terça-feira, 15 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXII)

Esta é  a "Minha História"
Boa noite!

"O que faria o Papa Francisco"?

"Um dos meus filhos andava na catequese quando foi convocado para fazer a primeira comunhão,com os outros meninos da sua turma. Ficou, como todas as crianças de 9 anos, entusiasmado com a com a ideia e preparou-se com um afinco inédito ( e até surpreendente para mim) para o acontecimento:decorou todas as orações, preparou-se para a conversa da Primeira Confissão, convidou toda a família para o evento solene. Na véspera da cerimónia, camisa branca engomada, vela do baptismo recuperada e tudo apostos para o grande dia, estava ele a terminar o ensaio geral quando a catequista lhe diz que afinal não podia participar. Tinha havido uma confusão com a papelada e, como ele não tinha tido dois anos de catequese, afinal não podia comungar.Se não tivesse sido baptizado, a coisa era diferente e poderia fazer logo tudo no mesmo dia. Assim, nem pensar, ditavam as regras.
Dito assim- a uma criança e na véspera- depois de meses de preparação. O rapaz ficou genuinamente desolado, não queria acreditar. Ligou-nos em pranto. Fui falar com o pároco e a catequista (...) Foi um diálogo infrutífero- falei com uma parede da burocracia, intolerância e incompreensão. Até que em tirada de despedida me saltou a tampa e questionei:
Tem a certeza que era isto que faria o Papa Francisco no seu lugar?
Meia hora depois recebo um telefonema a dizer que afinal tinham conseguido dar a volta à questão e que o miúdo poderia comungar. Fez a Comunhão, mas a relação esfriou.Ele nunca mais quis ouvir falar de catequese e eu também não(...)"

O texto acima é um excerto de um artigo da autoria de  Mafalda Anjos,  publicado há cerca de um mês na Visão.
Reproduzo-o pela acuidade do tema e também pela proposta  de  Mafalda  Anjos  na sequência deste episódio.
"O que faria o Papa Francisco no meu lugar devia estar afixado em todas as sacristias"-, argumenta a directora da Visão
Eu arriscaria  alargar a experiência e colocaria  a frase " o que faria  meu chefe no meu lugar" em todas as repartições públicas. Nos gabinetes dos directores gerais, presidentes de institutos, empresas públicas  e equiparados,  deveria estar "O que faria o ministro no meu lugar?"
Em vez de sermos pequenos ditadores, comportemo-nos antes como servidores do Estado. Logo, dos portugueses que com os seus impostos  lhes pagam os salários e garantem a manuteção do posto de trabalho.