domingo, 22 de outubro de 2017

Busca, Piloto. Busca!

- Olá Luís! Ouviste aquelas coisas chatas ontem na televisão?
- Ouvi.
- Então? Não reages a dizer  que aquilo é tudo mentira?
- Não interessa se é mentira ou não. O importante é que violaram as nossas caixas de correio e isso é crime!
- Olha, Luís. Tenho aqui uma ordem de busca. Para cortar o mal pela raiz o melhor era nós fazermos  isso o mais depressa possível.
- Está bem, pá, mas agora não me dá jeito. Falamos depois das férias, ok?
 
(Quatro meses depois)
 
- Olá Luís! Então não disseste nada e agora vais para os jornais dizer que queres uma investigação urgente?
- Pois quero, pá. Vocês andam a dormir ou quê?
- Mas tu é que ficaste de telefonar a dizer quando podíamos ir aí.
- Tens razão, pá. Desculpa. Então quando é que cá vêm?
- Dá-te jeito amanhã?
- Pode ser. Quem avisa as televisões? Nós ou vocês?
- Vocês. Mas vê lá se eliminaste as provas todas, ok?
-  Está descansado. Até amanhã.

 

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (75)

Este postal foi-me enviado por uma tia, em 1959, por altura do meu 10º aniversário.

Emprenhar pelos ouvidos é isto!

Semanas depois do desaparecimento de armas em Tancos,o ministro Azeredo Lopes deu uma entrevista e teve a ousadia de afirmar que, no limite, se poderia  colocar a hipótese de nem ter havido roubo.
Provavelmente prevendo que as suas palavras poderiam ser mal interpretadas, Azeredo Lopes perguntou se se tinha feito entender.
Eu, que ouvi a entrevista,  nunca tive dúvidas do que ele queria dizer, mas logo houve uns canalhas com carteira de jornalistas que deturparam as palavras de Azeredo Lopes e transmitiram para a opinião pública a ideia de que teria dito que, se calhar, não tinha havido roubo.
O país que emprenha de ouvido fez um alvoroço e a maluquinha de Arroios que dirige o CDS, exigiu logo a demissão do ministro.
Menos de 24 horas depois da demissão da ministra Constança Urbano de Sousa, o aparecimento das armas na Chamusca e, principalmente, a forma como foi comunicado o seu aparecimento à PJM, demonstra que muito provavelmente, o ministro tinha razão.