terça-feira, 17 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVI)

Os Middle of the Road numa canção dos anos 70, mas ainda muito sixties. Espero que se divirtam a ver o video. Boa noite

Frida e outras histórias




Em Setembro, após  um dos  terramotos que abalaram o México,  a  cadeia de televisão Televisa noticiou a existência de uma menina  que estava debaixo dos escombros  de uma escola. Chamava-se Frida Sofia. Uma jornalista conseguiu falar com a menina  e ouvir-lhe o choro. Outros, de jornais locais, ouviram-na pedir água e outro ainda viu a criança mexer um bracinho a pedir socorro. A Marinha mexicana identificou Frida Sofia como sendo uma criança de 12 anos que não morrera durante o abalo, porque se escondera debaixo de uma mesa de granito. 
 O México inteiro emocionou-se com a história. Brigadas de salvamento  foram deslocadas para o local e desdobraram-se em esforços para salvar Frida Sofia. A comunicação social noticiou que os bombeiros tinham conseguido, com uma mangueira, dar água à menina. 
A CNN  acrescentou que entrara em contacto com Frida Sofia e a criança dissera que tinha  mais crianças junto dela, à espera de serem salvas  O suspense durou dois dias.  O México ficou colado aos  televisores, emocionado, durante dois dias. 
Até se perceber que a história era falsa. Não havia criança nenhuma sob os escombros. A notícia foi dada inicialmente pela Marinha, baseada em testemunhos de socorristas e populares... 
A Televisa baptizou a menina de Frida Sofia e continuou a alimentar a história, enquanto pôde,  mesmo depois de a Marinha a ter desmentido. As audiências justificavam que a história não morresse tão depressa.
Por cá, foi noticiada a morte de um bebé de um mês durante os incêndios de domingo. A Protecção Civil, baseada em testemunhos populares, confirmou a morte, mas   o CDOS de Coimbra ( onde teria entrado o cadáver) não confirma.
Se bem se lembram, durante o incêndio de Pedrógão, também foi noticiada a queda de um Canadair espanhol e a morte do piloto. Quatro meses depois ambos se encontram bem. Porque nunca existiram.
Onde quero chegar com isto? A lado nenhum. Apenas à constatação de que hoje é preciso estar muito atento para destrinçar o que é notícia do que é telenovela ou reality show.

Animais de companhia




Toda a gente sabe que adoro animais e sempre aplaudi a legislação que  deixou de os considerar coisas, ou a que pune os donos que infligem maus tratos a animais ou os abandonam. Também ficaria muito satisfeito se fossem melhoradas as condições de transporte dos animais que vão para abate, bem como as condições em que  sobrevivem nos aviários, para acabarem nos nossos pratos .
No entanto, esta proposta de lei que permite a entrada de animais em restaurantes parece-me descabida, por várias razões. Uma delas é não estar definido na Lei o que são animais de companhia (  tenho um amigo que anda com um pequeno sagui para todo o lado e sei quem tem coelhos e até pequenas cobaias que, como todos sabem, são dos animais mais porcos à face da terra) Há outra ainda mais importante: os proprietários dos animais que desrespeitam os outros clientes.
Ainda no último Verão  tive um quiproquo no Hotel da Paraia Verde, porque um cliente ia para a sala do pequeno almoço com um cão monstruoso que se esforçava por ficar sossegado, mas era muito "falador" e passava o tempo todo a ladrar, a ganir e a abanar-se.
Eu não vou de férias para ser importunado com pêlos de cães e gatos, por isso, espero que  hotéis e restaurantes passem a informar nos seus sites se aceitam cães. É que talvez os autores da proposta não saibam o que significa " contaminação cruzada", mas eu explico: o simples abanar da cauda de um cão pode não só lançar pêlos para as mesas vizinhas, como contaminar comida. Se gostam de comer em pocilgas e a higiene não vos preocupa,  nada contra mas, por favor,  não obriguem os outros a partilhar a vossa manjedoura.
E não me venham com a treta de que a regulamentação da Lei prevê a punição dos infractores. Todos os dias vejo montanhas de cocós nas ruas e nos jardins onde brincam crianças e nunca vi ninguém ser multado por não limpar o cocó do seu cão. 
Já agora, sugiro que ouçam os comentários dos turistas que passeiam no paredão Cascais- Azarujinha, quando vêem os montes de cocós espalhados ao longo daqueles três quilómetros. 
Pelos direitos dos animais vou onde quiserem, mas não tenho pachorra para este peditório. 
Os senhores deputados que apresentam propostas que colocam em causa a saúde pública deviam, pura e simplesmente, perder o mandato. 
Finalmente, com a devida vénia, replico as perguntas colocadas por este nosso amigo Acrescento apenas mais uma. E porque não autorizar a entrada de animais nos hospitais, incluindo os blocos operatórios?