terça-feira, 26 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLVIII)

E continuando com temas imortais, hoje convidei os Moody Blues.
Boa noite!

Abriu a época de caça...



No meu tempo de estudante, a segunda quinzena de setembro era sinónimo de vindimas e vida no campo. 
Todos os anos ia  com os meus pais para  Mesão Frio ( um ou outro ano  também para Santo Tirso) fazer a vindima. Claro que para mim a vindima durava pouco mais de um dia. Durante umas horas apanhava meia dúzia de cachos de uvas, comia outros tantos e, entre dores nas costas e dores de barriga. se passavam os restantes dias.  (Houve também aquele ano em que a Emília me destroçou o coração, mas isso é outra história...)
Dizia eu, então, que para mim - e para muitos outros jovens da minha idade- setembro era, naquela época sinónimo de vindimas.
Actualmente, a segunda quinzena de setembro é a época em que abre a caça ao caloiro. Por estes dias e noites  vejo-os desfilar  pelos jardins do Estoril, de capa e batina vestidos, presumo que em preparativos para a grande farra da "festa de recepção ao caloiro" e as subsequentes praxes. Por agora ainda andam a treinar, mas a alcoolémia já é visível nuns quantos a partir das 11 horas da noite.
Dentro de dias começarão as cenas que aqui já descrevi algumas vezes e que considerava degradantes. Devo informar que mudei radicalmente de opinião depois de ouvir uma miúda que acabara de simular sexo oral e masturbação com uma banana, defender acerrimamente a praxe porque, na  opinião dela, a praxe ajuda a crescer.
Se assim é, peço imensa desculpa pelo meu juízo precipitado, retiro à praxe o epíteto de espectáculo degradante e aplaudo vibrantemente este Manifesto.
No entanto, pessoalmente, continuo a preferir o tempo das vindimas e das paixões platónicas associadas.

Abstenção ou demissão?

Nos dias seguintes às eleições autárquicas  muito se irá falar de abstenção. Diversas serão as razões invocadas para a justificar, mas poucos se atreverão a atribuir a culpa aos portugueses pela  (provavelmente) elevadíssima abstenção.
Uma grande parte dos portugueses há muito alienou o seu direito de participar na escolha do seu destino. Não por desconfiarem dos políticos, ou nada quererem saber de política, mas simplesmente por preguiça e/ou comodismo, os portugueses demitiram-se de exercer os seus direitos de cidadania. Os outros  ( aqueles que ainda acreditam na democracia) que escolham o destino por eles. Aos abstencionistas chega-lhes ter as redes sociais para desabafar,  acusar os políticos de corrupção, insultá-los e apontar um dedo acusador quando alguma decisão lhes não agrada ou, em sua opinião, os prejudica. 
A abstenção dos portugueses ( e dos cidadãos europeus, na generalidade) não se limita à participação eleitoral. Ela grassa em toda a vida cívica, no movimento associativo e na escolha de órgãos directivos  de instituições em cujo funcionamento deveríamos estar empenhados. Estou a lembrar-me, por exemplo, das eleições na ADSE - instituição que pela sua relevância para muitos milhares de funcionários públicos deveria merecer escolha atenta dos seus representantes, por parte dos beneficiários. Nas eleições recentemente realizadas, a abstenção ultrapassou os 95%! 
De hoje para amanhã, se alguma coisa correr mal, não faltarão dedos acusadores a apontar os erros dos actuais dirigentes, mas ninguém se vai recriminar por não ter participado na escolha de quem gere uma área tão sensível como a saúde.
Não deixa de ser irónico  que a abstenção se tenha generalizado  nos regimes democráticos onde a participação cívica e o direito de voto, muitas vezes,  só foram conseguidos depois de muito com sangue derramado nas ruas.
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