terça-feira, 7 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXXIV)

E com esta pergunta pertinente do Freddie Mercury vos deixo por hoje
Boa noite!

Portugal no Coração



Correu por aí a notícia de  que um canal de televisão norueguês, a propósito da crise catalã,  publicou a imagem de  um mapa onde a Ibéria  era toda ocupada por Espanha.
A situação é recorrente e até já vi um mapa com o mesmo erro numa revista brasileira.
Também já aqui vos contei  um episódio de há muitos anos, durante um jantar em Barcelona com o meu irmão e duas jovens suecas.  Elas  tinham passado férias no Algarve, nesse Verão, mas estavam muito pesarosas por não terem tido tempo de ir a Portugal.
Também este Verão, quando estava a jantar  num restaurante aqui da Linha, um casal norueguês meteu conversa a propósito da nossa gastronomia, que eles não apreciavam por ter bastante gordura. 
Disse-lhes que tinham razão mas, como me disseram que dali a dois dias iam para  Marbella e outras praias da costa do Mediterrâneo, avisei-os que a comida espanhola é bastante mais gorda do que a nossa.
Notei que eles se entreolharam, interrogativos, mas logo percebi a razão, quando o  homem me perguntou:
- A comida do sul é muito diferente daqui?
Expliquei-lhe que no sul de Portugal a comida era muito parecida com a que estavam a comer ( polvo grelhado) mas que em Espanha não iriam encontrar peixe grelhado como em Portugal, porque os espanhóis não sabem grelhar peixe.
- Cada província tem o seu tipo de comida e forma de cozinhar? Na Noruega também temos algumas diferenças, mas não são muito significativas.
- Pois, mas entre Portugal e Espanha as diferenças são bastante grandes. Ainda mais do que entre a Noruega e a Suécia, por exemplo. Países diferentes, culturas diferentes, gastronomia também diferente- expliquei
A senhora olhou-me com um ar tão espantado que tive de lhe perguntar:
- Sabem que Marbella fica em Espanha, não sabem? E que Espanha e Portugal são dois países diferentes, cada um com as suas leis e a sua língua...
Não sabiam. Estavam em Portugal há 5 dias, convencidos que estavam a passar férias numa província espanhola! ( Como a Catalunha, ou a Galiza, por exemplo).
Ficaram espantadíssimos ( diria mesmo incrédulos)  quando lhes disse que Portugal era um país independente desde 1143, muito antes de a Espanha se tornar um Estado com a configuração actual.
Durante mais de uma hora dei-lhes uma aula de História. Estavam absolutamente atónitos e talvez até um pouco envergonhados, por só terem descoberto que Portugal era um país independente - e não uma província de Espanha - na noite do quinto dia. 
Ao contrário do que possam pensar, também não eram analfabetos. Ele era engenheiro reformado e ela funcionária do Estado.
Perguntei-lhes  o que tinham visitado. Apenas Lisboa, onde visitaram os  Jerónimos, Torre de Belém, Castelo de S. Jorge e bairros históricos ( pela descrição Alfama, Mouraria e Bairro Alto) e, na manhã dessa sexta -feira, tinham ido a Sintra. O resto do tempo passaram-no entre Cascais e Estoril, onde estavam hospedados.
Por vezes custa a acreditar que, em pleno século XXI, haja turistas que não saibam que a Ibéria é partilhada por dois países independentes.
Lamentavelmente, não me lembrei de lhes perguntar se tinham comprado a viagem numa agência mas todos os dias, quando me cruzo com turistas no paredão, me pergunto quantos deles pensam estar numa província espanhola. Como as suecas que encontrei em Barcelona, nos anos 80,ainda antes de Portugal pertencer à UE. 
Pior ainda é pensar que, muitas vezes, é a  comunicação social a prestar informação errada. E isso é mesmo indesculpável.



Às vezes chegam cartas






Ainda sou do tempo em que os Correios portugueses eram considerados os melhores do mundo. Também ainda me lembro que, apesar de funcionarem bem e darem lucro, os CTT foram privatizados por esse fanático das privatizações que governou o país durante quatro anos.
Foram privatizados apenas porque sim, dentro da lógica  mercantilista de um jagunço apologista de que tudo deve ser vendido desde que dê lucro. Gente que só não vende a Mãe porque não encontra comprador.
Vem este introito a propósito do mau funcionamento dos CTT desde que foram privatizados e de que já dei aqui alguns exemplos.
Esta semana trago mais uma situação caricata. Na última quinta-feira estranhei que a VISÃO não estivesse na minha caixa do correio por volta das 10 da manhã.
Pensei que por alguma razão o carteiro se tivesse atrasado mas, ao constatar que depois do almoço ainda não chegara, interpelei a porteira.
Fiquei então a saber que a carteira está de férias e o seu "giro" está a ser feito por um colega. No entanto, o colega faz primeiro o seu "giro" e só faz o da colega, se o volume de correspondência assim o justificar.
Eu não queria acreditar, mas fiquei depois a saber que a mesma situação ocorre pelo menos noutros pontos do concelho de Lisboa. Por esta lógica, é provável que dentro de algum tempo a distribuição de correio ao domicílio passe a ser semanal.
E quanto ao atendimento ao público, situações como esta tendem a tornar-se banais