- responsáveis pela situação gravíssima que  afecta os nossos dois maiores rios.

A morte do Tejo é uma morte há muito anunciada. O problema começa na origem, com o impacto provocado pela central nuclear de Almaraz, mas é mais profundo e estende-se ao longo de todo o percurso do Tejo. As descargas de efluentes industriais em vários pontos do percurso do rio, nomeadamente as  da responsabilidade das celuloses na zona de Vila Velha do Ródão,estão a contribuir para acelerar a morte do Tejo.
Em nome da defesa de postos de trabalho no interior, têm sido permitidos atropelos inadmissíveis à legislação em vigor, sem que os culpados sejam responsabilizados e severamente punidos. O espectáculo desolador provocado pela(s) última(s) descarga(s) no Tejo, que mataram milhares de peixes e inviabilizaram a  campanha da lampreia fizeram soar algumas campainhas de alarme e  todos os partidos exigiram medidas restritivas e punições exemplares para as empresas prevaricadoras. 
Curiosa unanimidade! Os partidos que pedem agora punições exemplares, são os mesmos que, por unanimidade, chumbaram a proposta do BE para redução drástica das descargas poluentes.
Em relação ao Douro, não se pode escamotear o efeito nefasto do excessivo trânsito fluvial, expresso nos cruzeiros de turismo, cujo exponencial crescimento  tem afectado negativamente todas as vertentes ambientais. Também os investimentos danosos que a pretexto de "projectos de interesse estratégico" têm sido feitos no Douro, colocando inclusivamente em risco o reconhecimento de Património Mundial da Humanidade, contribuíram significativamente para a doença que afecta o Douro. Há, todavia,uma boa notícia. Depois dos atentados de Foz Coa, do vale do Tua e do Sabor, perpetrados com a conivência do Estado, a Agência Portuguesa do  e a Direcção Geral do Património Cultural travaram o projecto da construção de um gasoduto, que a REN pretendia construir no Alto Douro Vinhateiro.
É certo que uma andorinha não faz a Primavera, mas há razões para encarar o futuro com optimismo, após este primeiro bater de pé do Estado às pretensões dos grandes interesses económicos, contrários aos das populações

Não há almoços grátis


É certo que Centeno devia saber que não há almoços grátis mas, se em vez de pedir 2 bilhetes ao SLB, tivesse adoptado ilegalmente uma criança no lar da IURD, certamente já não haveria problema. 
Só conheço a palavra  javardice para classificar o silêncio do MP e da PJ. Primeiro plantam notícias nos jornais, deixam que se lance a suspeição de que o ministro se vende pela merda de dois bilhetes para um jogo de futebol, e depois remetem-se ao silêncio. Teria custado alguma coisa esclarecer que a competência da isenção do IMI é das autarquias e não do ministro das finanças?
Ao deixar medrar na comunicação social a insídia sobre a honorabilidade de Mário Centeno, MP e PJ são co-responsáveis pelo desgaste  da imagem de Portugal e de Mário Centeno a nível internacional.
Alguém devia ser responsabilizado por isso, já que ninguém pode julgar este tipo de terrorismo informativo que, com a conivência de agentes da justiça, de quando em vez incendeia o país.

A Paixão segundo Bruno





Durante uma semana a comunicação social andou a anunciar que o SLB passaria para o primeiro lugar à condição, depois do jogo do Restelo.
Tudo indicava que assim seria, mas a falta de Krovinovic e de inspiração do ataque encarnado, não permitiu ao SLB, mesmo a jogar mal, trazer os três pontos do Restelo. 
Numa das poucas oportunidades que o Belenenses teve de marcar, concretizou. Faltavam poucos minutos para terminar o jogo e o cenário de derrota encarnada parecia inevitável. 
Só que Paixão, cuja arbitragem se pautou por uma dualidade de critérios inadmissível, decidiu que era altura de marcar um golo. Nos últimos minutos inclinou o campo e um minuto depois dos 5 de compensação, encheu-se de Fé e marcou um livre contra o Belenenses mesmo à entrada da área, que resultou no golo do empate.
Quando recolheu às cabines, lá tinha os vouchers à espera. Desta vez acompanhado de um bilhetinho onde se podia ler:
"Só levas metade, porque não tiveste coragem de anular o golo do Belenenses".
Paixão devolveu o bilhete com o seguinte recado:
"Não se preocupem. Amanhã (nde:esta noite) em Moreira de Cónegos, alguém se encarregará de vos devolver os dois pontos que aqui deixaram hoje."
Diga-se que o empate é justo e, se tivesse de haver um vencedor, esse seria o SLB. Só que Bruno Paixão não precisava de confirmar  que não é apenas um árbitro incompetente.

