segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXI)


Conheço muitos casos assim...
Boa noite e bom feriado para quem o tiver.

Aceleras e transgressores




No primeiro semestre deste ano registaram-se mais 44 mortes na estrada do que em igual período de 2016. Nunca, nos últimos 20 anos, houve tantas mortes nas estradas portuguesas.
Não tardou a oposição a exigir explicações ao governo que, obviamente, não soube responder.
Ora como o governo não sabe explicar, apareceram logo especialistas a apontar as causas do aumento da sinistralidade. 
Há explicações para todos os gostos mas, inevitavelmente, o excesso de velocidade é que recolhe o maior número de adeptos. 
A opinião mais original é a do ACP que "descobriu" que a introdução de portagens nas ex-SCUT aumentou a sinistralidade. 
Existindo tantos opinadores, também me sinto no direito de avançar com a minha, baseada exclusivamente na minha observação pessoal: 
- Conduz-se cada vez pior em Portugal e os condutores cometem infracções e  transgridem, porque sabem que, com a excepção dos excessos de velocidade e dos controles da alcoolemia em horas e locais que todos conhecem,  a impunidade é generalizada.
Algumas transgressões tornaram-se banais:
Conduzir enquanto se fala ao telemóvel; mudar de faixa de rodagem pisando risos contínuos; ignorar os sinais vermelhos; entrar nos acessos a auto estradas e vias rápidas sem respeitar a sinalização horizontal; estacionar em locais que condicionam a visão dos outros condutores.
Só uma análise detalhada das características da sinistralidade, com o cruzamento de dados, permitirá conhecer a causa dos acidentes, mas espanta-me que a polícia não aproveite este filão para aplicar multas e, por via indirecta, disciplinar os  condutores tugas.
Enquanto a "balda" continuar, não vale a pena introduzir novas regras no Código da Estrada.E, muito menos, criar normas de eficácia muito duvidosa, como a que condiciona a circulação na faixa central das auto estradas. Gostaria que a ANSR divulgasse quantos acidentes ocorreram relacionados com essa polémica regra.
O aumento da sinistralidade não pode ser encarado com displicência pelo governo. Até porque há um dado que merece muita reflexão: apesar de ter aumentado o número de mortes nas estradas, diminuiu o número de acidentes.

Marques Mentes



O comentador residente  mais minorca ( não me refiro à estatura física...) da televisão portuguesa  todas as semanas lança umas atoardas com o selo de verdades irrefutáveis.
Têm sido inúmeras as ocasiões em que a realidade desmente Marques Mendes, como ainda recentemente aconteceu com os números do desemprego.
Apesar de sucessivamente desmentido, MM insiste em dar saltos em frente e, na última intervenção, terá dito  que Marcelo Rebelo de Sousa se tinha afastado definitivamente de António Costa e que se acabara o tempo de idílio.
Não vejo os comentários de MM mas, pelo que li e ouvi, terá dado a entender que a sua afirmação estava fundamentada em informações vindas de Belém.
Na última quinta feira, MRS e AC passearam juntos pelas ruas de Tavira, com a deliberada intenção de desmentirem MM. A comunicação social deu algum relevo ao passeio mas, curiosamente, muito menos do que dera às palavras do comentador da SIC.
Não deixa de ser estranho que a opinião ( não confirmada) de um comentador televisivo  tenha  mais espaço noticioso do que um facto real ( o passeio) mas isso diz muito sobre o jornalismo que se vai fazendo em Portugal.
Marques Mendes é conselheiro de Estado, mas isso não faz dele uma fonte privilegiada de informação. Até porque, como a realidade mostra, a especialidade de MM são as fake news.