quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXIII)


Tinha-o trazido aqui há pouco tempo, com "Blueberry Hill". Hoje, assinalo o falecimento dessa lenda que foi Fats Domino, com outro dos seus grandes sucessos. Boa noite!

"Saída de praia"




Ela saiu da loja  sorridente e visivelmente feliz  com a “saída de praia” que acabara de comprar na loja dos indianos do Tamariz.
Quando se juntou às amigas que a esperavam à saída do túnel, disse num tom bem disposto
“ What a bargain! I feel as if I am in Morocco or India.”
E lá foi, feliz da vida, estender-se no areal a desfrutar o sol numa maravilhosa tarde de Outubro e, muito provavelmente, a antecipar o prazer de estrear a sua “saída de praia”. Lindíssima, aliás...

Dunas são como divãs...de psicanálise







Ontem, como acontece todos os anos, passei o dia a  tentar esquecer que era dia do meu aniversário. Com o telemóvel desligado, mas  com o inseparável Moleskine por companhia, fui até ao Rochedo que deu nome a este blog.
Já lá não ia há muito tempo e o reencontro, como sempre, foi emotivo. Recuei quase 50 anos, ao dia em que o descobri, fiz uma viagem no tempo até àquele dia de 1977 em que me despedi dele, pensava eu que para sempre.
Infelizmente há memórias que não se apagam, nos acompanham a vida inteira e, por mais que as tentemos enterrar, ressuscitam com mais força, cada vez que lhes entreabrimos uma porta da mente.
Não me lembro de alguma vez, em Portugal, ter um dia de aniversário tão soalheiro. Normalmente o dia está cinzento e, pelo menos à noite, chove torrencialmente durante algumas horas. Ontem, aproveitei a dádiva para passar o dia no Guincho que, com os 28 graus de temperatura e a ausência de vento, estava ainda mais deslumbrante .
Depois de enterrar as memórias no meu rochedo, caminhei umas centenas de metros até às dunas de Cresmina.  A intenção era tomar um café na esplanada, enquanto absorvia aquela paisagem arrebatadora e, posteriormente,   terminar a leitura de "O Anjo Pornográfico" , mas cruzei-me com  uma família francesa, deslumbrada com a paisagem,  que mudou os meus planos.
Primeiro, a  surpresa de um telemóvel inundado de mensagens, quando o liguei para tirar estas fotos, depois a descoberta de que esta família francesa (casal, sogros e duas filhas de 6 e 8 anos)vive na Argentina, em Buenos Aires, e tem casa em Pinamar, para onde viajara durante boa parte da manhã enquanto estive ancorado no Rochedo. A conversa estendeu-se por várias horas e terminou com um convite que me deixou desvanecido. 
Este ano, no dia do meu aniversário, fiquei mais uma vez a pensar se não há coincidências...