quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXIV)

Tantos anos passados e ainda me arrepio quando ouço esta canção de 1929, recriada pelos Sandpipers muitos anos mais tarde. E  estas imagens deixam-me uma saudade!..
Boa noite.

Apedrejem-me... mas só depois de lerem o post até ao fim





Quando ouvi a notícia de uma actriz que se queixava de ter sido assediada sexualmente por Bush pai, pensei que a cena se tivesse passado na sala oval, durante a presidência do ambientalista céptico.
Qual não foi a minha surpresa quando soube que o ( presumível) apalpão do rabo aconteceu em 2013. Ou seja, quando Bush pai tinha 89 anos e já estava preso a uma cadeira de rodas.
Tenho um profundo desprezo por predadores sexuais mas, ao ver uma actriz queixar-se de ter sido assediada sexualmente por um velho com Parkinson , quatro anos depois da ocorrência, só me vem à cabeça uma palavra: OPORTUNISMO!
Há uma histeria generalizada nos EUA - que começa a estender-se à Europa- em relação ao assédio sexual. Não me refiro à idiotice de criminalizar o piropo. Estou a pensar em coisas mais corriqueiras como, no fim de um jantar, pegar afectuosamente na mão da companheira de ocasião e perguntar-lhe:
- Vamos até lá casa tomar um copo?
Palpita-me que, pelos padrões vigentes, o assédio sexual seja um crime cometido por  ( pelo menos) 90% dos homens heterossexuais.
Parece-me muito civilizado combater o assédio sexual no local de trabalho e em situações dominantes mas, estender o conceito às relações quotidianas entre homens e mulheres, entra no domínio da histeria feminista. Uma versão queima de soutiens do século XXI.
Ao longo da vida fui alvo de assédio sexual e nunca me queixei. Excepto quando isso aconteceu numa relação laboral, episódio que já vos contei.
Eu não quero viver num mundo onde as mulheres sejam consideradas objectos sexuais e estejam sujeitas aos ímpetos animalescos do macho mas viver num mundo liofilizado, onde as relações entre homens e mulheres sejam pautadas por códigos, é igualmente desagradável.
Qualquer dia, por absurdo, chegaremos ao ponto em que as relações entre homem e  mulher serão reguladas por um código de conduta de tal forma hermético, que elimine a líbido e o próprio prazer sexual.
Como costuma dizer uma amiga, só as mulheres feias ou sem auto estima não gostam de ser assediadas. (Creio que o mesmo se passa com os homens, mas adiante...)
O problema - acrescentarei eu a partir de agora- é que algumas, apesar de gostarem, querem lucrar com isso, fazendo-se passar por vítimas anos depois de os factos terem ocorrido. Pior ainda, nenhuma mulher reconhece que propiciou essas condições para tentar obter vantagens profissionais ou monetárias. Quem me vier dizer que essas situações são excepcionais ou é ingénuo, ou anda de olhos vendados. Pessoalmente, poderia contar mais de uma dezena de casos em que percebi que a aproximação feminina tinha objectivos meramente "promocionais".
Por isso sugiro a Heather Lind - actriz que certamente por ignorância minha desconhecia- e a todas as mulheres (alegadamente) que tenham algum tento na língua antes de se proclamarem vítimas de assédio sexual. Façam-no na hora e não décadas depois.  E, sobretudo, não criem condições favoráveis à ocorrência de situações de assédio sexual. Como ontem sugeria George Clooney, o primeiro passo podia ser recusarem-se a ir a entrevistas em suites de hotel...
O segundo ( na minha modesta opinião) era preocuparem-se mais com as mulheres que vivem em países  onde a violação é tolerada ( ou mesmo incentivada) ou são tratadas como  escravas e objectos. Nem sempre apenas sexuais.

Com Assunção Cristas na esplanada...

Ainda sou do tempo em que a política era discutida com mais elevação do que o futebol. Nessa altura, seguia apaixonadamente o debate político. 
Os tempos mudaram. O debate político foi perdendo qualidade porque o nível das temáticas e dos intervenientes, na generalidade, desceu ao  patamar dos comentadores desportivos. Isto é, ao nível da indigência argumentativa e lexical.
Ainda há  comentadores políticos com qualidade, mas as televisões não os querem porque não são suficientemente assertivos para levantar polémicas incendiárias. Quanto aos tribunos, são uma desgraça. Dizem que os bons tribunos não querem ir gastar o seu tempo a discutir trivialidades com gente da dimensão de um Hugo Soares, de uma Assunção Cristas, ou similares de esquerda, porque nesta matéria a indigência está bem distribuída por todas as bancadas do hemiciclo.
Como é óbvio, em dia de aniversário, não perdi tempo a assistir a um debate Porto- Benfica em versão S. Bento.
Ontem fui tentando informar-me o melhor que pude através dos jornais mas, o melhor depoimento que vi/li/ouvi  sobre o debate da moção de censura foi um diálogo na esplanada.
Estava eu a ler o artigo do Rui Tavares no "Público", quando um  diálogo me deu a entender que a leitura estava a ser partilhada na mesa do lado:
- Eh, pá! Tu viste a vergonha daquele debate ontem?
- Qual debate?
- O da moção de censura do CDS
- Ah! Não perco tempo com política, pá...
- Mas devias ter visto aquilo. Surreal! 
- Para que é que o CDS apresentou a moção de censura? Já sabia que não passava, para que andaram a perder tempo com politiquice em vez de discutirem o que interessa?
- Eh, pá, o CDS tinha de marcar posição, não te parece?
- Olha a mim não me parece nada. Sei é que desde que ficou à frente do PSD em Lisboa, o CDS só pensa em antecipar-se ao PSD. O deslumbramento foi tanto que a Cristas ficou contusa e precipitou-se. Acho que se vai arrepender (...)