quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCVIII)


Talvez não tenham saudades dos Trovante, mas quase aposto que sentem saudades daqueles anos. Boa noite.

O drama,a tragédia o horror...



Como se o resto do país não existisse,  é pelo meridiano dos gabinetes espalhados pela capital  que pessoas que não conhecem o país a norte do eixo Montejunto/ Estrela, tomam decisões que afectam centenas de milhares de pessoas no país inteiro.
Manifesto sempre concordância quando ouço as pessoas protestarem contra o excesso de centralismo em Lisboa, ou a desertificação do interior. Garanto-lhes o meu apoio, mas ciente de que as coisas não mudarão.
Sempre que um governo pensa descentralizar o Estado, levanta-se um coro de indignados. Alapados nos gabinetes, acomodados à vidinha na capital, intervalada com uns fins de semana prolongados no Algarve, ou a ida anual à terrinha, os lisbogueses insurgem-se contra ideia de descentralizar um serviço público. Como está a acontecer por estes dias com o Infarmed.
O país não muda porque os portugueses não mudam e, na verdade, ninguém na política, nem a trabalhar para o Estado, está interessado em que as coisas mudem. Na capital é que se está bem. A ideia de ir trabalhar para longe dos centros  da intrigazita e dos joguinhos de bastidores que garantem as promoções, aterroriza qualquer funcionário público, seja ele médico, professor, ou técnico do Estado.
A ideia de mudar de residência e de hábitos ( mesmo que isso implique uma melhoria do nível e da qualidade de vida) é um drama, uma tragédia, um horror, para qualquer trabalhador assalariado neste país.

Sai um cefalópede à lagareiro para a mesa 4, sff...

Os árbitros ameaçam fazer greve na 14ª jornada da I Liga se não forem satisfeitas as suas reivindicações.
Entre elas, a proibição de usar palavras como "polvo",  "padre" ou "apito dourado".
Pela minha parte não vejo problema.  Passo a comer  " cefalópede à lagareiro",  a confessar-me ao senhor prior e substituo os apitos por assobios. 
 Devo dizer que  as exigências dos árbitros são, na generalidade, muito pueris, mas  a reivindicação vocabular deixou-me a pensar se não terá sido mesmo iniciativa dos filhos dos homens do apito. Perdão, do assobio!
Sinceramente, também não percebo por que razão os árbitros não querem proibir as palavras "meia de leite" ou "fruta", mas ainda bem, porque assim, sempre posso continuar a levar  meia de leite e uma peça de fruta para comer à sombra deste eucalipto..

Ó tempo volta p'ra trás

Pela enésima vez lembro os leitores que entendo perfeitamente a luta dos professores. Isso não impede, porém, que critique as suas pretensões.
Não era preciso o PR vir lembrar-lhes que o tempo não volta atrás.  
Os professores têm obrigação de saber  que, assim como depois de um incêndio, ou de uma cheia,  as áreas afectadas pela catástrofe não voltarão a ser as mesmas, também será impossível recuperar, para efeitos de progressão na carreira,  o tempo que lhes foi roubado.
A insistência na recuperação desse tempo é, além de impossível, uma  pretensão egoísta e injusta. Os professores não têm o direito de exigir para eles o que não pode ser dado a outros funcionários públicos.
Compreendo que Mário Nogueira queira mostrar músculo, depois da derrota do PCP nas autárquicas. Não aceito que utilize os professores como arma de arremesso, nem entendo que os professores se deixem manipular como marionetas numa luta política, mascarada de reivindicação laboral. Isso denota falta de inteligência. Se assim não for, então é egoísmo puro. Em ambos os casos, os professores ficam mal na fotografia.