Memórias em vinil (CCCXIX)

Depois do fogo do fim de semana,  um registo doce e  calmo para o regresso ao trabalho sem sobressaltos.
Tenham uma boa semana com Atretha Franklin na cabine de som.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Importam-se de responder a uma pergunta?

Quando vocês eram jovens, se vos mandassem engolir uma pastilha de detergente (ou, vá lá, beber OMO com chocolate) vocês obedeciam e iam a correr tirar uma fotografia?
Desculpem a pergunta... mas como nunca me solicitaram tais tarefas hoje tão em voga, não sei se terei sido um jovem mal resolvido, ou sou um velho bota de elástico e essa dúvida preocupa-me.
Ainda irei a tempo de corrigir esta lacuna?

Preparando Pedrógão 2




Entra em vigor, no dia 1 de Fevereiro, a legislação aprovada pelo governo que proíbe novas plantações de eucaliptos em áreas anteriormente ocupadas por outras espécies.
Entretanto, como os tugas não dormem, aproveitaram este período de "vacatio legis" e correram a comprar sementes de eucalipto, antes de a Lei entrar em vigor. A febre foi tal, que esgotaram as sementes do mercado e a lista de espera atinge um milhão de árvores.
Comprova-se assim que os ditados populares "Gato escaldado de água fria tem medo" e "Depois de casa roubada trancas à porta" caíram em desuso.
Por culpa da indústria da celulose que continua a recomendar a plantação de eucaliptos, num apelo claro à ganância dos tugas.  


domingo, 28 de janeiro de 2018

No melhor pano cai a nódoa...

Tenho sido um acérrimo defensor da RTP e não me tenho cansado de louvar o trabalho desenvolvido por Nuno Artur Silva.
Nos últimos três anos, foi notório o salto qualitativo de uma televisão pública que o governo pafioso  numa primeira fase quis privatizar e, posteriormente, reduzir a um papel residual e de subserviência aos interesses dos privados  especialmente  os da SIC cujo patrão - É IMPORTANTE NÃO ESQUECER- é o militante nº 1 do PSD.
Pelo trabalho desenvolvido e pelo excelente profissional que é, Nuno Artur Silva não merecia a desconsideração do  CGI.  E a RTP não precisava desta nódoa a ensombrar a sua credibilidade e o trabalho que lhe tem permitido granjear simpatia e reconhecimento junto do público. 

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (88)


sábado, 27 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXVIII)

E já que ontem aticei a lareira, continuo hoje a pegar fogo.
Uma calorosa noite de sábado e um excelente domingo.
Boa noite.

Humor de fim de semana


Embora não tenha a veleidade de concorrer com o Pedro Coimbra ou o HenriquAmigo, vou tentar recuperar esta  rubrica que, durante um longo período, animou os fins de semana do CR.
Espero vir a ser bem sucedido...

Lição da semana

Se chegares ao fim da semana e não tiveres aprendido nada, então é porque nessa semana te esqueceste de viver.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXVII)

Vamos lá pegar fogo para o fim de semana?
Boa noite

Super Nanny (2)

Em relação ao post que escrevi sobre este programa, só queria  sugerir uma coisa aos indignados com  a exploração das crianças. Em vez de exigirem à SIC que acabe com o programa, ou reclamar que seja censurado, seria preferível  dirigirem a vossa indignação contra os pais que consentiram na exploração dos filhos.
Para além do que então escrevi sobre o comportamento dos pais, está a circular um "rumor" (?) nas redes sociais que, a confirmar-se, configura um cenário de exploração da criança.  "Diz-se" e escreve-se que cada família recebeu cerca de 1000€ para sujeitar o seu rebento à exposição mediática.   

Marcelo acusado de assédio sexual?

