quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLIX)

Esta estava mesmo no fundo do baú, mas  os meteorologistas anunciam chuva, por isso replico a pergunta dos Credence Clearwater Revival.
Boa noite

Relatório divulgado pelo Expresso foi escrito em casa de Pinto Balsemão!

Ponto prévio: é inadmissível que três meses depois de ser divulgado  o desaparecimento de material de guerra do paiol de Tancos, não tenham sido identificados culpados, nem se saiba se houve negligência, ou o furto teve a conivência de militares.
O  silêncio permite – e favorece-  todo o tipo de especulações. Inclusivé a de que não houve roubo e tudo não passou de uma inventona urdida por um grupo de militares descontentes, que pretendeu descredibilizar o ministro da defesa e colocar em causa o governo.
Dito isto, é meu dever como jornalista ( ainda que reformado) repudiar veementemente a actuação do Expresso.
A divulgação de um ” relatório secreto elaborado pelos serviços de informações militares tendo como destinatários a Unidade Nacional de Contra Terrorismo da Polícia Judiciária e o SIS” que condena a actuação do ministro da  defesa, foi  um momento absolutamente patético. Em primeiro lugar, porque foi imediatamente desmentida a sua existência por parte das entidades militares, pela PJ e pelo SIS e em  segundo lugar porque, confrontado com o desmentido, o director do Expresso limitou-se a dizer que existe, “mas não é oficial!”.
Não percebo qual é o interesse jornalístico de dar destaque de primeira página a um relatório que não é oficial e cuja proveniência é omitida.
SALVO SE... for um relatório encomendado para ser usado como arma de arremesso político.
Depois de ter obtido a garantia de que Miguel Sousa Tavares não o atacaria, pela prática de jornalismo de sanita, Pedro Santos Guerreiro foi ao telejornal da SIC reafirmar a existência do relatório mas, instado por Clara de Sousa, recusou-se a dizer qual é a sua origem. Limitou-se a garantir que na próxima sexta-feira fará novas revelações.
Dito por outras palavras: Pedro Santos Guerreiro foi à SIC  prometer a Balsemão e Pedro Passos Coelho que na próxima sexta feira ( 48 horas antes das eleições) irá divulgar mais uma série de patranhas escritas por um qualquer argumentista de telenovelas da SIC que apresentará como provas irrefutáveis, com o objectivo de favorecer o PSD e prejudicar o PS.
Um valentão, este Pedro Santos Guerreiro! Foi ao telejornal do patrão, protegido pelo estatuto de inatacável mas, convidado para o Forum TSF - onde poderia esclarecer uma vasta audiência, mas seria sujeito ao contraditório-  o director do Expresso acobardou-se.
Este seria o momento oportuno  para dizer aos meus leitores que sei, de fonte segura, que Pedro Santos Guerreiro forjou o documento/relatório na mesma pastelaria onde José Manuel Fernandes  combinou com Fernando Lima a cena das escutas a Cavaco. Poderia acrescentar que fonte fidedigna me garantiu que durante as duas últimas semanas Pedro Santos Guerreiro e Pedro Passos Coelho se encontraram diversas vezes em casa de Pinto Balsemão para forjar o documento, tendo recorrido aos serviços do mesmo militante do PSD que, nas vésperas das eleições de 2005, pôs a circular a notícia de que Sócrates e Diogo Infante tinham um caso amoroso.
Só que eu não milito no PSD e nunca fiz jornalismo canalha. Limito-me, por isso,  a desejar a Pedro Santos Guerreiro que nunca tenha o azar  de ser vítima do efeito  "boomerang".
Seria certamente terrível ver na capa de uma revista social uma fotografia com uma legenda comprometedora para ele e para a sua família. Principalmente se a notícia for apenas um boato lançado pela concorrência.