quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCL)

Há momentos em que os amigos ajudam muito e, felizmente, tenho sentido esse apoio quando deles mais preciso. É especialmente a eles que hoje dedico esta canção do Joe Cocker.
Boa noite!

A política e os animais

 
 
 
Quando aparece um novo partido, mesmo com ideias fora da caixa, a reação da maioria das pessoas é reagir com indiferença ou pensar " mais uns que se querem encher". 
À partida acredito em quem procura lutar contra a corrente mas devo reconhecer que foi com algum cepticismo que assisti à entrada do PAN na cena política portuguesa.
A campanha autárquica demonstrou, porém,  que o PAN conseguiu introduzir na agenda política -de forma transversal-  o debate sobre os animais. Ou, pelo menos, obrigou os partidos a prestar alguma atenção aso cães. Cristas organizou uma Caocentração, Teresa Leal Coelho todos os dias faz festinhas a cães e até Catarina Martins visitou uma associação de recolha de cães abandonados.
Pode dizer-se - e é verdade- que há muita hipocrisia, ou que dar atenção apenas  aos cães é muito pouco ambicioso, porque a vida animal deve ser encarada na sua globalidade, prestando especial atenção a questões como o transporte de animais, medidas para a preservação das espécies, ou as condições sanitárias. Por outro lado, num país onde a tourada faz parte da cultura de um povo, a defesa dos direitos dos animais  resume-se aos denominados animais de companhia e pouco mais.
De qualquer modo, é justo salientar que sem o PAN, o tema dos direitos dos animais continuaria a ser ignorado e legislação sobre a utilização de animais em espectáculos de diversão, ou as condições de vida dos animais de cativeiro, continuaria a ser adiada para as calendas. Devagarinho, os portugueses vão metendo na cabeça que devem respeitá-los e não os tratar como coisas. Será pouco, mas é um princípio.
Agora fico a torcer para que apareça um partido disposto a colocar na ordem do dia a educação dos proprietários de animais de companhia. É que todos os dias assisto a cenas degradantes de desrespeito pelas mínimas normas de convivência cívica, protagonizadas por donos de animais de companhia.
 

No princípio era o Euro...

Alice Weidel
 
 
Inicialmente,  quando era liderado por Bernd Lucke, o AfD era apenas um partido de direita, anti europeísta, que se opunha ao euro e ao resgate aos países do sul.
A responsável pela deriva da AfD  para a extrema direita foi Frauke Perry que introduziu a bandeira anti-imigração no programa do partido. Perry leva a questão da imigração tão a sério, que defende o direito de a polícia alemã disparar sobre  refugiados que atravessem a fronteira alemã.
A ascensão de Adolfina parecia imparável, pelo que foi surpreendente a sua demissão  do AfD no dia seguinte às eleições. As razões invocadas? O partido ter virado demasiado à direita.
Agora imagine-se como serão os candidatos à líderança da AfD.
A coerência, por exemplo,  não parece ser o forte de Alice Weidel, uma das fortes candidatas à sucessão de Frauke Perry. Lésbica,  a viver com uma mulher originária do Sri Lanka e tendo como empregada doméstica uma imigrante ilegal síria, já  é difícil imaginar Alice Weidel como militante de um partido de extrema direita, quanto mais a liderá-lo...