Marcelo Rebelo de Sousa tinha uma visita programada aos EUA para o próximo mês. 
Estava tudo combinado mas ontem a embaixada americana em Lisboa avisou o palácio de Belém que a visita seria cancelada, porque o movimento Metoo acusa Marcelo Rebelo de Sousa de assédio sexual em forma tentada.
Diz o Metoo que o nosso PR usa o estratagema das "selfies" para apalpar as mulheres. Como prova, apresentou o depoimento de uma senhora de 86 anos que diz ter sido molestada durante a visita de MRS a Pedrógão:
"Ele só dizia: tire uma selfie comigo, minha senhora! Ora eu não tenho idade para essas poucas vergonhas mas, como me disseram que era o Presidente da República, lá tive de aceitar, porque sou muito respeitadora da autoridade. Mas se pensam que me fiquei, estão muito enganadas. Assim que ele começou com os avanços e encostou a cara dele à minha, pus-me a bulir, que eu cá sou mulher séria e de um home só. Se o meu Alípio ainda fosse vivo ele havia de levar muito que contar..."

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXVI)



Já sem Syd Barrett, os Pink Floyd gravam em 1968 o álbum "A Saucerful of Secrets"
Escolhi este tema, mas nesta fase ainda não era  agarrado à banda.  Só anos mais tarde, com Roger Waters, os Pink Floyd entrariam para a minha galeria de eleitos.
Boa noite

O Brasil e a mulher de César



A minha relação com o Brasil sempre foi um bocado ambígua.
Entre o fascínio e a repulsa, a paixão e o rancor, desde muito cedo aprendi que não se pode confiar muito num país onde a justiça privada era (é?)  mais poderosa do que a dos tribunais 
Ouvi muitas vezes os lamentos da minha tia Ruth, deputada estadual, que enfrentou com galhardia a ditadura dos generais. Um dia, teve esta frase lapidar:
" Aqui no Brasil os juízes fazem política e os políticos gostam de fazer justiça, nem que seja pelas próprias mãos".
Muito provavelmente, hoje em dia os políticos não precisam de recorrer a jagunços para fazer a "sua" justiça. Têm comissários políticos investidos em juízes que usam os tribunais para vingar as elites corruptas brasileiras, prenhas de ódio porque  Lula da Silva deu um prato de sopa diário a milhões de brasileiros. 
As elites brasileiras divertem-se a jorrar toneladas de alimentos no lixo e depois ver os pobres catá-los para matar a fome.
O ódio que vi nas palavras e expressão dos juízes que condenaram Lula, mesmo sendo claro não existirem provas concludentes para o incriminar, é o espelho do ódio das élites que os investiram nos cargos.
A justiça brasileira continua saudosa da ditadura  que Bolsonaro jura nunca ter existido. É por isso que não julga Temer e apoiou a palhaçada do impeachment,  de Dilma Rousseff.
A justiça brasileira nem sequer se dá ao trabalho de disfarçar e fingir que é séria. Opta por ser acintosa, classista e partidária.
Eu sei que há algumas semelhanças entre a justiça brasileira e a portuguesa, sendo a principal a tendência para acusar quem é de esquerda e ilibar quem é de direita. ( A diferença nas decisões e no tratamento dos arguidos em casos como o BPN, os submarinos, os Pandur, ou mais recentemente a Tecnoforma, em contraponto com o caso Sócrates é bem elucidativa).
Mas mesmo sabendo isso, não deixo de ficar enojado com a actuação da justiça brasileira no caso Lula da Silva. Demonstra que a democracia brasileira é uma anedota e faz ferver o sangue brasileiro que me corre nas veias.
Este Brasil que glorifica os corruptos, odeia e escarnece dos pobres, e se purifica em seitas religiosas como a IURD, mete-me nojo! 

Eles só gostam de bifes do lombo



Os autarcas são o espelho fiel dos portugueses. Em nome da descentralização reclamam mais poderes, mais dinheiro, mais direitos, mais competências mas quando o governo lhes atribui responsabilidades e deveres aqui d'el Rei que o governo ( seja ele qual for) está a empurrar para as autarquias  competências do poder central.
Vem isto a propósito do projecto de diploma, apresentado pelo governo, que responsabiliza as autarquias pela limpeza das florestas, caso os proprietários não cumpram essa obrigação.
A proposta apresentada pelo governo insere-se num pacote de medidas de combate aos incêndios florestais e parece-me bastante sensata, pois em função da proximidade e conhecimento do terreno,  as autarquias estão muito mais habilitadas a detectar incumprimentos e obrigar os proprietários a cumprir a lei, do que o governo.
A contestação da ANMP a esta proposta do governo apenas confirma aquilo que todos sabemos. Em matéria de descentralização, os autarcas querem o lombo, mas rejeitam os ossos, porque dão muito trabalho a roer.
É só mais um alerta para os entusiastas da regionalização. Eu também já fui um deles, mas fui perdendo o entusiasmo, quando comecei a perceber que a maioria dos autarcas não está preparada para o desafio.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXV)

Outro grande álbum de 1968, de uma das minhas bandas preferidas. Boa noite

E de quem é a culpa?

