quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCVII)

Parece-me que ouvi algumas dezenas de leitores a desejarem-me boa noite, no momento em que estava a escolher a memória para esta noite. Só pode ter sido Telepatia!
Boa noite.

Levados da breca!



O país está em seca extrema, mas governo e autoridades confiam no civismo dos tugas para não ser necessário tomar medidas drásticas de racionamento.
Tendo em consideração o usual comportamento dos tugas, eu não teria tanta confiança. Diria mesmo que há indícios de andar já por aí muito boa gente a armazenar água para ludibriar eventuais restrições de consumo num futuro próximo.
Hoje li num escaparate a manchete do "Público" que me deixou ainda mais preocupado:
" Corrida à água
Portugueses fizeram quase 3500 furos em quatro meses"
(NE: De Junho a Setembro, o que dá uma média diária de 29 furos)
Não li a notícia mas presumo que a maioria destes furos não tenham sido licenciados, pois os furos clandestinos são uma banalidade em Portugal.
Há poucas semanas li num relatório (da APA?) que há 60 mil furos ( superficiais e subterrâneos)  licenciados o que, presumo, seja apenas uma pequena parte das captações existentes em Portugal.
Muitos destes furos revelam o "empreendedorismo" dos tugas, pois são feitos em zonas de perímetro urbano ou servidas por uma rede de abastecimento público.
Sendo sabido que os portugueses são levados da breca, ou para mais explícito e adequado a este caso, levados da broca, era bom que as autoridades encetassem de imediato uma fiscalização rigorosa, de modo a punir os infractores e proibir que, pelo menos enquanto durar a seca, sejam feitos novos furos.
Claro que a natural bonomia tuga, aliada à falta de coragem de quem manda, não me deixa nada optimista. Bem pelo contrário, temo que aumente exponencialmente o número de adeptos da broca em tempo de seca.
A continuar a este ritmo,  dentro em breve, Portugal visto do ar  por tripulantes de uma qualquer nave espacial,deve assemelhar-se a um monumental queijo gruyère ressequido.
E porquê Gruyere e não Ementhal, que também tem buracos?- perguntarão alguns leitores menos perspicazes.
A resposta parece-me óbvia. É que a poluição das águas, provocadas por descargas poluentes impregnam a atmosfera de um odor muito mais intenso


O futuro não é risonho

O país está muito melhor. As pessoas estão mais confiantes, recuperaram rendimentos e postos de trabalho, mas ainda está em convalescença dos traumatismos provocados, durante cinco anos, por um grupo de energúmenos.
Apesar dos hematomas e dores musculares que ainda lhe condicionam a locomoção, os portugueses comportam-se como os tipos que depois de uma forte gripe, ao mínimo sintoma de melhoras e uma ligeira diminuição da febre, levantam-se da cama e querem sair para a rua. 
Aos primeiros sintomas de melhoras da economia,  voltaram a endividar-se e o resultado é este: 
Nos últimos três meses aumentou o número de famílias sobreendividadas que pediram o apoio da DECO.
Eu já vi este filme e lembro-me bem como acabou.
Daí que comece a acreditar que o futuro não é risonho. As famílias endividam-se porque os bancos e outras instituições financeiras lhes concedem crédito às cegas pelo que, enquanto o problema não for encarado com coragem, penalizando fortemente as instituições que concedem crédito sem fazer uma avaliação rigorosa, o número de  famílias sobreendividadas continuará a aumentar.
Mário Centeno e diversas entidades- entre as quais a DECO-  já avisaram que os juros vão subir e as pessoas devem ter cuidado com os empréstimos que contraem. Só que, tal como acontece com a seca e as alterações climáticas, as pessoas não aprendem nada com o passado,nem dão importância aos avisos. Até ao dia em que a desgraça lhes bate à porta...