sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXIII)

Em jeito de aquecimento para o fim de semana. Boa noite e bom fim de semana

Como diria Pinheiro de Azevedo: Bardamerda!

Ouvi Marta Soares dizer que o relatório da Comissão Independente ao incêndio de Pedrógão nunca ouviu as pessoas e entidades que são apontadas como responsáveis.
Isso não impediu a direita de cavalgar a onda do pedido de demissão da ministra.
Eu até apoiaria a demissão de Constança Urbano de Sousa se isso resolvesse o problema dos incêndios. 
Não resolve e a escumalha da direita sabe, mas não apresenta propostas de medidas porque gosta é de folclore. Não lhes chega o aproveitamento canalha da desgraça das vítimas e a invenção de suicídios que nunca aconteceram. Querem é o folclore  da demissão da ministra para lançar foguetes e apanhar as canas. VÃO BARDAMERDA!

Amsterdam: I want to ride my bicycle





Convenhamos que não é fácil circular em ciclovias como esta do paredão de Cascais, que mais parece ter sido desenhada em noite de bebedeira...

Enquanto as principais cidades europeias alicerçam argumentos e traçam estratégias para reduzir progressivamente o trânsito automóvel nos centros históricos, em Amsterdam essa discussão não faz qualquer sentido. Por lá, as autoridades estudam a hipótese de proibir as bicicletas no centro da cidade.
Pode parecer uma ideia fundamentalista mas quem conhece Amsterdam e já esteve várias vezes em risco de ser atropelado por uma bicicleta, compreende a decisão. Ao contrário do que acontece em cidades como Copenhague, Estocolmo ou Moscovo, onde as ciclovias estão bem delineadas e os  ciclistas respeitam escrupulosamente as regras de trânsito, em Amsterdam muitos ciclistas parecem utilizar bicicletas com motor tal é a velocidade a que  circulam pelas ruas da cidade. O respeito pelos semáforos também não é universal e, enquanto nas cidades referidas, os ciclistas circulam de forma organizada, sem mudanças de direcção inesperadas, em Amsterdam os ciclistas têm características mais latinas e os acidentes e atropelamentos são frequentes.
Dizem as autoridades locais que o perigo vem dos turistas que alugam bicicletas para conhecer a idade  e não dos  habitantes locais, que estão familiarizados com as regras da cidade.
Não sei se será bem assim. Acredito mais na possibilidade de estarmos a caminhar para o modelo das cidades do futuro, onde a circulação ficará restringida a peões e veículos de emergência.
A discussão sobre as cidades do futuro começou em Istambul há mais de duas décadas e, nos países mais civilizados, os centros históricos serão devolvidos aos peões dentro de algumas décadas.
Essa será mais uma medida a marcar a diferença entre o norte e o sul da Europa. Enquanto nos países do norte já se vai discutindo regras para os ciclistas, no sul ainda estamos na fase de sensibilizar as pessoas a  andar de bicicleta e a promover a convivencia entre peões,  ciclistas e automobilistas. Um trabalho árduo que está por fazer, mas urge iniciar, para que os peões deixem de invadir as ciclovias e os ciclistas circulem dentro das ciclovias, respeitem os espaços onde o acesso lhes está vedado, não andem à noite sem luzes e tenham em atenção a velocidade a que circulam, nomeadamente quando invadem os espaços destinados a  peões.
Quem vai às Docas, anda no Paredão de Cascais ou na zona ribeirinha do Tejo, sabe do que estou a falar…