Um estudo da Marktest conclui que, entre Janeiro de 2016 e Dezembro de 2017 Marcelo Rebelo de Sousa  teve 177h 07m 48s de tempo de antena nos canais abertos de televisão. sensivelmente mais 16 horas do que António Costa.
O mesmo estudo concluiu que MRS teve mais tempo de antena do que Sócrates e Cavaco juntos entre 2006 e 2007. 
Alguma comunicação social manifesta o seu espanto perante esta disparidade. Eu rio-me e apenas lembro que MRS saiu de comentador da TVI, mas as televisões nunca se desligaram dele. A TVI, por razões óbvias. Quanto aos outros canais, porque finalmente conseguiram ter, à borla, o comentador político mais disputado de sempre.

Quem lhes oferece um espelho?

Para memória futura...

... registo  ( sem comentários) estas palavras de um representante dos trabalhadores nas negociações com a administração da AutoEuropa que- a avaliar pelo que fui lendo e ouvindo- cedeu em matérias consideradas importantes pelos trabalhadores, como o trabalho por turnos e no fim de semana:
" Ainda não estamos totalmente satisfeitos, porque algumas das reivindicações não foram satisfeitas. As remunerações suplementares e os prémios, por exemplo, não devem ser agregadas aos salários, porque ficam sujeitas ao pagamento de impostos".


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXIV)


Este álbum dos Moody Blues é, seguramente, um dos melhores álbuns de 1968. Deixo-vos com Tuesday Afternoon. Boa noite!

Eu nunca adoptei este silêncio!


Os casos da "Raríssimas" e da IURD foram conhecidos quase em simultâneo. 
Sem surpresa, foi o caso Raríssimas a abrir telejornais e não a IURD. Afinal, enquanto a presidente de uma IPSS poderia servir de arma de arremesso contra o governo e provocar a queda de um ministro, as adopções ilegais da IURD punham "apenas" em causa a vida de crianças.
Nas  redes sociais a indignação com o caso Raríssimas atingia picos de audiência, enquanto sobre a IURD não se lia uma palavra.
Contra a corrente, escrevi no  FB:


"Lamento desiludir alguns entusiastas da "purificação social", mas estou muito mais impressionado com as reportagens da TVI sobre o rapto de crianças para adopção praticado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do que com a actuação da fundadora e presidente da Raríssimas".


A verdade é que a "Raríssimas" foi abrindo telejornais e fazendo primeiras páginas de jornais durante dias a fio. Mais propriamente, até ao dia em que se ficou a saber que o CDS - que cavalgara a onda da indignação- estava implicado até ao pescoço nas tais irregularidades.
 Depois veio o Natal,  surgiram casos de irregularidades ( para ser simpático...) noutras IPSS, os ânimos serenaram e não se voltou a falar na Raríssimas.
Não sei se por falta de tema para novo escândalo, se por uma genuína vontade de não deixar morrer o caso das adopções ilegais da IURD,terminadas as festas e escolhido o novo líder do PSD o caso voltou a ser notícia. 
Realizaram-se manifestações em várias cidades do país protestando contra o  estranho silêncio das autoridades, reclamando uma palavra do PR (sempre tão lesto a manifestar a sua indignação com casos em que estão envolvidas pessoas e a exigir responsabilidades) e a actuação do governo.
Marcelo Rebelo de Sousa mantém um estranho silêncio e ainda não exigiu apuramento de responsabilidades. Não quererá Marcelo ferir susceptibilidades  do outro lado do Atlàntico? Ou uma vez que o caso envolve uma seita religiosa, é de opinião que não se deve meter?
Às tantas nem uma coisa nem outra.  Marcelo estará "desconfortável",  em virtude das notícias que apontam para a responsabilidade da actual PGR na autorização das adopções que deveria ter travado.
Ora numa altura em que se discute a recondução de Joana Marques Vidal,  o caso IURD torna-se ainda mais delicado.
O caso IURD está nas mãos da justiça. Sabendo-se do envolvimento da PGR na situação, percebe-se como o assunto queima, mas seria este o momento de MRS demonstrar que não enfrenta os casos apenas a pensar na selfie. 
Só que estes incêndios, apesar de envolverem organismos do Estado e a responsabilidade de serviços e ministérios dos vários governos que autorizaram a abertura do Lar onde as crianças eram recolhidas para posterior adopção pelos bispos da IURD, não são do agrado de MRS.
O PR terá percebido que as chamas colaterais deste escândalo da seita de Edir Macedo o podem chamuscar e, por isso, remete-se a um cauteloso silêncio. Que se lixem as criancinhas!

