segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCV)

No início desta semana regresso à canção francesa, com um cheirinho a Itália.
Boa noite e boa semana.

Mente sã em corpo são




Aquele "zoom out" a partir do  seio de uma adepta do benfiquista, pouco depois de o SLB ter marcado o terceiro golo, foi um mau momento de televisão que, logo na altura, classifiquei como sendo de mau gosto. Recebi como resposta  que se tratava de um bela alegoria, pois os/as benfiquistas estavam de peito cheio.  A coisa  morreu ali e  não voltei a falar do assunto.
Qual o meu espanto quando hoje me apercebo que o episódio incendiou as redes sociais...
Esta gente deve ser doida!
 Um tipo de uma claque mata um adepto de um clube rival e as redes sociais quase ignoram. Uma câmara faz um "zoom out" a partir do seio de uma adepta e é um escândalo nacional que obriga o realizador a  justificar-se dizendo que o plano foi acidental e não deliberado. 
Este país está a precisar de gente com mente sã, que não veja escândalos em  pormenores irrelevantes. Alguém, por acaso, perguntou à adepta benfiquista se ficou ofendida? 
Estou farto destas brigadas de bons costumes. Até porque alguns deles/delas são bem capazes de  estar bastante tempo diante de um ecrã de computador a masturbar-se diante de fotografias de nus.

Isto vai acabar mal

Quando a retoma se tornou uma realidade, escrevi que o meu maior receio era que os portugueses se esquecessem das causas que levaram à crise e voltassem a endividar-se como se não houvesse amanhã.
Já havia sinais bem visíveis dessa possibilidade e, na última sexta-feira, confirmou-se. Os bancos voltaram a  conceder crédito à balda e os tugas não se fazem rogados. Uns e outros sabem muito bem que outros hão-de pagar as suas dívidas. Encanita-me saber que serei um deles. 
Revolta-me que o Banco de Portugal, apesar de saber o que se está a passar, não aja e finja que não se passa nada.
Intriga-me o silêncio do governo, sem coragem de alertar os portugueses para os perigos do sobreendividamento, nem para chamar a atenção dos bancos e instituições financeiras para a necessidade de serem mais criteriosos na concessão de créditos.
Eu sei que por muitos avisos que se façam, os tugas farão ouvidos de mercador e, quando as coisas derem para o torto, armam-se em vítimas, apontam o dedo acusador aos bancos e exigem ao governo que lhes devolva " o que os bancos lhes roubaram".
Sinceramente, estou farto desta lamechice de gente irresponsável que vê no consumismo a sua realização pessoal. 

Por onde andava o padre Júlio?

Padre Júlio, pároco de Pedrogao Grande, diz estar muito preocupado porque os apoios do Estado tardam a chegar às vitimas do incêndio.
A jornalista lembra as formalidades necessárias, mas o padre Júlio  encolhe os ombros, esboça um sorriso e deixa no ar a ideia de que são desculpas do governo.
Eu gostava de saber onde andava o padre Júlio quando o governo Passos/Portas cortava as reformas dos pensionistas e mandava as pessoas emigrar. A passear num daqueles automóveis topo de gama de que os padres da região são tão fervorosos adeptos?
Já agora, se não for pedir muito, gostava de saber qual é o interesse jornalístico do testemunho de um padre. 
Tem mais valor do que o do presidente da Câmara, da Caritas  ou do provedor da Santa Casa? É equiparável ao da empresária que conseguiu duplicar o número de mortos e ao de Passos Coelho que "viu" pessoas a suicidarem-se? E porque não ir perguntar a opinião das testemunhas de Jeová e dos mormons?
Desculpem lá, mas são perguntas que me atormentam.
Tenham uma boa semana