segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXIII)

Uma bela memória para iniciar a semana. Não vos parece? Boa noite e boa semana!

Grau 10 da indignidade

Chega-me de Macau a notícia  da demissão do director dos serviços meteorológicos e geofísicos.
De acordo com a informação recebida, a causa da demissão radica no facto de o sinal 10 de tufão só ter sido hasteado às 9 da manhã e não às 7, como aconselhavam as condições atmosféricas. Negligência?
Aparentemente, não. O hastear do grau 10 de tufão às 9 horas terá sido criteriosamente escolhido para não prejudicar...os CASINOS!
É que os casinos em Macau funcionam 24 horas por dia e às 8 da manhã há uma mudança de turno. Ora se o sinal 10 fosse hasteado às 7 horas, ninguém poderia sair nem entrar, o que acarrateria custos aos casinos e "perturbaria o seu normal funcionamento"
Ao hastear o sinal 10 apenas às 9 horas da manhã,  foi permitida a mudança de turno sem quaisquer perturbações, mas a tempestade apanhou milhares de pessoas na rua, com as consequências conhecidas.
Não pude confirmar se foi realmente essa a verdadeira causa  para o hastear tardio  do sinal 10 mas, se assim foi, estamos perante um caso de indignidade de tal dimensão, que merecia uma punição bem mais exemplar do que o simples despedimento.

The good, the bad and the ugly




O Pedro Coimbra faz várias considerações interessantes sobre o comportamento das pessoas durante o tufão que assolou Macau na semana passada. 
 O post  que ele escreveu fez-me lembrar o que se passou por cá durante o incêndio de Pedrógão, pelo que decidi partilhar convosco o comentário que lá deixei.
"Enquanto pessoas ajudavam como podiam e os bombeiros eram incansáveis, outras atravancavam a estrada com os seus automóveis porque "queriam ver o incêndio de perto" e outras ainda pilhavam os escassos haveres  de quem tinha ficado sem nada. E, claro, também apareceram os oportunistas, disfarçados de técnicos da segurança social, ou agentes de seguros, que  tentavam extorquir  aos mais velhotes e analfabetos as suas economias. 
O ser humano pode ser o mais delicado, bondoso e solidário ser vivo à face da Terra mas, como o Pedro muito bem diz, também sabe ser o mais vil e abjecto."
Acrescento agora mais um aspecto lamentável: o comportamento das pessoas nas redes sociais. Enquanto a terra ardia, pessoas morriam e outras ficavam sem as suas casas e os seus haveres, nas redes sociais apontavam-se culpados e discutia-se acaloradamente se a ministra devia ou não ser demitida.
Não raras vezes, essa discussão foi iniciada e alimentada por políticos com responsabilidade que, em vez de irem para o terreno dar apoio a quem precisava, vestiram uns trapinhos e convocaram as televisões para se mostrarem. 
Sim, estou mesmo a lembrar-me daquela senhora que foi ministra da agricultura, do ambiente e de mais umas minudências de que ela já não se recorda
Essa senhora tomou  duas medidas importantíssimas em matéria ambiental: abolir as gravatas dentro do ministério e  rezar a Nossa Senhora a pedir chuva. 
E se mais não fez, é porque a sua Fé não era suficiente para resolver qualquer problema que se lhe deparasse. Como foi visível na tentativa de parir uma Lei das Rendas, que redundou num aborto.