Super Nanny




Ainda não vi nenhum programa da SuperNanny, pelo que continuarei a abster-me de comentar. No entanto, como era expectável, a discussão nas redes sociais fez aumentar as audiências do programa, o que a SIC agradece, já que a publicidade gratuita é sempre muito bem vinda. Como o demonstram exemplos de reality shows como o "Big Brother".
O que ouvi e li sobre o programa ( nomeadamente o debate promovido pela SIC ontem à noite)  foi suficiente para perceber que  o que está em causa é a exposição de crianças. 
Eu sei que há pais que consideram os filhos como propriedade sua. É o caso de João Miguel Tavares. Ao ouvir o intelectual das empregadas domésticas dizer que os pais têm todo o direito de expor os filhos publicamente, fiquei esclarecido. Não são só os ignorantes que olham para os filhos como objectos, ou animais de estimação.
Talvez um dia, quando  forem adultos, as crianças que estão a ser expostas gratuitamente na SIC ( é disso que se trata, não é?) mandem os pais à merda. É isso que eles merecem.
Bom dia!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXIII)

Para começar a semana embarquemos numa viagem interplanetária  com os Shocking Blue.
Boa noite e boa semana

S. Bento: do circo para o casino




Já sabíamos que, não raras vezes, a AR se transforma num verdadeiro circo.
Agora(?) ficámos a saber que, de quando em vez, também se transforma num casino onde a batota impera, com a anuência e concordância de todos os partidos.
A bem da verdade já se sabia da batota há muitos anos .Em 2007, no blog colectivo AlémdoBojador, onde eu escrevia, denunciei a situação que ontem o DN deu a conhecer e Rui Tavares hoje replicou no "Público" (seguir o link acima). 
Dez anos depois de eu ter levantado a questão e 17 após o acordo dos partidos para legalizar a batota, alguém se lembrou de trazer o assunto à colação. Mais vale tarde do que nunca...

Dói-me aqui, senhor doutor!

FOTO RR



Não me vou pronunciar sobre a proposta da Ordem dos Médicos  para acabar com os atestados médicos até 3 dias, porque não tenho informação suficiente sobre o assunto.
De qualquer  modo há três coisas que me preocupam:
1- Saber que as urgências dos hospitais seriam reduzidas em cerca de 20% (ainda mais à segunda-feira, dia de maior afluxo) se os médicos fossem dispensados de passar esses atestados.
Eu já suspeitava que os portugueses adoecem muito mais à segunda-feira do que nos outros dias da semana, mas não imaginava que o impacto nas urgências fosse tão elevado.
Isto é grave, porque pessoas que vão às urgências para pedir um atestado para uma constipação ou uma diarreia, estão a prejudicar quem está realmente doente.

2-Igualmente grave e preocupante é ouvir o Bastonário dos Médicos dizer que um médico não pode recusar um atestado a um doente que se queixa de uma dor de cabeça, ou de estômago.
A sério, senhor Bastonário? Não pode mesmo? Mas ao menos podia explicar a este ignorante porquê?


3- Leio que os médicos estão contra a proposta do seu Bastonário. O título da notícia é enganador, pois foi um médico do centro de saúde de Gouveia que emitiu essa opinião, mas serve de pretexto para colocar outra questão: aqueles médicos que viviam de passar dezenas de atestados médicos por dia já se reformaram? E, já agora, qual é a posição do Bastonário sobre estes profissionais de saúde, cujos nomes  toda a gente conhecia? Quer mandá-los para o desemprego?

domingo, 21 de janeiro de 2018

Portanto estamos nisto...

O LNEC garante que a bancada do Estoril nunca esteve em perigo e as pessoas sempre estiveram em segurança. Não volto a fazer esta pergunta mas, depois de saber que a Liga mantém a bancada interdita, não deixo de me espantar.
Anda alguém a brincar ao futebol e à verdade desportiva. E certamente não é o LNEC...
Agora o que eu aposto é que nada disto se estaria a passar, se aquela bola do Marega, à beira do intervalo, não tivesse batido na trave.

