quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCVIII)

Que me desculpem os que preferem as loiras...
Boa noite!

Mais do mesmo...

Cumprida a  Supertaça e terminada a primeira jornada da Liga, confima-se aquilo que eu previra: o video árbitro não vai eliminar os erros de arbitragem, nem acabar com as polémicas  nos programas desportivos.
Não, não estou a insinuar nada. É apenas uma constatação.

Uma questão de berço(s)



Quando a vi a servir às mesas num modesto restaurante, arregalei os olhos de espanto. O que estaria ali a fazer, em tempo de férias, uma miúda que pertence a uma das famílias mais ricas da Linha?
A resposta veio pronta e com um brilhozinho nos olhos:
- Quero tirar a carta de condução, mas quero ser eu a pagá-la.
De imediato me lembrei dos miúdos que exigem tudo dos pais, obrigando-os a fazer sacrifícios para lhes comprar ténis, telemóveis e tudo o que o consumismo mimético reclama.
E não podia deixar de recordar aquele miúdo, filho de uma vizinha da minha irmã que vivia com muitas dificuldades desde a morte do marido. Na véspera de  fazer18 anos disse à Mãe:
- Se amanhã não me deres dinheiro para eu tirar a carta, mato-te.
Não matou, mas deu-lhe uma tareia. A mãe, como sempre, desculpou-o:
"É um miúdo muito nervoso, mas é muito bonzinho!"
Palavras para quê?

O Estado Novo já acabou?...É só fazer as contas...

O PSD apresentou um projecto de Lei que tinha, como objectivo, retirar poderes à Liga Portuguesa de Futebol. 
A Liga condenou de imediato a iniciativa e alguém na agremiação laranja, com mais do que um neurónio, avisou que o partido se estava a meter num imbróglio. A proposta foi retirada.
Dias depois, o presidente de um clube que sempre denegriu a Liga  veio reclamar a intervenção do governo e pedir a criação de uma entidade independente para gerir o futebol português.
Várias coisas ficam esclarecidas com a intervenção do presidente daquele clube de um bairro lisboeta:
1- Percebe-se quem encomendou o diploma ao PSD
2- O clube convive mal com a democracia ( não é novidade, pois era o clube do regime fascista) , não aceita órgãos eleitos pelos clubes e pede a protecção  (intervenção) do governo, porque sem colinho pode não conseguir os seus objectivos
3- O PSD está sempre a louvar a iniciativa privada e a exigir menos Estado mas, quando se trata de assuntos da bola, os seus dirigentes perdem o tino. Combatem as instituições e querem o estado a decretar o seu clube campeão por decreto.
4- Os órgãos disciplinares da Liga e da FPF, sempre tão céleres a punir treinadores e presidentes de outros clubes, ( 24 horas depois de o treinador do Boavista ter dito que teria sido mais ajuizado não nomear um árbitro algarvio para o jogo com o Portimonense foi multado pelo CD) são insultados pelo presidente do clube que manda nisto tudo e acagaçam-se.
Eu sei que o presidente do clube em causa ( que também quis ser presidente dos clubes rivais, mas não conseguiu porque os sócios desses clubes não são parvos) e o próprio clube ainda vivem das glórias alcançadas à sombra do Estado Novo. Daí que queira controlar todos os organismos que regulam o futebol, como fazia no tempo de Salazar.
Alguém lhe diga, porém, que o Estado Novo já acabou há mais de 40 anos e que, em democracia, os títulos conquistam-se sem necessidade de  colinho.