segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXV)


Eu também gostava, por isso, deixo este desafio para início de semana: quais são os vossos contributos para que isto possa acontecer?
Boa noite e boa semana.

E mais Pedrógãos virão...




Quem acredita que nos próximos anos não haverá mais Pedrógãos, ou vive na Lua, ou é ignorante.
Há 30 anos que sabíamos que os incêndios iriam ser uma calamidade em Portugal. Mas também em toda a Península Ibérica, na Califórnia, na Austrália e na América do Sul ( especialmente no Chile). Pode dizer-se, com razão, que o Estado devia ter aplicado medidas preventivas que atenuassem os efeitos dos incêndios, até porque já tínhamos sido avisados pelo menos duas vezes este século de que os incêndios tinham tendência a tornar-se mais devastadores. A verdade é que pelo menos na Califórnia e na Austrália foram tomadas medidas e as notícias e imagens que ainda hoje chegam da Califórnia são aterradoras. 
Podem continuar a pedir a cabeça da ministra como troféu, ou exigir a demissão do governo, mas novos Pedrógãos são inevitáveis porque as alterações climáticas criam condições favoráveis a ocorrências aparentemente inexplicáveis. Escrevi dezenas de artigos sobre este assunto e não terei sido o único a não me surpreender com a tragédia de Pedrógão. Surpreende-me mais que haja pessoas a exigir a demissão da ministra, como se o problema se resolvesse com mudança de rostos ou de cadeiras, quando em causa estão catástrofes naturais.
Os inúmeros testemunhos de populares, ouvidos ao longo do dia, afiançam que nunca foram vistas condições atmosféricas como as verificadas durante os incêndios de ontem.  
Para desgosto dos mais cépticos e dos que gostam de fazer aproveitamento político das catástrofes, estes testemunhos e a realidade confirmam que, pelo menos desde Pedrógão, são conhecidas e experienciadas as alterações climáticas que afectam Portugal e propiciam a rápida propagação das chamas.
Esse reconhecimento não invalida, porém,  que acredite na possibilidade  de reduzir o número de incêndios. Não acredito é que isso seja possível com brandos costumes.
Enquanto incendiários apanhados em flagrante continuarem a ser mandados em paz, ou a serem punidos  com penas ridículas (quase sempre suspensas);
Enquanto as autoridades continuarem a fechar os olhos a quem faz queimadas;
Enquanto não forem proibidos os foguetes e fogos de artifício em tudo quanto é romaria, durante os meses de Verão;
Enquanto não forem punidas severamente as faltas de civismo dos condutores, propiciadoras de provocar ignições;
Enquanto não se repensar a Floresta e o Ordenamento do Território;
Enquanto os partidos políticos continuarem a usar os incêndios como arma de arremesso político, em vez de se porem  de acordo sobre as medidas essenciais e urgentes que são necessárias para diminuir o risco de incêndios ( repensar a Floresta, o Ordenamento do Território, a política dos baldios e um conjunto alargado de penas dissuasoras para comportamentos cívicos que funcionam como ignição de incêndios);
Enquanto as estradas florestais continuarem a ser caminhos de cabras destinados apenas a veículos todo terreno;
Enquanto não houver coragem de combater as mafias dos fogos;
Enquanto continuarmos a ser este maldito país de Brandos Costumes, onde proliferam os irresponsáveis e egoístas, os incêndios continuarão a consumir o país e os nossos recursos naturais. 
Tudo isto, aliado à incontornável questão das alterações climáticas ( que muitos continuam a negar, apesar das evidências ) contribuirá para destruir o nosso património Natural.
 Sem medidas drásticas, mais incêndios hão-de vir, o país continuará a arder e toda a gente a lamentar o horror,  mas nada impedirá que novos Pedrógãos ocorram. Parafraseando Marcelo Rebelo de Sousa, diria que chega de conversa e de apontar dedos a potenciais culpados. É altura de mudarmos de vida, antes que as alterações climáticas acabem com ela neste rectângulo à beira mar plantado.
Não há nada a fazer por quem não perceba isso. A não ser perguntar-lhes se  dão razão  aos galegos que nos estão a culpar dos incêndios  que devastam a Galiza.
Uma vez que não vejo os povos desses países a pedirem a demissão de nenhum ministro palpita-me que, não tarda nada, ainda alguém  vai culpar o governo dos incêndios na Califórnia, no Chile ou na  Austrália.
Nessa altura, Constança Urbano de Sousa demite-se ou será demitida e os ministros da Administração Interna desses países permanecerão nos seus lugares, porque já foi encontrado um culpado. Para gáudio de Assunção Cristas e pafiosos similares. 

Expliquem-me como se eu fosse muito burro

Não vou pronunciar-me mais sobre a Operação Marquês. Apenas gostaria que alguém me explicasse a razão de todos os processos relacionados com o BPN terem sido arquivados por decisão do MP.  

Caderneta de cromos (61)



Daniel Bessa  foi, durante seis meses, ministro da economia  de António Guterres.
Eu não percebo nada de economia mas - diz quem sabe-  Daniel Bessa foi um ministro medíocre  que não deixou obra feita e  só aceitou ser ministro do PS para enriquecer o currículo.
Desde que abandonou o governo, em 1996, tem-se especializado em dar entrevistas a tecer fortes críticas a todos os governos e aos seus sucessores no cargo. Já se torna repetitivo o seu slogan " se fosse eu faria muito melhor".
Em sexta-feira 13, Daniel Bessa deu uma entrevista ao Público onde voltou a insistir que, se estivesse no governo  faria muito melhor e o défice seria, no máximo, ZERO!  E como o faria? Não aumentando salários nem reformas, nem dinamizando o consumo. Apenas dando estímulos às empresas.
Ora porra, Daniel! Essa receita já nós experimentámos durante quatro anos e não gostámos, por isso, vais direitinho para a caderneta de cromos. Mas não levas cola!  Quem te quiser fixar na caderneta terá de cuspir nas costas do teu cromo.
É que  tipos que gostam de armar ao pingarelho, mas não têm obra feita, sempre me provocaram um certo asco.