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (87)

Igreja de S.Francisco (Porto)
A minha Mãe enviou-me este postal em 1977 quando eu vivia em Washington. Aliás, todas as semanas me enviava postais do Porto. Presumo eu que a intenção seria dissuadir-me da ideia de virar andarilho. Felizmente não foi bem sucedida.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXII)

O incontornável Tom Jones para vos desejar uma excelente noite de sábado e um fabuloso domingo

Lição da semana

As leis do futebol  aprovadas por todos os clubes são boas, desde que o FC do Porto não as possa invocar.

Marcelo no Japão

O Presidente da República foi ao Japão.
Durante a estadia em Tókyo houve um terramoto em Osaka e Marcelo foi a correr apoiar as vítimas. No dia seguinte houve uma tempestade  em Tanegashima que destruiu as culturas e o nosso PR foi apoiar os agricultores. No dia em que vinha embora, um incêndio em Kyoto obrigou-o a adiar o regresso a Portugal, para dar uma palavra de conforto às vítimas e encontrar-se com uma brasileira que veio a correr dos EUA, onde estava de férias, para criar uma associação de apoio às vítimas.
Finalmente, lá conseguiu regressar a Lkisboa. Ainda no aeroporto, um jornalista japonês que não conseguira fixar o nome de Marcelo. perguntou ao embaixador japonês em Lisboa:
Desculpe, senhor embaixador, mas pode dizer-me como se escreve exactamente o nome do presidente da República de Portugal?
O embaixador pediu ao jornalista o bloco de apontamentos e escreveu:
- Ta-ki, Ta-li,Ta-ku-lá

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCXI)


Quem não se recorda deste grande sucesso dos Credence Clearwater Revival? 
Boa noite e bom fim de semana

Para bom entendedor...

Afiança a SIC que o relatório do LNEC garante que a segurança dos adeptos nunca esteve em perigo. Então por que razão foi suspenso o jogo? Porque os jogadores do Estoril já não podiam com  um gato pelo rabo e precisavam de descansar, tirando assim vantagem de um adiamento desnecessário. 
Há quem chame a isto "verdade desportiva"
Em tempo: antes que os idiotas do costume venham fazer comentários alarves, sugiro-lhes que leiam o regulamento das competições, ok?
Até lá, os comentários neste post serão moderados.

Igualdade de género?





A RTP escolheu estas  quatro mulheres para apresentar o Eurofestival. Nada a opor. São quatro mulheres lindas e se as canções forem foleiras ( como é habitual) pelo menos olhar para elas é um regalo para a vista.
Não resisto, porém, a colocar uma questão à CIG. Isto não viola as regras da igualdade de género?
E já agora, só mulheres brancas, porquê?
Se alguém puder responder, agradeço.

Já quase me esquecia...

... de dizer que, apesar de me ser indiferente a peleja eleitoral no seio da Laranja Mecânica, espero que a vitória de Rui Rio contribua para restituir ao PSD alguma dignidade e decência que perdeu durante o consulado coelhista.
No entanto, ao ver o que se passa a nível da bancada parlamentar, temo que o PSD continue a chafurdar na lama em que Passos Coelho o atolou.
Hugo Soares apoiou Santana Lopes, mas mantém-se agarrado ao lugar de líder parlamentar.Só quem não tem um mínimo de decência como Hugo Soares, é que não coloca o lugar à disposição.
Foi este o legado que Passos Coelho e a corja que o rodeava deixou na S. Caetano à Lapa. E, por favor, não me venham dizer que os partidos e os políticos são todos iguais. Não são.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCX)

Os Bee Gees não eram muito apreciados em Portugal, mas tinham inúmeros fãs nos países anglo saxónicos.
Quando este tema começava tocar nos bailes, logo era traduzido  para "Só tens paleio", mas foi um dos maiores sucessos da banda.

O Pilarete

A falta de civismo é mais poderosa que um pilarete


É muito desagradável à vista o espectáculo dos pilaretes plantados nos passeios para impedir os/ as condutores/as de estacionar em cima dos passeios, obstruindo a passagem de peões.
Normalmente, quem assim age tem uma noção de civismo que não ultrapassa o seu umbigo e confunde liberdade com falta de educação, por isso nem sequer lhes passa pela cabeça que estão a invadir a esfera dos direitos dos peões e que um cidadão que se desloque em cadeira de rodas, ou alguém que transporte um carrinho de bebé, por exemplo, terá de ir para a faixa de rodagem para poder passar.
Num país civilizado, esta falta de educação resolver-se-ia com multas pesadíssimas, suficientemente dissuasoras para os infractores. 
O problema é que, por cá, a comunicação social lança logo uma campanha contra a "caça à multa". Além disso, existe um grupo de advogados especializados em contestar multas  e o sistema de cobrança é tão obsoleto que a maioria delas prescreve. 

