quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCII)



E o melhor é mesmo começar logo no primeiro dia. Hoje já vai tarde.Boa noite!

Those were the days (47)


O "La Gondola", um dos mais icónicos restaurantes de Lisboa, vai encerrar portas no próximo domingo.
Abriu  em 1943, na Av de Berna ( quase esquina com a Praça de Espanha) mas só o conheci no final dos anos 60. Lembro-me da primeira vez que lá entrei, levado pela minha irmã e pelo meu cunhado. Fiquei de imediato "agarrado" àquele jardim-esplanada, mas também à comida italiana, de que  La Gondola foi- segundo creio- o primeiro embaixador em Lisboa e, muito provavelmente, em todo o país.
Nos anos 70 comecei a ir lá almoçar com amigos do Porto que vinham a Lisboa, com os meus "counterpart" do PNUD, ou com a Natália e alguns amigos do "Botequim". Por ali amesendei com políticos que muito apreciavam o local pelo recato que permitia e a inspiração que propiciava.
Também  ia lá  amiúde  jantar com uma namorada libanesa que morava nas Avenidas Novas. A sua morte prematura e, posteriormente, a minha partida para a Suécia, afastaram- me do La Gondola mas no final do século passado, quando regressei da Argentina, voltei a fazer algumas incursões àquele espaço que, com prazer, encontrei quase inalterado. 
Não ia lá muito, é verdade, mas como trabalhava no Saldanha, por vezes refugiava-me ali a almoçar. Ia quase sempre sozinho. Ora porque queria estar em recolhimento, a desfrutar das recordações daquele espaço ímpar ( em minha opinião, só a esplanada do restaurante do Clube de Jornalistas rivaliza com La Gondola), ora   porque queria redescobrir sabores de outrora. 
La Gondola vai encerrar para que ali seja construída a sede do Montepio. É a Lei da Vida dirão alguns. Aceito. No entanto, pergunto: não seria o La Gondola elegível para o programa Lojas com História da CML?
Não fico à espera de resposta. Hoje tenho de ir a Lisboa e vou jantar ao "La Gondola" para me despedir. Como se faz com um amigo quando parte para sempre.

Cristiano Ronaldo, ou o Elogio da Loucura



Investigado pelo fisco espanhol por fuga aos impostos, CR 7 foi ouvido em tribunal na segunda feira.
De acordo com a imprensa espanhola, o seu comportamento perante a justiça terá sido pouco digno, tendo inclusive argumentado que está a ser vítima do seu sucesso. 
Um dia  saber-se-á se  Cristiano fugiu ou não aos impostos e qual o seu grau de responsabilidade ( que acredito seja ZERO), mas o que  escreveu nas redes sociais não abona nada em seu favor.
Eu até admito que CR fique indignado ao ver que gente que foge aos impostos prescindindo de facturas e recibos em obras, compras ou transações, lhe aponta o dedo acusador, esquecendo que o seu comportamento nada difere do de Ronaldo. A diferença é só de escala. 
CR7 não pode é encarar este caso como se estivesse a responder a jornalistas que o criticam por ter jogado mal, ou falhado um golo. Os assessores de comunicação que o rodeiam tinham obrigação de lhe lembrar aquele ditado chinês  que diz  que depois de proferidas, as palavras não voltam atrás.
Ao longo da época, CR7 vai ser alvo predilecto dos jornalistas e dos adeptos do Real e dos adversários. Jogue bem ou mal, não hesitarão em usar o argumento fiscal para o atacar como jogador e como homem.
CR7 pode estar inocente, mas não tem o direito de ser arrogante e mal educado. Nem de se armar em vítima. Até porque o Tribunal lhe concedeu privilégios para escapar aos jornalistas, que não foram dados a outros ilustres réus. 
Como qualquer outro cidadão, Ronaldo está obrigado a respeitar a justiça e mostrar que merecia esse tratamento de privilégio. Atacar uma juiza não é nunca boa ideia. Confundir um tribunal com um campo de futebol é estupidez. 
Autoproclamar-se génio dentro de uma lâmpada que brilha e chamar insectos a quem dele se aproxima, não é vaidade exacerbada. É uma perigosa manifestação de loucura.