sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLVII)


Boa noite e bom fim de semana

Amordaçados?

Piqué, jogador do Barcelona e indiscutível da selecção espanhola, não teve medo de manifestar a sua opinião pró independência da Catalunha. Foi votar e, em lágrimas, lamentou a intervenção violenta da Guardia Civil
Os espanhóis não gostaram e nos últimos dias, quando ele aparece junto da selecção,  apupam-no, insultam-no e chamam-lhe traidor.Perante a hostilidade dos espanhóis, Lopetegui foi mesmo obrigado a interromper um treino para evitar males maiores.
Impossível não recordar o episódio protagonizado por John Carlos e Tommie Smithnos JO do México, que lhes custou as medalhas conquistadas e a expulsão da equipa americana de atletismo.
Mais tarde ambos foram reabilitados e o seu gesto é, ainda hoje, considerado um momento marcante na luta dos negros contra a segregação racial.
Custa-me perceber a razão por que as pessoas não aceitam que os seus ídolos do desporto manifestem opiniões. Apesar das alegrias e momentos de exaltação que muitos atletas lhes proporcionam, as pessoas não aceitam que eles  tenham convicções e manifestem os seus sentimentos. Querem ídolos amordaçados. 
Quando exprimem opiniões políticas, rapidamente passam de ídolos a proscritos e os seus sucessos desportivos são rapidamente esquecidos.
Um dia, quando a Catalunha se tornar independente, o gesto de Piqué vai ser lembrado como exemplo de generosidade e amor à sua Pátria. Até lá, porém, prevejo que a sua vida desportiva não seja fácil. 

Nobel da Literatura para Ishiguro



Durante anos António Lobo Antunes foi apontado como candidato ao prémio Nobel da Literatura, mas a escolha da Academia Sueca acabou por recair em Saramago. Desde então, as hipóteses de António Lobo Antunes vencer o Nobel reduziram-se drasticamente.
Lembrei-me disto quando  soube que o Prémio Nobel da Literatura deste ano tinha sido atribuído a Kasuo Ishiguro.
É que desde há anos Haruki Murakami  era apontado como  o escritor japonês  com mais possibilidades de um dia vencer o Nobel da Literatura.
Embora Ishiguro seja anglo-japonês, a sua escolha vem igualmente diminuir a possibilidade de Murakami vir a conquistar um Nobel. Todos sabem que sou admirador confesso do autor de IQ84, pelo que fiquei um pouco decepcionado ao aperceber-me que  dificilmente receberá o Premio Nobel
Não está em causa o mérito de Ishiguro, de cuja obra apenas li " Os Despojos do Dia" e "Nunca me deixes", mas  a escrita e a imagética de Murakami são, em minha opinião, superlativas.