Bola de Neve




Sucedem-se os casos de irregularidades financeiras nas IPSS. Depois da Raríssimas e da Fundação "O Século", ontem a SIC revelou a existência de possíveis irregularidades que estão a ser investigadas numa IPSS do Seixal.
Volto a este tema, porque me é muito caro, pois há mais de uma década que luto pela transparência no sector da Economia Social.
Não ignoro a importância destas instituições no tecido social  português, mas reitero a necessidade de uma rigorosa fiscalização da sua actividade, que garanta transparência nas contas.
Não podemos continuar a assobiar para o lado e fingir que são coisas de somenos importância. A revista VISAO  da semana passada trazia uma reportagem sobre a acção da Maçonaria na Fundação Século, que nos devia deixar a todos preocupados.
A solidariedade e credulidade dos portugueses não pode ser aproveitada por famílias e grupos de interesses para enriquecer ou criar sistemas entretecidos de troca de influências.
Por exigência do CDS, foi dada roda livre às IPSS, durante o governo dos Pafiosos, mas é altura de colocar um travão aos desmandos que alimentam muitas delas.
As denúncias que têm sido feitas nas últimas semanas abriram os olhos à Segurança Social que parece estar agora mais atenta às irregularidades. Se assim for, estou certo que muitos outros casos virão a público, colocando em causa a credibilidade de toda a rede de IPSS.
Será injusto pensar que todas vivem na ilegalidade, mas também não podemos continuar a fechar os olhos a estas situações, com o pretexto de que as IPSS desenvolvem um trabalho meritório, essencial na sociedade portuguesa.
Isso seria aceitar as irregularidades ( para não dizer fraudes e desfalques) praticadas por gente sem escrúpulos que se aproveita da inoperância do Estado e da boa fé de milhares de portugueses.

Estavas (linda?) Inês posta em sossego

A Inês Herédia insulta Catherine Deneuve por discordar dela, mas esse não é o cerne da questão. O problema  mais grave é trata-la como se fosse mentecapta, usando expressões rasteiras e insidiosas e, acima de tudo utilizando um discurso palavroso e desarticulado.
Se é com missivas destas que elas querem que apoiemos as suas causas, aviso que para esses filmes fundamentalistas e asininos já dei e a única coisa que tenho a acrescentar é: IDE BUGIAR!
Ora ide ler este disparate. Ide!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCIX)

Um extraordinário sucesso que perdurou durante vários anos, este tema interpretado por Richard Harris

