terça-feira, 22 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXVIII)

É aproveitar enquanto dura. Boa noite!

Praias da minha vida (com histórias dentro)- 3

Benidorm em 1963

Tinha 10 anos quando comecei a passar férias em Benidorm, com os meus pais. Nessa altura, Benidorm era praia e arvoredo, duas ruas alcatroadas, meia dúzia de ruas de terra batida, quatro ou cinco hotéis. 
Durante mais de uma década, as três semanas de férias anuais em Benidorm foram, para mim, um tempo de aprendizagem
Foi lá que aprendi a nadar, conheci o prazer de tomar banho em águas de 25º e não ter de andar à procura de espaço na praia para jogar à bola ou estender a toalha.
Foi lá que aprendi a fazer ski, que  entrei pela primeira vez numa discoteca. Chamava-se Safari ( era a única que existia) e tinha cinco pistas de dança, três delas ao ar livre.
Foi em Benidorm que ganhei o primeiro dinheiro de férias. Havia umas pistas de bowling em cimento e as bolas eram de madeira. Como nada era automático, a minha tarefa era  colocar no lugar  os pinos derrubados pelos jogadores.
De Benidorm tenho memórias infindáveis. Boas e más, obviamente, mas o que de melhor retenho daquela praia, foi ter tomado consciência que Portugal era demasiado pequeno e, acima de tudo, tacanho e mesquinho.
O convívio  anual com um grupo de jovens franceses, italianos, belgas, alemães, polacos, suiços e, pontualmente, alguns ingleses e nórdicos, permitiu-me praticar várias línguas mas, acima de tudo, abriu-me horizontes. 
Percebi desde tenra idade que a minha felicidade seria feita de viagens e, no início dos anos 70, foi com alguns desses meus amigos que  percorri a Europa, durante meses, numa carrinha Volkswagen “pão de forma”. Foi com eles que descobri outros mundos, outros modelos de vida e outras formas de pensar.
De Benidorm posso dizer que, mais do que uma praia, foi uma escola de vida.
Tantos anos depois, lamento que o meu pequeno paraíso terrestre se tenha transformado numa selva de cimento nada recomendável.

E por falar em rabos...

Já  que  trouxe à baila a premente questão do rabo de Taylor Swift, decidi prosseguir com o tema, no intuito de encontrar resposta para uma questão que há muito me atormenta.
Tudo começou com a moda das calças de cintura descaída e o inómodo que sentia quando era obrigado a ver  no metropolitano, logo pela manhã, anafados rabos a espreitar pelas calças.
Liberto das viagens diárias de metro  e aliviado porque essas cinturas saíram de moda, a questão passou a suscitar-se nos areais da nossa costa.
Quando passeio no paredão, por exemplo, coloco frequentemente a seguinte pergunta:
-Por que  razão só uma em cada 50  mulheres que usam  fio dental ou aparentado, tem um rabo digno de ser exposto?
A pergunta pode parecer cretina. Até machista. Mas, acreditem, é apenas curiosidade. Será que as mulheres com rabos bonitos têm mais pudor em exibi-lo publicamente?
Se alguma leitora me quiser esclarecer, agradeço. Talvez assim  eu consiga perceber a razão de senhoras de provecta idade ( estou a falar de gente acima de 65/70 anos) não terem qualquer pudor em se prostrar ao sol, nas piscinas naturais daqui da Linha, exibindo não apenas os glúteos, mas a totalidade da superfície daquela parte do corpo que começa ao fundo das costas e sobre a qual os humanos costumam sentar-se.
É que o espectáculo não é bonito de se ver, por isso, deve haver uma razão convincente para a exibição das partes pudendas por parte de algumas senhoras. Será receita médica?