terça-feira, 31 de outubro de 2017

Memórias em vinil ( CCLXXVIII)

Em Noite de Bruxas este video talvez  consiga provocar alguns exorcismos.
Boa noite!

Três breves notas sobre a Catalunha ( e as ilusões de óptica)

1- O que torto nasce, tarde ou nunca se endireita
O processo de independência da Catalunha  parece-me irreversível. Mas não será para breve, porque começou torto e criou clivagens insanáveis. Quer na sociedade catalã, quer entre os principais protagonistas. Puigdemont confiou demasiadamente no apoio  popular e Rajoy acreditou que exibindo a musculatura iria acalmar os ânimos e pôr os independentistas na ordem.
Dois idiotas, portanto. Logo, não será com estes protagonistas que a Catalunha poderá aspirar à independência.

2- Nunca digas desta água não beberei
A " fuga" de Puigdemont para Bruxelas está a ser bastante mal vista, mesmo entre os apoiantes da independência, que preferiam vê-lo preso e elevado à figura de mártir, a ser acusado de fugir.
Penso que  a estratégia de Puigdemont é obrigar a UE a reconhecer que o problema catalão não é apenas um problema espanhol, mas sim europeu.
Na verdade, a UE pode fingir que não é nada com ela e os espanhóis que se amanhem, mas não pode ignorar casos flagrantes de violação de direitos humanos e de regras democráticas protagonizadas por um dos estados membros. Esses são mesmo problemas europeus e a UE não pode continuar a acobardar-se a fazer como a avestruz, sempre que tem de enfrentar problemas. Até porque as pessoas não se esqueceram da posição da UE em relação ao Kosovo
além do
3- Nem tudo o que parece é...
Quando vi nazis infiltrados na manifestação pró independência da Catalunha, a primeira coisa que me ocorreu não foi reagir contra a sua presença e proclamar " ao lado dos nazis nunca!".
O que de imediato me ocorreu foi que estava a assistir a mais uma golpada dos Castelhanos. Ao  facilitar a introdução de nazis nas manifs, Rajoy esperava reacções violentas por parte dos independentistas e aproveitar a violência para justificar o recurso a uma intervenção musculada.
Mais tarde do que cedo, a verdade virá ao de cima mas, por agora, não me venham com a treta de que a declaração de independência foi um golpe constitucional.

Conversa da Treta sobre Poupanças



Hoje assinala-se o Dia Internacional da Poupança. Já todos sabem o que penso dos "Dias de..."  pelo  que  me abstenho repetir mas, sobre o espanto veiculado pela comunicação escrita, falada e televisionada quanto ao facto de sermos um dos povos menos poupadinhos da Europa, vou deixar aqui registadas as três causas que me parecem justificar essa condição:
1- Os portugueses não poupam, porque não confiam nos bancos nem nos banqueiros.
Andar a poupar para quê? Para os Salgados e os amigos do Cavaco ficarem com o dinheiro das nossas poupanças e viverem regalados à custa do esforço de quem trabalha?

2- Os portugueses não poupam porque, no contexto europeu, a generalidade  ganha miseravelmente.  
Se a maioria dos portugueses ganha salários que apenas asseguram ( e mal) a sua subsistência, como pode poupar?

3- Os portugueses que têm condições para poupar não o fazem porque "são um estorvo e uma despesa"
Confusos? Eu explico. Se estão bem lembrados ( ainda ontem aqui escrevi sobre a personagem) o Hugo Soares, secundado por um grupo de jovens da JSD, diz que os " velhos são um estorvo e uma despesa"-
Ora digam-me lá quem é  o tipo que vai poupar, para ser internado pelos filhos/netos  num Lar manhoso, onde esperam que ele morra mais depressa para se apoderarem das poupanças do "velho/a"?  

Portanto, se querem que os portugueses poupem,  os bancos que valorizem as suas poupanças pagando juros decentes, em vez de lhes extorquirem as reformas e salários com taxas, taxinhas, comissões e outros expedientes de gamanço modernaço. Perceberam, ou precisam de um desenho?