2077- 10 segundos para o futuro



Hoje vale a pena escrever sobre uma série documental de excelência que está a ser exibida pela RTP às terças feiras, logo a seguir ao Telejornal.
Produzida pela própria RTP, 2077- 10 segundos para o futuro faz uma viagem a um futuro bem próximo, que os mais jovens terão oportunidade de testemunhar.
Como seremos, em que tipo de sociedade viveremos, quais os grandes problemas e desafios que as gerações vindouras irão enfrentar? Será possível viver na Terra? E quais são as alternativas? Como serão as cidades do futuro? Depois de um período de abundância, como irão os nosso filhos  conviver com a escassez de água ou de alimentos? Qual o impacto da  Inteligência Artificial no nosso quotidiano e no mercado de trabalho?
Mais do que uma antevisão do futuro, 2077 dá respostas a múltiplas questões  sobre o legado que vamos deixar às novas gerações e coloca uma questão fulcral: as nossas escolhas de hoje vão condicionar o futuro.
Num tempo em que, a propósito de questões económicas e financeiras, muito se fala sobre o legado que vamos deixar aos nossos filhos e netos, 2077 obriga-nos a reflectir sobre o estado em que lhes deixaremos o planeta.
Os três programas já exibidos comprovam que estamos perante uma série que é uma lufada de ar fresco no panorama televisivo nacional. Apoiada em testemunhos e depoimentos variados de reputados cientistas, sociólogos, filósofos, economistas, ambientalistas e muitos outros conceituados especialistas em diversas áreas, a série mostra-nos uma realidade  ainda escondida, mas prestes a explodir para modificar as nossas vidas num prazo de duas ou três décadas. O mais impressionante é que já convivemos com uma boa parte dessa realidade,mas ainda não nos apercebemos.
Na próxima semana será exibido o último programa. Antes da sua exibição já é possível concluir que, apesar da evolução  tecnológica que irá transformar as cidades, o mercado de trabalho, a mobilidade, os recursos hídricos e energéticos, há também uma involução regressiva. Fomos nómadas, aprendemos a ser sedentários e, no futuro, voltaremos ao nomadismo ( em certa medida, a globalização marcou o início do regresso  ao nomadismo mas, no futuro, a palavra terá um significado muito mais abrangente).
Vivemos em cidades-Estado, evoluímos para o Estado Nação, mas voltaremos a viver em cidades Estado de dimensões gigantescas, onde a mobilidade conhecerá  conceitos inovadores, a arquitectura estará ao alcance de cada um, graças à tecnologia 3D que nos permitirá construir a nossa própria casa, os computadores deixarão as secretárias  e entrarão nos nossos corpos, obrigando-nos a estar cada vez mais interligados.
Ver 2077- 10 segundos para o futuro deixa-nos com a sensação de que o futuro poderia ser maravilhoso, não fora o facto de estarmos a contribuir, com a visão imediatista que temos da vida, para  que tudo saia errado.
Sinceramente, não sei se gostaria de viver nessa época.


Comentadores desportivos

O comentador desportivo é aquele tipo que vê um gajo a ser roubado descaradamente não reage porque não é do seu clube, mas  se a vítima ousar reclamar os seus direitos, aqui d'El Rei que é um oportunista.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCVIII)

Pausa nas memórias de 1968, para homenagear Madalena Iglésias que hoje nos deixou. RIP
Boa noite

Brandos Costumes e muita Fé.

No fim de semana morreram oito pessoas numa sociedade recreativa em Tondela, na sequência de um incêndio.
Parece ser um dado adquirido que as mortes poderiam ter sido evitadas se tivessem sido respeitadas as regras de segurança exigíveis para o edifício. 
Ontem à noite, no Estoril, a bancada de um estádio de futebol cedeu. Não são ainda conhecidas as causas mas, vendo as imagens, parece óbvio que, apesar de o estádio estar licenciado, alguém fez "vista grossa".
Neste país de brandos costumes, "a vista grossa" é recorrente e haverá muitas outras colectividades e estabelecimentos abertos ao público que não funcionam em condições de segurança.
Fiscalizações que não se fazem, vistorias adiadas,condescendência com irregularidades são, infelizmente,bastante comuns, mas a sorte tem estado presente em muitas situações que, recorrentemente, as pessoas rotulam como milagres.
É esta Fé nos milagres salvadores que leva as pessoas a falarem descontraidamente ao telemóvel enquanto conduzem, atirarem uma beata para a estrada, não apertar os cintos de segurança, correrem permanentemente riscos, porque as desgraças só acontecem aos outros. 
Nos últimos tempos, porém, os milagres parecem ter emigrado, enquanto a negligência tem aumentado. É por isso avisado exigir às autoridades que cumpram o seu dever e sejam extremamente rigorosas nas fiscalizações dos edifícios onde funcionem colectividades ou estabelecimentos abertos ao público.
Nem vou invocar a negligência popular nos incêndios de Outubro, mas espero que de uma vez por todas as pessoas que fazem queimadas em circunstâncias proibidas sejam tratadas como criminosas, julgadas e condenadas.
Não podem ocorrer mais situações como as de Tondela. Não pode continuar a política dos "paninhos quentes" para justificar a negligência das autoridades, nem pode haver medo em punir os responsáveis pela falta de manutenção.
Não estou nada optimista, confesso... Continuará a haver associações, lares de terceira idade, jardins de infância, ou  sociedades recreativas onde as normas de segurança, a fiscalização e a manutenção não são respeitadas, porque há uma inabalável Fé em Deus e em Nossa senhora de Fátima.
Como ainda ontem se viu ao querer realizar, hoje, a segunda parte de um jogo interrompido ao intervalo por não haver condições de segurança. Como se num passe de mágica, durante a noite, as condições de segurança regressassem e fosse possível voltar a instalar os 5 mil adeptos desalojados da bancada. A qual- é bom recordar- foi construída apenas há cinco anos.